Não se sabe o que é, sabe-se como se apresenta

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“O Poltergeist, não se sabe precisamente o que é – sabe-se como se apresenta: Numa casa isolada quase sempre no campo, os objectos de repente movem-se sozinhos, as gavetas abrem-se, os utensílios são levantados, os móveis, os pesados como os outros, as volumosas arcas mudam de sítio, os tachos, os potes, os caldeiros cheios, sem que uma gota lhes transborde, deslocam-se no ar a muitos metros de distância ou então uma chávena pousada no seu lugar quebra-se em mil pedaços, enquanto uma garrafa trambolha pela escada sem se rachar sequer. Caem pedras lançadas não se sabe de onde, pedaços de telha com trajectória absurda, do princípio ao fim imprevisíveis. As pedras visam um ou outro dos ocupantes mas bem assim um curioso, um vizinho que veio ver, que elas parecem dever atacar, mas que, retardando no momento preciso de o atingir, se limitam a empurrá-lo.
Objectos familiares, sapatos ou casacos desaparecem, reencontram-se lá fora. Acontece isto quer ao crepúsculo quer em pleno dia.”

Henri Michaux, Uma via para a insubordinação

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