Uma vitória grega

A proposta de “perdão” de 50% da dívida grega feita pelos Governos do Euro, apesar de não ser a solução para os problemas da grécia ou da zona euro, não deixa de ser uma estrondosa vitória da luta do povo grego que deve ser valorizada.
A partir de agora esse é o exemplo, a fasquia mínima, para quem luta contra o pagamento de uma dívida não auditada, pouco transparente e com juros usurários: Haircut a 50%.

Os gregos demonstram que vale a pena lutar

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30 thoughts on “Uma vitória grega

  1. bem procurei em vão uma bicicleta no meio da multidão. Primeiro a attac a liderar a ilegalidade de massas que ocupou a assembleia e agora este post do saboteur. siga p bingo.

  2. e não há nada aqui sobre comunas e anarcas à pancada??? ou o comentário do PP já é um preludio? (isto se considerarmos o Sab comuna e o PP anarca, o que é difícil)

  3. Se o Comuna não se tivesse metido à frente, a defender sabe-se lá o quê, não tinha morrido. Sabia ao que ia.

  4. A mim parece-me que não há perdões bancários assim tão facilmente.
    Desconfio que:
    1 — alguém estaria prestes a descobrir uma fatia muito maior que 50% de dívida ilegal ou ilegítima (seja a auditoria cidadã da dívida grega ou a wikileaks ou outro meio alternativo);
    2 — é claro que este “perdão” é uma minimização de perdas. A parte não pagável da dívida grega seria muito maior, quiçá com descobertas que levariam a prisões e outros incómodos afins — na Grécia e nos parceiros que negociaram com a Grécia (Alemanha em primeiro lugar).
    3 — devem ter a esperança que este “perdão” faça parar as investigações sobre a dívida e os negócios associados.
    Sobre a violência e a morte de uma pessoa, só sei que nada é claro: já vi várias versões e todas me parecem plausíveis. Ao fim de anos de austeridade seria possível que as discussões que nós temos aqui entre grupos (e que já não são assim taõ calmas) tivessem escalado. Também é possível que tudo aquilo seja fruto de infiltrados nazis ou polícias (ou polícias que são nazis nas horas vagas), o que não não seria surpresa nenhuma e sabemos que é repetidamente feito por todo o mundo.

  5. Helena, acho que foi mais simples que isso. Havia pessoal a querer incendiar o parlamento. Os comunas meteram-se à frente, e um levou com um calhau.

  6. Saboteur, o perdão da dívida grega não tem NADA a ver com a atitude do povo grego. Esse perdão de dívida é simplesmente uma estratégia capitalista para salvar o euro, visto as estratégias anteriores não terem apresentado grandes resultados. A Comissão Europeia tá-se completamente a cagar para as revoltas gregas. No dia em que fossem um incómodo, o investimento de anos na OCSE cumpriria a sua função.

