A Insustentável Leveza do Ego II

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Para terminar a novela do rui tavares e porque o Saboteur me pediu seguem aqui as minhas considerações finais sobre o assunto.
O rt que conheci no inicio dos 90’s era uma pessoa que não me inspirava confiança. Na luta das propinas tinha acções desajustadas e que comprometiam a unidade das lutas. Era frequente saltitar de opinião e comprometer ténues alianças pela sua necessidade em querer ser mais vanguardista que a vanguarda. O problema é que não fazia isso por divergência ideológica ou outra, as razões eram a necessidade e o ardor de protagonismo e uma visão romântica típica de um ego inchado. Esta necessidade de auto-afirmação, esta paranóia de estar sempre no top das visões mais revolucionárias associei sempre à sua falta de auto-estima, o que aliás ainda hoje pode ser observado pela sua linguagem corporal. Como tem essa debilidade procura inflar-se para que não se notem as suas fraquezas até tudo atingir um nível que nem ele próprio controla.
A senda da parvoíce do rt começou logo com o manifesto de candidatura, conforme noticiou no público e no seu blog, a primeira razão para ter aceite a candidatura ao parlamento europeu era para “aprender”. Numa frase todo um programa, o rt aceitou ser candidato não para defender um ponto de vista, não para representar quem o elegia, mas sim para aprender.
A partir daí perdeu-se a fazer de endinheirado, ganhando publicidade para alimentar o seu ego, a distribuir bolsas aos jovens portugueses, algo que cavaco decerto vê com bons olhos e que lhe valerá uma comenda ao peito num 10 de Junho próximo.
Assim não estranho que sobre a Líbia tenha votado como votou, era tão fofinho defender a acção armada contra Kadhafi, tanta gente a fazer essa defesa. No fundo imitou aquilo que o be tão bem fez nos últimos anos: preocupou-se com o tacticismo e com as perdas e ganhos no imediato e negligenciou a estratégia, a visão e a ideologia que deviam servir de garante a uma acção com significado. Nada lhe interessou o como seria aplicada a moção que votou e que seria claro que teria o desfecho que hoje observamos.
A sua saída, valendo-se da independência, não podia ser melhor. E não foi.
Invocar as mensagens do louçã para tomar esta atitude é patético. Uma pessoa que defende tanto a unidade das esquerdas é incapaz de resolver uma questão pessoal com o líder do partido pelo qual foi eleito? Somos homens e resolvemos o assunto ou é melhor fazer uma birra de crianças?
Não acho, no entanto, que ele seja oportunista no sentido financeiro do termo, acho que a acusação de ele se manter como deputado por dinheiro é absolutamente provinciana. Ao escolher manter-se como deputado e ao mesmo tempo mudar de bancada no pe já não é um detalhe, e acho que aí está a ser oportunista. Intelectualmente oportunista.
Primeiro porque é uma traição a quem o elegeu, não sendo o cargo nem do partido (be) nem dele pessoalmente, mas sim das pessoas que neles votaram é absurdo achar que está tudo bem em mudar de equipa a meio do jogo. Imaginem o nobre a passar agora para qualquer outro partido, o que seria dito e o que isso provocaria. A independência permite um certo afastamento da linha doutrinária do partido mas não permite um total desrespeito pelas ideias que foram sufragadas e que os elitores elegeram. Aliás acho que a euforia pela sua eleição por parte da esquerda hip lhe levantaram o ego ainda mais e contribuíram para este desprendimento que ele tem agora.
Segundo porque a razão da troca de bancada já tinha sido preparada há meses com o daniel vermelho. O rt, como afirma no seu blog, tem razões para mudar: acha que é melhor para a grande nação lusitana estarmos representados na bancada dos verdes. Atenção! Ele acha! Ele não acha que os seus eleitores (e do be) querem estar representados nessa bancada. Ele acha que é melhor para Portugal. E se ele acha deve ser certo.
A sua escolha, e o tempo o provará, não é ingénua. Ele saberá muito bem o que irá ganhar com esta troca e o que conseguirá alcançar com ela. É esperar e ver para crer.
No fundo o rt é um hip-esquerdista, procura estar no topo da moda política de esquerda e tece loas à “união de todas as esquerdas” quando a sua acção concreta (ontem e hoje) mina todas as possibilidades de entendimentos.
Triste esta esquerda que tem candidatos que criticam as atitudes erradas dos outros e que na primeira oportunidade os imitam e até os transcendem.
Boas moules-frites com o Daniel Vermelho no Chez Lion, ruizinho.

