Nunca se rendem

Não é propriamente uma novidade para ninguém, mas dá sempre gozo. Algumas dezenas de estivadores subiram a Rua das Flores – a caminho de S. Bento – e resolveram fazer uma visita ao Secretário de estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, nas instalações do Ministério da Economia, ao Chiado  Pelo caminho soltaram um ou outro petardo, assinalando a sua presença e dando à coisa um certo jeito de estrilho que marca toda a diferença e chama a atenção de toda a gente que passa. Lá chegados, encontraram apenas um polícia à porta, que ficou branco depois de ter ficado roxo e pouco antes de se tornar verde (pálido). Palavras de ordem, insultos ao Sérgio, cânticos («a estiva em Portugal somos nós», etc.) e os parabéns cantados a um camarada que fazia anos. Chegam os reforços policiais, na sua carrinha, e formam com pouca convicção à frente da porta. Os estivadores sobem a rua em direcção a S. Bento, mas ao passar pela carrinha, onde estavam apenas dois agentes, batem nos vidros e lançam um petardo. Empurrões, insultos e a maioria dos bófias muito encolhida à espera que passe a borrasca. Um deles, à paisana, pergunta timidamente ao dirigente sindical «para onde é que vão» porque precisa de reportar aos seus superiores. A resposta vem carregada de desprezo «vocês sabem perfeitamente para onde é que vamos».

Prossegue-se sob a chuva miudinha, já com escolta enquanto se desce a Calçada do Combro. Vira-se à direita em direcção à Escola Passos Manuel e corta-se por uma rua de sentido único, dificultando a vida à carrinha policial. Os estivadores chegam a S. Bento pelas escadinhas da Travessa da Arronchela, gritando «o povo unido, jamais será vencido». Lá em baixo são saudados com aplausos pelos poucos manifestantes presentes (CGTP, CNA, «Que se lixe a Troika», Indignados de Lisboa e avulsos) e viram imediatamente à direita, em direcção à Rua de S. Bento, provocando imediatamente a concentração de polícias à sua volta e a chegada de mais carrinhas. Isto promete.

E esta sensação de poder que representa percorrer as ruas sem pestanejar minimamente devido à presença policial e à possibilidade de uma carga, que tanto jeito daria noutras manifestações. E este sentimento de força que advém da determinação colectiva de lutar, que tanta falta tem feito nos dias de greve geral. E esta impressão de que estamos perante um conflito exemplar, como nos diz Alan Stoleroff, onde se pode estar a jogar o futuro do conflito social neste país. Até porque os estivadores nunca se rendem.

4 thoughts on “Nunca se rendem

  1. eu bem digo que a vossa proximidade com a extrema direita é tão flagrante quanto embaraçosa, querem ver o qual é a orientação política dos estivadores grevistas? querem ver quantos deles fazem a saudação fascista? querem fotos?

  2. Viva os estivadores caralho!! Quanto a serem fascistas por terem a mao esticada em determinado momento(que noutra foto ve se o punho cerrado, quer dizer q sao comunistas?? lol) é mais importante o que fazem e falam, e de tudo o que escreveram e com os que falei nao achei fascistas, portanto tou me a cagar se esticam a mao ou o dedo ou se fecham a mao direita ou esquerda, e mais importante aquilo que pensam e a solidariedade que tem uns com os outros do que uns meros gestos. Ah e o facto de nao serem um paulo, e terem colhoes, coisa que falta a muita gente.
    Vemos nos nas barricadas, viva os estivadores!!

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