obladi oblada


Hoje ouvi de um grupo de funcionários públicos que trabalha comigo a justificação que os propagandistas de serviço lhes deram para não aderirem à greve: que não há alternativa a isto e o melhor é não fazer ondas. Acreditam piamente que o diabo é a Grécia. Ganham todos acima da tabela. Têm todos situações laborais ultra-seguras. O conceito de luta corporativa diz-lhes muito, sobretudo para atirar pedras a outros. O conceito de luta de classes não lhes diz nada. Não sabem para que serve o conflito social, não sabem o que é relação de forças. Acreditam que “temos” uma culpa colectiva no que está a acontecer. Votam, votaram, uns aqui e outros ali, mas 4 meses depois dão tanta importância ao voto como o governo. Valorizam a democracia representativa nos seus procedimentos, e acredito que até arriscassem a vida por ela. Não têm nenhuma intervenção política ou associativa. São incapazes de um gesto de revolta que não seja dar uma no cravo e outra na ferradura à mesa do restaurante. Nenhum fará greve, assim como 98% dos trabalhadores do instituto.
Dão tudo de mão beijada a quem me/nos/vos leva os direitos e o dinheiro e nem sequer percebem a responsabilidade em que incorrem. Benditos os pobres de espírito, porque deles é o nosso reino.

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3 thoughts on “obladi oblada

  1. Olha, é uma óptima para a converseta estúpida dos funcionários públicos que estão sempre desertos por fazer greve.
    Entretanto a primeira fotografia de greve que vi foi da Auto-Europa, esses funcionários públicos! ;)

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