que fazer?

após o desalojo violento, vergonhoso e sem aviso prévio, que a p(ut)aladina do urbanismo sustentável, helena roseta, justifica alegando que para ter casa temos de nos pôr na fila, seguiram-se duas acções :
1- invasão do gabinete da vereadora pelos ocupantes para mostrar a sua indignação e saber por que raio tal terá sucedido. resposta? barricou-se no gabinete toda borrada, mandou chamar a policia que identificou toda a gente;
2- decorreu, pelas 19h, uma manifestação em solidariedade com os ocupantes e de denuncia da violência e das detenções arbitrárias. chegados aos anjos, os manifestantes ocuparam a estrada (os violentos!) para prosseguirem a sua marcha. de imediato, e com a cobertura de quase uma dezena de carrinhas do corpo de intervenção, cercaram cerca de metade da manifestação e identificaram toda a gente, como, aliás, já tinha acontecido a 19 de Maio na Rua com Todos.
Quando vamos à câmara e somos identificados, quando vamos a uma manifestação e somos identificados, quando estamos a dizer à polícia que está a abusar e somos presos, continuará a fazer sentido este trabalho político às claras?
E agora, que fazer?

14 thoughts on “que fazer?

  1. Agora há que continuar a dar trabalho a estes fdp às claras (claro!), e às escondidas também já dava um jeitão.

  2. o pessoal ter sido identificado em massa foi uma estupidez… se houvesse freaks que quisessem ficar a cantar o kumbaya sentados em frente à bófia isso era lá com eles, num primeiro momento teria sido muito fácil a maioria do pessoal ter bazado pelos jardins e rua laterais da igreja, houve quem o fizesse, eu fui um deles
    Ficar nas escadas foi uma decisão puramente simbolica, e lá está, mais uma vez a necessidade de aparecer e os simbolismos fodem tudo… Tenho pena é de ter visto companheiros a ficarem lá retidos só porque se deixaram influenciar pelo pessoal dos pacifismos bacocos.
    Não estamos numa altura de dar claramente a cara quanto mais dar o nome… Sabemos lá onde vamos estar daqui a um par de meses e aquilo que teremos de fazer…

  3. Pertinente. O comité invisível assina a Insurreição que Vem. Invisível.

  4. à insurreição que se vem: já está na altura de se começar a mexer melhor, porque ja ha algumas luzes que apontam para a insurreição que chegou! Anarquia é Ordem.
    bem haja compàs

  5. O que fazer? Penso que várias coisas. Agir em conjunto é uma delas (ou em vários pequenos conjuntos). Concordo com o anónimo que disse que o pessoal poderia ter bazado se quisesse. Uma espécie de futebol humano (ainda se lembram de jogar isso quando eram putos?) bastaria. Depois, a retórica da vereadora, entre outros sítios no despacho que o seu gabinete emitiu a 23 de Maio, que está cheio de inconsistências, incoerências e tiros nos pés, deve ser desmascarada em público. Por exemplo, como podem afirmar no despacho que os seus técnicos não podem fazer a vistoria à casa necessária ao mesmo tempo que apresentam fotos do interior da casa? Será que foram fotografias tiradas por um helicóptero telecomandado? E agora com a porta emparedada, como vão os técnicos entrar?
    Etc e tal, por aí fora. Resumindo, muito trabalhinho que temos entre mãos, se quisermos ter sucesso nos nossos sonhos.

  6. Se o pessoal tivesse fugido todo a bófia tinha feito uma caça ao homem pelos Anjos e imediações. O pessoal mais rápido desaparecia e o pessoal menos rápido ficava para trás a levar na boca. Como aconteceu no Chiado em 2007. Como aconteceu em Setúbal em 2011. Como não se pode continuar a deixar acontecer. Assim, todas as pessoas ali presentes tiveram a oportunidade de constatar, de forma prática e em pessoa (não numa fanzine, não num documentário, não numa notícia do Indymedia) o que é o Estado e o seu aparelho repressivo.
    Mas quando se fala de coisas como a «necessidade de aparecer» e o «pacifismo bacoco» ficamos logo a perceber que não é um debate estratégico que está aqui em causa, mas a oportunidade para reafirmar pela milésima vez uma retórica desprovida de substância ou consequências.

