Como meter 6 milhões de pessoas numa cidade (virtual)

O Vince passou anos a estudar equações e gráficos para construir uma cidade totalitária chamada Magnasanti, atingindo uma população de seis milhões e defendendo a ideia de ter vencido um jogo que é — alegadamente — impossível de terminar.

«Tecnicamente, ninguém entra ou sai da cidade. O crescimento populacional estagnou. As pessoas no jogo, os Sims, não precisam de andar muito porque o trabalho é perto de casa. Na verdade, nem precisam de sair do bairro. Onde quer que vão é como ir ao mesmo sítio. […]
Existem mais problemas na cidade escondidos entre a ilusão de ordem e grandiosidade — poluição sufocante, alta taxa de desemprego, falta de bombeiros, escolas, ou hospitais. É o preço que os Sims pagam para viver na cidade com maior população. É um objectivo doentio de se querer atingir. A ironia disto tudo é que os Sims de Magnasanti toleram essa vida. Não se revoltaram, nem criaram caos social. Ninguém pensa em combater o sistema fisicamente porque um estado policial hiper-eficiente mantém toda a gente na ordem. Foram todos estupidificados com sucesso, escravizados e controlados mentalmente quanto baste para que o sistema seja mantido por milhares de anos — 50 mil, para ser exacto. Estão presos no espaço e no tempo. […]
De acordo com os dados de Magnasanti, nenhum cidadão vive para além dos 50 anos.
A saúde dos Sims não era uma prioridade. Poderia ter criado regras de saúde que aumentassem a esperança média de vida, mas decidi não o fazer por razões práticas. Isto só mostra que, concentrando-me apenas num objectivo, acabo por negligenciar ou sacrificar outros elementos. Da mesma forma que no mundo real decidimos que maximizar o lucro é o objectivo absoluto e acabamos por não ter em consideração as consequências sociais e ambientais.[…]»
Mais em Vice Magazine: O EX-BUDISTA QUE CHEGOU AO FIM DO SIM CITY 3000

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10 thoughts on “Como meter 6 milhões de pessoas numa cidade (virtual)

  1. O que a mim me parece é que o jogo está mal programado.
    Será possivel toda a gente querer viver numa cidade com “poluição sufocante, alta taxa de desemprego, falta de bombeiros, escolas, ou hospitais” só porque há polícia por toda a parte?

  2. Muito bom, acabei de ler e ia por aqui no spectrum também.
    Sab: o estado polícial hiper-eficiente não significa que haja polícia por toda a parte, significa apenas que o controle da policia, ilusoriamente ou não, se estende por toda a parte.
    O jogo aparentemente prevê descontentamento social, e tal equação no jogo estará obviamente ligada ao que os programadores eles próprios consideram cientificamente válido enquanto provocador de revolta – que esses detalhes para eles não o sejam ou que sejam contrabalançados por outros é um facto que por si próprio já é bastante interessante.
    De resto repara que nesta cidade “perfeita” a questão que está melhor resolvida é precisamente a da mobilidade – todos trabalham e vivem apenas nas imediações da sua casa e o sistema de transportes públicos é dos detalhes mais desenvolvidos

  3. Aqui no jogo há polícia por toda a parte. Não há essas nuances que falas, PP: Quando se constrói uma esquadra, há um determinado perímetro que fica com determinada protecção policial.
    O jogo como modelo tem as suas falhas mas também tem as suas coisas muito interessantes.
    Por exemplo: Quando há muito tráfego em determinado sítio, o facto de construíres mais estradas provoca uma acalmia momentanea, mas logo volta a ficar saturado, provocando descontentamento e saídas da cidade.
    A solução é mesmo construir transportes públicos e misturar os usos (Residencial, Comercial e Industrial) de forma a evitar a necessidade de grandes deslocações numa cidade policentrada.

  4. é portanto uma cidade composta por milhares de espaços autónomos contíguos , em que as pessoas se mantém dentro do seu grupo de afinidade e superaram o trabalho (alto desemprego não é?) , pelos vistos não havendo mobilidade e cada esquadra cobrindo um espaço curto também há auto-policiamento, e não há alienação através de um ensino centralizado e castrador.
    e a cena do crescimento zero também é veri leftish :-)

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