  7. Fonte: pt.contrainfo.espiv.net/2011/10/22/aqueles-que-guardam-o-parlamento/
    Na manhã de sexta-feira, 21 de outubro, um grupo de cerca de 25 compas realizaram uma intervenção anti-estalinista no campus universitário de Zografou, em Atenas. Todas as sedes estudantis do KKE/MAS (sindicato estudantil estalinista) foram destruídas e frases contra os polícias vermelhos foram escritas. Durante a intervenção o seguinte texto de contra-informação foi distribuído:
    Áqueles que guardam o parlamento…
    Vamos esclarecer a nossa posição desde o início.
    Se vemos um caminho “para sair da crise” com os termos dos oprimidos e não os termos dos patrões,este caminho começa pela auto-organização da sociedade – as assembleias nos bairros, as fábricas ocupadas, as greves de massa – caminho que acaba por esmagar cada coisa que reproduza o mundo da exploração e da miséria: desde os ministérios e os parlamentares ate às suas muletas morais e de ação, os seus meios de comunicação, os seus polícias e, às vezes, os paraestatais de cada cor (da extrema direita e guardas vermelhos).
    Estes últimos, como outras reservas douradas do regime (ou para dizer melhor, reservas vermelhas) foram mobilizados durante a greve de 48 horas (19-20 outubro), para “cercar”/guardar o parlamento dos “maus” manifestantes.
    Mas de quem afinal?
    De todos aqueles que optaram por não participar nas linhas de (K)KE, que optaram por não entender o parlamento como algo que merece respeito, proteção ou participação, mas sim como uma instituição e um alvo material a ser questionado activamente.
    A sua espionagem ultrapassou todos os limites na quinta-feira, 20 de outubro, quando com capacetes e bastões tentaram repelir os manifestantes para longe do parlamento. Nao entraremos numa lógica de vitimalizacãoo ou de heroísmo; as pessoas defendiaram a sua presença física na rua por qualquer meio, tendo perdas durante a batalha mas tambem ferindo várias unidades de KNAT (1), como iam fazer no caso das unidades de MAT.
    A cooperacao dos dois mecanismos repressivos, do oficial e do “vermelho” deu a “soluçao”: As unidades de MAT salvaram as unidades de KNAT dos manifestantes, acabando assim por criar um esquema oxímoro: o partido “comunista” guardava o parlamento junto com os policias, tentando controlar por completo a manifestação.
    E como se isto nao fosse suficiente, os caçadores de votos deste partido (2) acabaram por usar o assassinato dum trabalhador para os seus míopes interesses micro-politicos.
    Abraçados com os medias corporativos, divulgam as suas calúnias, acusando as pessoas que lutaram durante os confrontos como responsaveis do assassinato estatal, oferecendo assim um álibi moral para o regime.
    Não temos mais palavras para os “cidadãos exemplares” do PAME e da KNE. Temos só a declarar que cada mão que se estende será cortada porque simplesmente… o caminho pela autogestão individual e social passará por cima de cada colaborador pago ou subserviente da própria vontade do regime.
    Revoltadxs
    (1) KNAT, jogo de palavras que faz alusão às unidades da policia antidisturbios MAT. Este acrônimo é amplamente usado na Grécia para descrever os polícias vermelhos da juventude do partido estalinista KKE.
    (2) Intraduzível jogo de palavras: Os autores do texto trocam a palavra “κόμμα”, que significa “partido politico”, com a palavra homófona heterográfica “κώμα”, que significa “estado de coma”, para descrever o estado adormecido e de cegueira em que se encontram os membros deste partido.

  8. conterrâneos ou não, tu e qualquer filho da puta conivente com uma hidden agenda nazi sofrerão consequências semelhantes.

  9. Os partidos comunistas são, neste momento, forças reacionárias. Mas não têm de ser! Há espaço no ideário comunista para contribuírem na revolução do paradigma social/financeiro actual. Os comunistas de base têm é de acordar para a vida.

  10. ser comunista é uma coisa. ser da guarda vermelha de estaline, ou no contexto tuga da brigada brejnev é outra beeeeem diferente

  11. ser comunista é uma coisa. ser da guarda vermelha de estaline, ou no contexto tuga da brigada brejnev é outra beeeeem diferente

  12. Que eu saiba na história nunca houve alianças entre Anarquistas e Nazis.
    Já com o Partido dito comunista, não se pode dizer o mesmo. Em 1939 eram aliados dos nazis.

  13. E contudo, basta ir à Wikipedia:
    “[Cipriano Mera] Apoyó el golpe de Estado del coronel Segismundo Casado el 5 de marzo de 1939 y la formación del Consejo Nacional de Defensa. Aunque el gobierno de Negrín abandona España al día siguiente, la situación del recién formado Consejo es crítica en Madrid durante los días 7, 8 y 9, ante la reacción de parte de los tres Cuerpos del Ejército (integrados por oficiales, soldados y milicianos comunistas) que defienden la capital. Pero entonces Mera lanzó su IV Cuerpo de Ejército desde Guadalajara y logró salvar al Consejo después de una serie de encarnizados combates por las carreteras de acceso y las mismas calles de Madrid. Hay quien piensa que, aplastando toda forma de resistencia militar, la actitud del Consejo Nacional de Defensa favoreció al bando franquista, que pudo así entrar más facilmente en Madrid, encarcelando y fusilando a muchos republicanos”.
    es.wikipedia.org/wiki/Cipriano_Mera

  14. Vivendo e aprendendo.
    Retiro as minhas palavras – “Que eu saiba na história nunca houve alianças entre Anarquistas e Nazis.” pois afinal já percebi que também as houve.
    Obrigado Brejnev Lover. Assim, vale apena conversar.

