30 anos depois – não esquecemos, não perdoamos


Segundo os dados coligidos no Livro Branco sobre a madrugada sangrenta 1º de Maio 82 – Porto, e nomeadamente os elementos recolhidos nas conclusões do relatório da PGR nele publicadas, a actuação policial careceu de qualquer provocação séria e deixou no terreno, depois de mais de duas horas de batalha campal que se estendeu a varias áreas do Porto, pelo menos seis dezenas de feridos atendidos em hospitais, nove dos quais com ferimentos de bala e duas vítimas mortais: Pedro Manuel Sarmento Vieira, operário têxtil de 24 anos e o menor Mário Emílio Pereira Gonçalves, de 17 anos. […]
Cerca das 23h30 aparecem as forças do Corpo de Intervenção da PSP destacadas de Lisboa, carregando brutalmente sobre tudo o que encontram à frente. A porrada dá rapidamente lugar ao uso de armas de fogo, num pandemónio de violência que espanta e indigna os presentes. Durante mais de duas horas são espancados cidadãos e registam-se dezenas de disparos por parte da polícia.
Das vítimas mortais, Pedro Vieira é atingido pelas costas quando corria em direção à Av. Afonso Henriques, presumivelmente por uma bala em ricochete vinda de distância considerável. […]
Mario Emílio, a outra vítima mortal, é apanhado numa carga e devido ao seu estado convalescente terá optado por ficar à espera ao pé da polícia por não poder fugir a correr. Um polícia dispara-lhe à cabeça duas vezes quando passa por ele. Segundo a PGR o Mário é virtualmente executado por um elemento policial (Relatório da CI da PGR, 102), qualificando a sua morte de crime de homicídio voluntário tipificado na lei (107). Foram abertas varias investigações sobre os acontecimentos. Não conhecemos, porém, qualquer desenvolvimento penal relativo aos mesmos. […]
No dia 4 de Maio a CGTP convoca uma greve geral para uma semana depois. No dia 5, dezenas de milhar participam nos funerais dos falecidos numa das maiores manifestações de sempre na cidade do Porto, que o então secretário-geral da UGT Torres Couto qualificou como “uma passeata com caixões”. A greve geral de luto de 11 de Maio de 1982 voltou a ser um momento alto de combatividade.

Miguel Pérez, 1º Maio 1982: “Entraram na cidade como cowboys no far-west”

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