RDA//BOOKBLOC – A GREVE HUMANA

ADENDA: Haverá jantar também nesse dia, a partir das 21h.

Claire Fontaine é o nome de um colectivo francês de artistas, ligados à revista TIQQUN, que tem vindo a desenvolver o conceito de greve humana. Propomos uma discussão à volta das potencialidades desse conceito a partir dos vários textos disponíveis sobre o assunto. Apresentamos aqui um excerto do único do qual está disponível uma (má) tradução em português.

“Grève Humaine” é o termo francês para “greve humana”, que designa o mais genérico movimento de revolta contra qualquer condição opressiva. É uma greve mais radical e menos específica do que a greve geral ou a greve selvagem.A greve humana ataca as situações económicas, afectivas, sexuais e emocionais de que os indivíduos se encontram prisioneiros. Fornece respostas à pergunta: “como nos tornamos diferentes daquilo que somos?”. Não é um movimento social, embora encontre na revolta e na agitação um terreno fértil para se desenvolver e crescer, por vezes até contra elas.

Por exemplo, há quem diga que o movimento feminista na Itália dos anos 1970 aniquilou as organizações políticas de esquerda, mas ninguém fala do que as organizações políticas de esquerda faziam às mulheres que a elas pertenciam. A greve humana pode ser uma revolta dentro de uma revolta, uma recusa não articulada, trabalho em excesso ou a recusa total de qualquer trabalho, consoante o caso. Não existe para ela uma ortodoxia. Embora as greves sejam realizadas para melhorar aspectos específicos das condições dos trabalhadores, são sempre um meio para atingir um fim. Mas a greve humana é um meio puro, uma forma de criar um presente imediato onde não há mais do que aguardar, projectar, estar expectante, ter esperança.

A adopção de um comportamento que não corresponda ao que os outros nos dizem sobre nós próprios é o primeiro estádio da greve humana; a economia libidinal, a textura secreta de valores, estilos de vida e desejos escondidos pela economia política são o verdadeiro plano de consistência desta revolta.
“Precisamos de mudar”: todos estão de acordo neste ponto, mas em quem nos devemos tornar e o que devemos produzir são as primeiras perguntas que surgem assim que esta discussão tem lugar num contexto coletivo. O reflexo de recusar qualquer presente que não traga consigo a garantia de um futuro tranquilizador é justamente o mecanismo da escravatura em que nos encontramos e a que temos de pôr fim. Produzir o presente não é produzir o futuro.”Mais textos:

http://anarchy101.org/1072/what-is-a-human-strike

https://docs.google.com/document/d/1nWjXfHJISRahzNk4ps4X7PLvDMjOImqM__8zQfjZU6Q/edit?hl=en

http://tarnac9.wordpress.com/2009/04/08/human-strike-after-human-strike/

http://anarchy101.org/1072/what-is-a-human-strike

http://redchannelsinberlin.files.wordpress.com/2011/06/claire-fontaine-human-strike-within-the-field-of-the-libidinal-economy1.pdf

http://www.clairefontaine.ws/pdf/readymade_eng.pdf

http://www.clairefontaine.ws/text.html

2 thoughts on “RDA//BOOKBLOC – A GREVE HUMANA

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