Os impostos indirectos na cultura


As teorias da deste governo em torno dos escalões do IVA para a cultura são uma boa ilustração da sensibilidade que Passos Coelho e Vítor Gaspar têm para com um sector que até poderia ter um papel determinante no desenvolvimento da economia e do país.
Primeiro decidiram aumentar o IVA para 23% em todos os produtos culturais. Todos, menos para os livros.
Os livros, para Passos Coelho, são um produto nobre no que diz respeito à cultura.
Parece que o estou a ouvir: O teatro é aquela coisa chata e sem público. O cinema, ia ele ver com a esposa antes de ser 1º Ministro, quando era Administrador sem tarefas nas empresas de Ângelo Correia e tinha tempo para tudo… Já os livros dão prestigio quando se é fotografado com um, ou quando se diz numa entrevista que já se leu determinada obra (desde que ela realmente exista).
Aliás, dizem que o próprio Ministro da Economia foi convidado para o Governo por Passos Coelho porque tinha escrito um livro (uuhhh… um livro!) sobre a economia portuguesa, que ele gostou muito de ler naquele Verão.

Agora, face à pressão generalizada, decidiram recuar um pouco e colocaram o IVA dos espectáculos à taxa intermédia.
De todos os espectáculos? Não… Ficam excluídos os <em>«espectáculos de carácter obsceno».
Mas quem decidirá que espectáculos são obscenos? O Ministro? Um assessor? Um funcionário da Administração? E com que critério? Para mim, obsceno é o livro do Ministro da Economia…

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