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16 thoughts on “A Insustentável Leveza do Ego II

  1. Mas que raio de argumentos são estes?
    “o que aliás ainda hoje pode ser observado pela sua linguagem corporal.”
    Aprofunda lá isto, ó grande analista de movimento.

  2. São o raio dos meus argumentos e não pretendo ser grande ou pequeno “analista de movimento”.
    No entanto não é necessário ser doutourado em Psicologia para ver que quando em entrevistas televisivas ou debates ele tem dificuldade em focar directamente as pessoas ou as camaras, que quando em discussão aberta e cronfonto directo de ideias fica cabisbaixo e desvia sempre o olhar. Sem querer entrar na discussão das micro-expressões claramente ele não se sente à vontade.
    Isto aliado a prestações ao vivo a que assisti e ao meu historial com ele leva-me à conclusão que tem falta de auto-estima.

  3. Poke,
    independentemente das tuas razões sobre o assunto e o personagem esse argumentário psicologista e essencialista é sobretudo fascista, alinhado com a invenção do histerismo nas mulheres no sec xix, os estudos de crânios de ladrões e facínoras no inicio do sec xx e a acusação de edipianos à juventude insurreccional nos nossos dias.

  4. O argumentário psicologista é fascista?
    Limito-me a observar a sensação que outra pessoa transmite quando na presença de um estímulo. Acho que ainda consigo discernir se uma pessoa tem medo, se está ou não à vontade…. e daí concluir o que concluo. Que não passa de uma opinião, a minha.

  5. É,
    porque interna questões que são incontornavelmente externas. porque torna pessoal o que é político e ahistórico o que é histórico. porque será difícil explicares o que é isso da auto-estima e porque também terás um padrão qualquer de comportamento fácil de catalogar dentro da psico-patafísica.

  6. É pessoal porque se está a falar de uma pessoa. Ou devo falar de uma pessoa abstraindo-me do individuo?
    A noção cientifica de auto-estima está disponível na wikipedia.
    Os meus padrões de comportamento são do pior que há. Mas eu não sou figura pública nem concorro para deputado do pe ou da ar. Como ninguém me elegeu para ser cidadão eu apenas me represento a mim. E não pretendo representar mais ninguém.
    E ando a escrever um livro de psico-patafísica, como descobriram??? Aceito encomendas.

  7. POKE, quero fazer o amor tórrido contigo. Gostei.
    Claro que a análise do movimento está correcta. Notam-se os traços gerais da personalidade de uma pessoa na rigidez, moleza ou elegância com que anda, fala e se mexe.

  8. TMC, lamento mas já estou okupada. Fica para a próxima.
    Os traços de personalidade notam-se na discussão com essa pessoa, na critica às suas posições e com a observação das suas formas de comunicar, incluindo a linguagem corporal.
    >E nada tem a ver com a elegância garanto-te.

  9. “É pessoal porque se está a falar de uma pessoa. Ou devo falar de uma pessoa abstraindo-me do individuo?” Oh Poke, mas n podes falar de uma pessoa assinando poke n achas? Poder podes mas é mais que feio e deita por terra a argumentação, arguta que fosse. É que um blogue é um espaço público não é uma mesa de café.
    Quando assinares o teu nome depois já podemos valiar a tua personalidade e as tuas ideias pelo teu movimento corporal. E quem sabe, elas n melhoram!

  10. Operation, o meu nome é José Silva. Pronto agora já podes criticar o meu movimento, avaliar a personalidade e eu já posso criticar os outros.
    Ufa, sinto-me muito melhor.

  11. É pena que não compreendas que uma assinatura poke n serve para argumentos ou acusações pessoais, serve para outras coisas. Para além do argumento filo-fascista da avaliação subjectiva de intenções está a forma igualmente fascista de vir acusar pessoalmente (ex. “quando andei c ele no movimento associativo”) alguém escondido num nick name. É pena que n compreendas o quanto isso te diminui politicamente e para mim, mais preocupante, diminui este blogue

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