ONU : Uma boa decisão!

Enquanto ouço o discurso de Netanyahu na AlJazeera, escrevo este texto com lagrimas de crocodilo… convenço-me cada vez mais daquilo que ja ha muito tenho dito. A soluçao dos dois Estados nao tem sentido algum tendo em conta a natureza da totalidade do territorio daquilo a que chamo Palestina ocupada. Falo tanto de um ponto de vista territorial como humano.
Imaginem a Argélia cortada em dois : a faixa que vai do litoral (costa, praia, àgua, bem bom) ao sul (porque é fun ter um pouco de deserto para surfar nas dunas e andar em cima de camelos) ficou a pertencer à França, os dois pedaços restantes, a oeste e a leste, sobraram para os argelinos. Passados quase 64 anos de colonizaçao francesa na Argélia chegou-se a esta soluçao de partilha. Entretanto, 4 geraçoes de argelinos tinham vivido sob-jugo colonial. Os argelinos residentes do litoral ao sul, guardaram os seus costumes de cultura arabo-muçulmana num clima de discriminaçao constante em todos os dominios da sociedade, tendo sido obrigados a integrar outros habitos, aprender uma nova lingua, acompanhar os ritmos de uma outra religiao e homenagear os mortos do massacre da ocupaçao alema. Houve mesmo alguns argelinos que casaram com os colonos. Os outros, residentes nas zonas aridas do Oeste e do Leste, ficaram mais resguardados da influência cultural colonial. No entanto, foram obrigados a fecharem-se na sua propria cultura e tornaram-se extremamente dependentes do pao do colono (uma vez que o traçado feito pela potência colonial nao dizia apenas respeito à terra mas também aos poços de àgua existentes). Outro aspecto relevante, é que as populaçoes do oeste e do leste nao tinham liberdade de circulaçao, ou seja, para além de nao terem tido contacto uns com os outros, criaram visoes diferentes de resistência à colonizaçao de que eram alvo. Acrescento que mesmo essa colonizaçao passava-se de maneira diferente a oeste e a leste. Enquanto, no primeiro pedaço de terra a populaçao vivia num buraco sem saida, no outro lado os colonos infiltraram-se por todo o territorio, construindo estradas exclusivas para eles e check points para controlar o movimento da populaçao do norte ao sul do pequeno pedaço de terra a leste. Resultado, ao ter-se legitimado dois Estados, os argelinos que nasceram e foram sociabilizados com os colonos na faixa do litoral ao sul foram agora todos expulsos para oeste e para leste. Mais uma Nakba na sua historia geracional. Os argelinos de oeste e de leste, jà sem espaço para acolher nem mais uma criança, tiveram que inventar mais campos de refugiados para receber os novos vindouros. Com a agravante de estarem impedidos de atravessar o territorio Francês, tiveram que fazer acordos com o Mali e o Niger para poder atravessar o deserto. Muitos deles morreram pelo caminho com sede.
Nisto tudo, ainda ha mais uma pedra no sapato. Voltanto à realidade… o que se faz a Jerusalém ? Este centro nevralgico das religioes monoteístas é uma cidade destruida pela obsessao dos israelitas em apagar todo e qualquer traço de uma vida prospera arabo-muçulmana anterior à ocupaçao de 67. Desde entao esburacam a cidade para descobrir vestigios do Segundo Templo construido em – 536 a J.C.
Por isto e muito mais, o povo palestiniano tem direito à sua terra, tem direito a dar um mergulho no mar morto e beber uma cerveja em Tel-Aviv. é assim que gostaria de ver a Terra Santa, uma terra para dois povos, duas linguas, cinquenta mil religioes e infinitas identidades. Viver dos mitos do passado nao é uma soluçao. Isto tudo nao invalida a minha sensibilidade em relaçao à esperança que os palestinianos têm em assegurar uma pequena independência agora e rapido… como reflectem as fotografias das milhares de pessoas que estao neste exacto momento reunidas em Ramallah !
Entretanto sem grandes certezas dos acontecimentos do futuro proximo deixo-vos aqui mais uma reportagem que mostra uma realidade jà tantas vezes provada, mas também tantas vezes ignorada. Um filme onde sao as crianças que têm o discurso mais claro sobre o que é ser colonizado.
http://www.dailymotion.com/embed/video/xl3orc
I am Palestine – The Film par wadieprod

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