All I wanna do is BANG BANG BANG

Mas melhor do que o Sérgio Lavos tem sido ler no facebook as reacções de toda a diáspora artistica portuguesa exilada em Londres, cuja a politização ténue é em grande parte devida a essa estupidificação do discurso promovida pelo Daniel, pelo Bloco e agora pelo Sérgio. Londres é há bastante tempo não só uma meca para as culturas urbanas juvenis e menos juvenis como também o refúgio de todo o designer e arquitecto e cineasta descontente tanto com as hipóteses de trabalho como com as hipóteses de consumo. Perante o tédio homogeneizado de Lisboa, Londres surge como o perfeito parque de diversões: pretos e loiros e monhés e chineses, playground hipster, namorados e namoradas galore, curry barato e uma house party em cada esquina. Mas um dia surgem os encapuçados todos e é como a invasão dos zombies: a padaria vegan alternativa tem as portas fechadas, o club onde tocam as bandinhas ardeu e é impossível sair à rua no bairro onde se escolheu viver porque hoje nas noticias não estão as inúmeras galerias a abrir numa zona anteriormente degradada da cidade mas sim os jovens que lá nasceram e estão a partir tudo. E ai desaba num pranto descontrolado a utopia funcionalista da grande cidade. A exaltação do ilegalismo urbano feita pela M.I.A. deixa de ter piada. O anti-racismo de uma juventude passada a ouvir falar de Mandela e toda a social-democracia que o terno sorriso da Ana Drago inspira não impede uns gritos de raiva relativamente aos pretos e brancos pobres que hoje pegam fogo a tudo, inclusivé ao comércio justo, e de repente até a jovem punk que no passado editava fanzines anarquistas está a reclamar porque o exército ainda não está nas ruas a matar os macacos que estão a pegar fogo à sua sala de concertos preferida (sic).

21 thoughts on “All I wanna do is BANG BANG BANG

  1. Talvez Freud possa também explicar ficares tão nervosinho quando falam da tua mãe, descupa do teu partido.

  2. Ó minha ganda abécula e eu disse que tinha algum mal ir p londres? Não, devia era ter ficado aqui a aturar palhaços como tu.

  3. enfim, nada de novo, a qualidade dos posts é inversamente proporcional à qualidade dos comentários. entre outros gostei deste artigo:
    Civil disturbances never have a single, simple meaning. When the Bastille was being stormed the thieves of Paris doubtless took advantage of the mayhem to rob houses and waylay unlucky revolutionaries. Sometimes the thieves were revolutionaries. Sometimes the revolutionaries were thieves. And it is reckless to start making confident claims about events that are spread across the country and that have many different elements. In Britain over the past few days there have been clashes between the police and young people. Crowds have set buildings, cars and buses on fire. Shops have been looted and passersby have been attacked. Only a fool would announce what it all means.
    We can dispense with some mistakes, though. It is wrong to say that the riots are apolitical. The trouble began on Saturday night when protesters gathered at Tottenham police station to demand that the police explain the circumstances in which a local man, Mark Duggan, had been shot dead by the police. The death of a Londoner, another black Londoner, at the hands of the police has a gruesome significance. The police are employed to keep the peace and the police shot someone dead. This is a deeply political matter. Besides, it is conventional to say how much policing in London has changed since the Brixton riots of the early eighties – but not many people mouthing the conventional wisdom have much firsthand experience of being young and poor in Britain’s inner cities.
    english.aljazeera.net/indepth/opinion/2011/08/201189165143946889.html
    “Only a fool”

  4. É reconfortante saber que existem outros seres humanos lúcidos neste mundo. Obrigada.

  5. é isso, é isso.
    hoje ao meio dia calhou ver um bocado das notícias na tv e o discurso do governo britânico (repetido as nauseam por quem é pago para o repetir) é igual ao do Sérgio Lavos e todos os outros. É também assim que se definem os limites do possível.

  6. Com tudo isto,há uma pedra que não me sai do sapato.
    Porque é que o exercito não está ainda nas ruas? Porque é que a polícia inglesa, que não me parece ser mal equipada ou carente de meios humanos, deixa essa “sensação de liberdade” aos amotinados?
    Pode ser paranoia, mas nos tempos que correm, custa-me muito acreditar em coincidências. E nada como um bom motim para justificar uma boa repressão, que opa, vem mesmo a calhar.
    Isto ainda mal começou.

  7. PP (hum…)
    o ambiente deste lado é bem tranquilo. parece-me que aqui quem está a ficar com a nervoseira és tu.

  8. Grande PP, gosto de te ler assim, uma espécie de lucidez inflamada. Vê se atendes a porra do telefone.

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