  7. Nem transeuntes nem a maior parte dos polícias deveria saber o que se estava ali a passar, o porquê da manifestação, etc.
    Tinha sido fundamental alguma coisa que explicasse isso. Uma Intervenção, uma Assembleia, palavras de ordem em ultima análise.
    Em vez disso, optou-se por uma corrente de massagens. Foi um bocado constrangedor.
    Fugir da polícia como tantos fizeram quando ela apareceu ainda foi/teria sido pior. Aos olhos do comum dos lisboetas é assumir que se estava a fazer alguma coisa de mal. A manif devia continuar unida, a dirigir-se para o sítio para onde deveria dirigir-se (já agora era qual? Areeiro?). Caso houvesse carga policial sobre a manif, aí até percebo que seja o “salve-se quem puder”, mas a saída ao mero aparecimento da polícia foi uma tristeza pegada.
    Tão cedo não me apanham noutra coisa deste género.

  8. Acho que não faltaram palavras de ordem. Uma assembleia sob cerco policial seria um pouco caricata. Eu gosto de assembleias em que posso dizer o que me apetece. A corrente de massagens contribuiu para que algum pessoal que nunca tinha estado naquela situação gerisse a sua ansiedade e demonstrasse que não tinha medo.
    Quanto ao resto – a fuga assim que apareceu a polícia, estou genericamente de acordo, mas é claro que cada um reage como entender face à repressão. Percebo perfeitamente que quem tenha processos em cima, estivesse sem documentos ou tivesse outra razão qualquer que agora não me ocorre, tenha preferido ficar fora do cerco policial.
    Acho que o pessoal é muito exigente. Que me lembre, nunca um desalojo de um espaço ocupado em Lisboa tinha sido seguido por uma manifestação no próprio dia. A fontinha criou o precedente. É já uma vitória tê-lo feito relativamente a S. Lázaro.
    A luta continua.

  9. ACHO QUE SE DEVE SAUDAR A CORAGEM CÍVICA DE QUEM FICOU NA ESCADARIA DA IGREJA DOS ANJOS A SUPORTAR A SEVÍCIA FASCISTA DA BÓFIA…
    Talvez ainda mais espectacular teria sido a malta não apresentar documentos de identificação e obrigar os pulhas azuis a levar a manif em peso nas putas das carrinhas. Uma vez na esqudra, alguém com uma centena de BIs iria lá para proceder à identificação.
    Dum ponto de vista puramente mediático (e sem outras considerações) seria um acontecimento interessante… “PSP leva para a esquadra uma manif inteira”…

  10. Uma das outras razões possíveis é “simplesmente” não querer apanhar porrada da bófia (cenário brutal, mas perfeitamente possível, como aliás outras manifs mostraram e como se pode ver, numa escala diferente, com os últimos acontecimentos na margem sul). Ignorar que, num primeiro momento, era isso que estava em causa e que parecia ser o desfecho final é não perceber a verdadeira arbitrariedade da repressão (uma das suas várias facetas ignóbeis). Acho uma vergonha que se volte ao argumento de que quem está no cerco faz parte da cena e quem não está ou é cobarde, ou não é “revolucionário à séria”. Até face à repressão de que fomos TODOS alvo, o sectarismo espreita para nos reprimir outra vez. Merda.

  11. “PSP leva para a esquadra uma manif inteira” Pá, muito bom :) eu comprava logo o correio manhoso

  12. normalmente eles levam 2 ou 3 que passam por violentos e tal. é + complicado levarem 200 ou 300

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