  15. Dispõe sempre meu anarco-camarada, dispõe sempre. Mas não te preocupes, uma vez que o teu argumento era fundamentalmente justo. A contabilidade repressiva continua a favorecer os estalinistas. Simplesmente, as esquinas da história são mais tortuosas do que se poderia supor.

  16. Na noite desta sexta-feira, 21 de outubro, um grupo de anarquistas atacou a sede do partido stalinista KKE (partido comunista grego), na cidade de Larissa (Grécia central).
    A ação direta foi realizada enquanto acontecia no interior da sede uma assembléia do/as stalinistas. O/as ativistas arrebentaram as janelas da sede partidária e jogaram alguns fogos de artifício no local. Em seu comunicado, ele/as explicaram que o ataque foi uma resposta aos membros da KNE (a juventude do KKE), que decidiram substituir a polícia durante o segundo dia de greve geral na Grécia.
    Fotos da Guarda Vermelha a defender o parlamento grego e a atacar anarquistas aqui: pt.indymedia.org/conteudo/newswire/5871

  17. Tenho medo que os comentários do Spectrum espelhem a esquerda que temos…
    Mas voltando ao post: Então os governos decidem anular 50% da dívida de um país. Essa dívida é possuída pela banca privada dos países desses governos e os camaradas acham que isto não interessa nada? Como não? Está demonstrado que nada é inevitável, nem sequer o pagamento das dívidas aos bancos!

  18. Vermelhaço, explica lá ? O KKE, que se colocou à frente do parlamento para o defender de pau e capacete, acusa o governo de que ? de ter pedido ajuda ao KKE para defender a catedral da democracia ?
    loooooool

  19. saboteur, frequento esta tasca, mas nem sou camarada, nem sou canhoto, sou ambidextro.
    esse perdão da divida é interessante como dizes, de facto. não mostra que “nada é inevitavel”, mas mostra que o capitalismo, neste caso o europeu, tem muitas cartas na manga para se poder safar. se for preciso para safar o euro, perdoam a divida grega, e se for preciso nacionalizar a banca toda, também o farão. Ou seja, tem muito pouco a ver com a luta do povo grego, mas mais a ver com jogadas probabilisticas no casino das bolsas.

  20. sei ler sim. tanto verdades como calunias. li o que o partido dito comunista da catalunha escreveu sobre o Andres Nin – que era um agente da gestapo e tinha fugido para berlin. Também li o relatório da KGB disponivel em 93, onde estava escrito que afinal o próprio morreu nas mãos da KGB numa cadeia perto de madrid com o crânio esmagado até a à morte.
    mas já agora, o senhor pode me explicar, então que fazia a juventude do KKE no cordão à volta do parlamento ?

  21. Há aqui conversas cruzadas.
    Sobre uma eu acho que não é preciso ler as supostas calúnias do KKE para ficar com uma opinião negativa dos “compas”. Basta ler os seus próprios comunicados a exultar de satisfação com as acções contra sedes do KKE. (“Temos só a declarar que cada mão que se estende será cortada”. ? que conversa…)
    Em relação à dívida grega, percebo a perspectiva do anónimo das 6:33 e sem dúvida que concordo que um evidência será também a que o capitalismo tem muitas cartas na manga. No entanto, não me parece que haja alguma razão para achar que a luta do povo, greves, manifestações, etc sejam uma variável desprezível nesta equação.
    A finança preferia, no melhor dos seus mundos, que a dívida não fosse cortada e que os trabalhadores gregos se sujeitassem a trabalhar mais horas por dia (meia-hora, vá) em troca de um salário inferior ao salário mínimo grego (500 euros, por exemplo). Isso não é possível hoje em dia na grécia e os governantes tiveram mesmo de mandar cortar a dívida.
    É uma solução menos má para eles do que o colapso total do sistema ou do que a descoberta, como diria a Helena Romão, de que a dívida ilegítima é ainda maior que 50%… Talvez… Mas não acho que seja contraditório continuar a lutar pela auditoria popular à dívida ou pela destruição do sistema capitalista, e saudar vitórias intermédias no processo.
    Por outro lado, acho que mostra claramente, como disse, que não há inevitabilidade no pagamento da dívida. É uma la-palissada: a dívida foi ou não reduzida? Eu creio que é importante utilizar isso no combate político hoje em portugal: não temos de pagar. Vamos decidir o que fazer sem o fantasma do “não há alternativa”

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