Nem bom vento, nem bom casamento, nem bom movimento, nem bom parlamento.

Na Catalunha um grupo de bombeiros sindicalizados decide proteger uma manifestação colocando-se entre ela e a polícia. Chegados à sede do governo, saltam e desmontam as baias que impedem a manifestação de se aproximar do edificio. Perante os bombeiros os Mossos d’esquadra piam muito mais fininho. Que sa foda style.

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Em Portugal o serviço de ordem da CGTP agride violentamente um manifestante por pensar era anarquista. Na verdade era um militante de um partido político que tinha abandonado à última hora uma manifestação na qual tinha participado na organização, influenciando decisões. Fizeram-no inesperadamente de véspera por a achar demasiado não-institucional.

Convém relembrar estas situações quando se agita a bandeira dos brandos costumes, como se não existissem uma série de condições que objectivamente impendem a contestação social de assumir expressões mais interessantes. O debate nem é tanto se o povo unido precisa ou não de partido, porque se precisar por cá está bem fodido.

9 thoughts on “Nem bom vento, nem bom casamento, nem bom movimento, nem bom parlamento.

  1. boa forma de colocar a questão!
    pena que o spectrum pela escassez de posts tenha deixado de ser uma referência de informação e discussão para quem interessa nestas matérias

  2. Porque é que não dizes qual é o partido político que se demarcou da manifestação?

  3. toda a gente sabe que é o BE. e também que essa gente não merece ser nomeada….

  4. Anselmo, O Bloco de Esquerda participou nessa manifestação , e quanto á escaramuça entre o serviço de ordem da CGTP e os Precários Inflexiveis , ela faz parte da forma do PCP estar nestas manifestações.

    Quanto ás comparações com o que se passa em Espanha , também se deve perguntar, porque é que depois das grandiosas Manifestações dos indignados do ano passado, a situação actual é a que é……

    E isso não é culpa do PCP, do BE ou da CGTP, se assim fosse, qualquer vanguarda organizada mesmo pequena, poderia trazer largas massas para a rua, mas tirando a manifestação e a greve dos médicos, nenhum outro sector tem respondido massivamente aos ataques da direita.

    E das duas Greves Gerais, sobretudo a de Março deste ano, todos sabemos qual foi a adesão que tiveram…..

  5. e onde queres chegar augusto com essa conversa?

    que não há nenhuma relação entre a posição pró-institucional, moderadora e até conciliadora dos partidos de esquerda (com especial responsabilidade para o PC, mas o BE faz exactamente o mesmo jogo hoje, senão pior) desde 74 até hoje e o marasmo de contestação, análise e radicalidade em que estamos mergulhados?

    deixa-me rir…

    até acredito, se quiseres, que não haja nenhuma estratégia política de defesa do capitalismo à cabeça desses partidos. Que o único problema seja que tanto as suas direcções políticas como os seus militantes estão cheios de anjiinhos papudos como tu. Mas não me lixes.

  6. Para mim o problema passa de facto em grande medida pelas direcções partidárias e nas “elites” dos movimentos em geral. É como no futrbol: a equipa está a perder, seria melhor repensar-se as estratégias e mudar a equipa técnica.

    Agora achar que o problema é a posição “pró-institucional” do PCP desde 74, é obviamente ridículo. Sobretudo quando o autor da teoria enquadra-a – como não poderia deixar de ser – numa moldura de arrogância e ataque ao camarada que não pensa como ele.

    Anselmo pensa que o problema é que os partidos estão cheios de “anjinhos papudos”, Anjinhos papudos por toda a parte (a começar nos 60 mil militantes do PCP), a fazer lembrar o poema do Brecht (Dissolva-se estes militantes e elejam-se outros).

    Eu acho que uma parte do problema passa exactamente por esta impossibilidade que a malta parece ter em acertar ideias, fazer lutas conjuntas, dialogar entre si, etc. Um sectarismo que levou precisamente a que na greve geral houvesse 3 manifestações diferentes em frente ao Parlamento, com direito a porrada entre o serviço de ordem da CGTP e um dirigente do BE/PI e tudo.

  7. a grande diferença entre um e outro país, terá a ver com o facto de que ao contrário de em Portugal, em Espanha há menos medo do ridículo. Posiçao que tem o seu quê de positivo: este “que se foda style”: ninguém perde tempo a discutir se o cartaz é horrivel ou nao; é horrivel, mas faz parte. Por outro lado, é daí que vêm penteados como o catalao (argh); grupos como os sopa de cabra (duplo argh) e outras coisas que tais. Perante o rídiculo, uns abstêm-se e ficam em casa a sonhar com amanhas que cantam e a dizer mal (ou bem, para o caso é indiferente, do vizinho do lado), e os outros cagam e andam para frente, ainda que correndo riscos estesticamente qustionáveis.

  8. Fossem eles questionáveis apenas esteticamente e seria tudo bem mais simples. O problema é serem tão questionáveis politicamente, de uma maneira que não se encontra nos cartazes feitos no Estado espanhol, em Itália, na Grécia ou noutro lado qualquer.

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