Não se pode “tolerar” o que não se controla

No Porto cerca de duas mil pessoas reocuparam a escola da fontinha

Em Lisboa cerca de 40 pessoas ocuparam em solidariedade com o ES.COL.A. um prédio no nº da Rua São Lázaro perto do hospital de São José onde está neste momento a ser servida uma refeição.
O seu manifesto:
“A Fontinha é nossa vizinha
Antes emparedado que ocupado parece ser o último argumento de um poder que conseguiu sem grande esforço esvaziar as cidades dos seus próprios habitantes, empurrados para os subúrbios ou mesmo para a rua. São centenas de milhares de fogos vazios, deixados ao abandono. Abandono que também vemos nos olhos de quem fez da rua a sua casa. Cada vez mais olhares de abandono, cada vez mais abandono nos olhares. Decretamos, neste dia que se quer de liberdade, tolerância zero a este processo de requalificação urbana, que à custa da miséria de muitos ergue mansões e hotéis para alguns.
Bons ventos sopraram do Norte e recebemos com alegria as notícias que nos chegavam do Bairro da Fontinha, no Porto, onde o colectivo Es.Col.A. recuperou, dinamizou e manteve durante um ano, sem nada pedir à Câmara que durante cinco anos os esqueceu, um projecto de reaproveitamento de um espaço público. Num curto texto seria difícil enumerar a quantidade de actividades diárias que durante um ano fizeram com que a população da Fontinha entendesse o quão importante era dar o seu apoio e será com certeza impossível descrever o empenho de quem, sem nada receber em troca e pelo puro prazer de transformar a cidade num sítio mais aprazível para todos, ofereceu jantares grátis diariamente e deu apoio educativo numa altura em que as escolas se fecham a cadeado. E não podemos senão imaginar a tristeza com que foram recebidas aquelas imagens de livros escolares, computadores e bicicletas a serem atirados pelas janelas para um pátio esvaziado das suas pessoas. “Propriedade privada” não quer dizer nada quando o proprietário está falido, financeiramente e de legitimidade.
Foi bonita a festa. Ficámos contentes. Alguns de nós marcharam as léguas que nos separam para colher pessoalmente uma flor do vosso jardim. Recebemos agora, com tristeza, a notícia do rio que vos quer arrastar. E pensamos, aqui longe, tanto mar, tanto mar. Alguns de nós não puderam hoje navegar. E pensámos em enviar um cheirinho de alecrim.
“Temos uma ideia na cabeça. Despejem-na, se conseguirem”- Jantar em solidariedade com a Es.Col.A. na casa ocupada de São Lázaro nº94 – 21h00”
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