Impasse Sírio num desabafo

Damasco, essas pessoas … esses piqueniques à beira da estrada nas quintas feiras anoitecidas e arrefecidas dos 48° graus de um dia de verão. Por aqueles que lá deixei, talvez pela proximidade e afinidade platónica, teimo em preocupar-me com o destino de todo um povo, de uma região inteira. Anseio Lisboa como penso em Damasco. Traço por isso cenários, num sincretismo tão real como surreal, forjando uma visão onde um povo é reduzido a uma análise binária da política. Veem-se dois eixos no fim do túnel: por um lado Riade – Damasco – Cairo ; e por outro, Teerão – Damasco – Beirute (Hezbolah). Seria de um conformismo primário, aproximando-me do contrarrevolucionário, dizer que gostaria que tudo ficasse na mesma. Contudo é impossível não nos enrodilharmos nos pros e contras de saída de crise Síria. Falei (num dos posts em baixo) nos erros que foram cometidos no Iraque no pós ingerência americana… desagradável é então pensar que podemos ter um panorama com mecanismos de desorganização social idênticos na Síria. Desde a criação do Estado de Israel em 48 que o Sionismo visa a desintegração do Médio Oriente em províncias étnica ou religiosamente homogéneas. Hoje o sionismo tem mais parceiros, não fosse a máxima das potências imperialistas « dividir para melhor reinar ». No Iraque conhecem-se também as consequências dessa desintegração, uma dissolução do exército nacional que resultou na edificação de milícias armadas dispersas. Durante estes últimos dias, da Síria chegam-nos informações descosidas, contraditórias, sobretudo quando temos em conta toda a panóplia de informações veiculadas não só pelos médias oficiais mas também pelos médias alternativos. Testemunhos de tortura relatados nos canais mainstream (entre os quais Al-jazeera) e testemunhos opostos que passam pelas vias informais. O Massacre de Homs não foi um massacre de Estado, foi perpetrado por grupos armados (corre o rumor) pagos pelo Qatar para influenciar o voto do Conselho de Segurança na ONU. Respirámos fundo quando a Rússia e a China opuseram o seu veto. Serviu para obstar pelo menos a curto termo a defesa “institucional legitima” de uma das partes daquilo que mais parece hoje uma guerra civil (reitero sobre isto as minhas duvidas). Ghannouchi, o primeiro ministro tunisino do Enahada (corrente da irmandade muçulmana) torna-se igualmente o bom estudante dos países do Golfo, nomeadamente quando decidiu expulsar o embaixador sírio do país. Penso esquizofrenicamente que a Síria está em maus lençóis, seja qual for a saída. Quanto ao povo sírio parece que já não é uma questão de oposição política, mas sim de resistência para existir independente.

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2 thoughts on “Impasse Sírio num desabafo

  1. Posso saber quais são os media oficiais e os media alternativos?
    Medias oficiais, aliás, agências de propaganda: Russia Today, PressTV, e seus satélites de desinformação, a fachoesfera conspiranóica de tons vermelho-castanhos.
    Existem os grandes media não sujeitos a nenhum governo mas onde se revelam simpatias, os que suponho que chamas de oficiais e que estão longe de o ser.

  2. Brigada Viviii, eu so tinha visto o Gaga em fotos e innertet, achei a cor parecidissima pela tela. Bom saber, to louca atras do Gaga. Amooooo!!!!!Beijoquinhas!-Rapha;)

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