FMI > Revolta Popular >Exército > Violência > Imagens

– « Tu jà nao te deves lembrar mas em 83 o aumento do preço do pao originou uma carnificina entre aqueles que sairam à rua para protestar ». -« Tinha eu acabado de nascer… nao so nao me lembrava como desconhecia o facto » respondi eu a um senhor que testemunhou a brutalidade de Bourgiba.
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Enquanto o « FMI aprova tranche de 2,9 mil milhoes de euros para Portugal », lembro que em 1977 iniciou-se aquilo a que alguns nomearam as revoltas contra o FMI no mundo Arabe. Outros chamaram a Intifadet al-aïche (revolta pelo pao). No Egipto, Al-Sadate, sob as ordens do Banco Mundial e do FMI, suprime os subsídios nacionais a produtos alimentares bàsicos (entre outros a farinha). O resultado foi uma revolta popular com uma centena de mortos e um milhar de feridos. O exército foi chamado para cortar a revolta pela raiz numa contestaçao multifacetada que ia desde a universidade aos campos agricolas.
Em 1981, Marrocos assiste a uma greve geral (sobretudo em Casablanca) em razao de um aumento de 30% nos produtos bàsicos. Medida realizada por Hassan II sob pressao do FMI e que acaba num banho de sangue (dados oficiais atestam cerca de 100 mortos, sindicatos 800 mortos). Incendios de edificios publicos, destruiçao de carros de luxo e confronto entre manifestantes e força de ordem fizeram recuar o governo nas politicas de austeridade.
Em 1983, o FMI exige um plano de austeridade a Bourghiba. A historia repete-se na Tunisia… o pao aumenta nem mais nem menos, de um dia para o outro, 100%. A revolta começou no Sul. Embora tenha havido solidariedade dos estudantes e dos habitantes de Tunes, o Sul nao conseguiu penetrar na capital de tao brutal tinha sido a violência (mais de 150 mortos no primeiro dia). No dia seguinte, Bourgiba vê-se obrigado a anular as medidas de austeridade.
Estas revoltas acabaram por nao se tornar revoluçoes (com uma mudança de sistema). O exército nestes três casos entrou em cena e matou/mutilou a balas reais sem medo e sem pejo segundo alguns (independentemente dos numeros de mortos que diferem segundo as fontes). As imagens sao raras e os relatos vao-se apagando à medida que o horror biografico daqueles que o testemunharam é arrastado pelo silêncio apaziguador e avassalador do caminho da vida.
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As imagens de terror chegadas do Cairo remetem-nos para um truísmo de relaçoes de poder que se estabelece facilmente entre manifestantes e força de ordem. A magia da imagem é isso… é a possibilidade de nos revoltarmos contra o poder brutal e acefalo das armas em frente de um computador, n’importe où dans le monde. Mas é também a corroboraçao de todo e qualquer argumento que tenhamos sobre o sentido que damos à violência e o estado de transtorno em que ela nos mete. A imagem desse pontapé no peito de uma mulher desnudada é um pontapé para a memoria imagética de uma revoluçao contra o poder das armas. Nao por ser uma mulher, mas pelo uso e abuso do poder da força sobre alguém que age através da razao. A efemeridade ou eternidade dessa imagem dependerà, no entanto, da inteligibilidade da acçao apos a sua visualizaçao e também das questoes que colocamos acerca do agressor (1), da maneira como este ultimo agride (2), e a natureza da acçao do agredido (3). A imagem serà efémera se nao pegarmos em armas, « quem sabe faz a hora, nao deixa acontecer », « Pra não dizer que não falei das flores ». A resiliência passa por ai.
1) « Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão »
2) « Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razão »
3) « Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão »

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One thought on “FMI > Revolta Popular >Exército > Violência > Imagens

  1. Util fazer conhecer estes factos passados. Os danos (fome, mortos, miséria) causados pelo FMI não são de hoje e tudo para abrir novos espaços de rentabilidade para o capital, tanto no sul “subdesenvolvido” que no norte.

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