«A polícia não nos faz mal»

Garantiu Arménio Carlos que a polícia não nos faz mal, para apelar aos estivadores que se deixassem de loucuras e viessem escutar recatadamente o seu discurso. É seguramente uma originalidade histórica, ouvir um dirigente sindical marxista-leninista garantir a trabalhadores em luta (ameaçados por uma requisição civil, note-se bem) que o aparelho repressivo do Estado não é repressivo. Mas então, que espécie de encenações foram estas?

33 thoughts on “«A polícia não nos faz mal»

  1. Não vejo antagonismo algum, o polícia não é obrigatoriamente o inimigo !!!
    Parece-me uma visão “salazarenta”

  2. já agora mais uma: http://videos.sapo.pt/MV61hWndi8YfVMEoVi4W
    distorcer e descontextualizar uma intervenção para voltar a atacar a cgtp. a policia é um instrumento de repressão e ainda que tantas vezes ao serviço do capital e dos patrões, não é ela o inimigo. centrar e tornar os protestos num mero combate manifestantes vs policia só esvazia o protesto. na suposta pretensão de radicalizar o protesto o que no final transparece nos mass-media é violência gratuita (mesmo que não o seja). é levar o conteúdo politico do protesto ao nível de uma claque de futebol. para quê?! uma manifestação com petardos e paralelos no ar é por isso mais combativa?!

  3. pessoas que são a favor da hegemonia do Estado na sociedade a chamar repressivo ao aparelho do Estado é um coisa praticamente espetacular

  4. Caro Berto Sombra, nota que o Arménio Carlos não diz «a polícia não é o inimigo». Ele diz, notoriamente, «a polícia não nos faz mal». Acho que nenhuma das pessoas a quem ele se dirigia estava interessada num mero combate manifestantes vs policia, mas a levar a cabo uma acção que ultrapassasse a passeata indignada.
    Uma manifestação com petardos e paralelos no ar é mais combativa do que um comício do Arménio Carlos. Mas ainda bem que tu não distorces nem descontextualizas nada quando terminas o teu comentário com essas duas perguntas…

  5. Rick, força, avança homem! Promove a tua “manifestação com petardos e paralelos no ar”, o que te impede? Precisas do cenário dos milhares mobilizados pela CGTP para esconder a tua falta de coragem?

  6. Man, tu é que tens um ganda cenário. Mesmo. A sério. Daqueles que vá lá vai.
    Toda a gente sabe que o futuro da humanidade depende da minha coragem. Já as manifestações com petardos e paralelos no ar, ninguém as tem promovido e ninguém as tem impedido. Nem sequer o teu ridículo servicinho de ordem.

  7. Realmente, inacreditável. O facto de o conflito social ter extravasado muito para além da CGTP conduz a este tipo de pretensões de um líder sindical que, relembro, já na passada greve geral tornou explícita a sua demarcação política da agressão policial no Chiado.
    A polícia “faz mal” tal como qualquer força política que venha a impedir o derrube desta merda. É ao mesmo tempo o desrespeito total por quem teve de levar com a chantagem final do confronto com a polícia – como os vídeos bem mostram.
    E é também nestas condições que partimos para greves gerais: entre amigos do parlamento e inimigos da polícia.

  8. naquela manifestação, pelo menos até à tal afirmação de «a polícia não nos faz mal», o que tinha a policia feito de repressivo?! as manifestações para ali convocadas eram contra o orçamento de estado, as troikas e o governo, e acho que ninguém foi impedido nem reprimido pela policia de o fazer. portanto os petardos e afins mais não foram do que provocações à policia – para quê!?

    não faltam, nem vão faltar, exemplos de abuso de autoridade e tristes actuações da policia. que devem ser condenadas. mas escusam é de ser os que lutam a dar-lhes justificações para isso. e não sendo a policia o problema mas sim aqueles que a policia defende, não vejo o que se ganha em hostilizar a policia, sobretudo quando a grande maioria daqueles que estão de farda são em termos de origem social os mesmos que estão a lutar contra este governo. se de facto queremos alargar e massificar o combate contra estas politicas, há que saber ganhar aqueles que hoje, conscientemente ou não, são instrumentos do capital.

  9. É isso, Rick. O meu “ridículo servicinho de ordem” não impede coisa nenhuma. E por isso te pergunto, para quando a “bomba de Vaillant”? É só conversa fiada nesta tasca. Isso e pedradas à polícia para encher o ego.

  10. Acho, Berto Sombra, que as únicas pessoas que dão justificações para a repressão policial são as que dizem que a «a polícia não nos faz mal» e agitam o espantalho dos «perigosos manifestantes violentos». As que se juntam ao coro de quem procura criminalizar o protesto e o conflito social, como este jovem e promissor reaccionário: http://economico.sapo.pt/noticias/visita-de-merkel-pode-descambar-em-violencia_155080.html
    Mas se me deres um exemplo concreto de uma situação/conflito em que se impediu uma carga policial «ganhando» para o nosso lado os agentes do corpo de intervenção, eu ficarei mais esclarecido. Até agora, tudo o que vemos é outra coisa…

  11. Subscrevo inteiramente este comentário!
    Parece-me que este país não precisa duma batalha campal.Precisa sim,de recuperar a
    democracia, a dignidade e a soberania. Não são os polícias , “o inimigo” a abater , mas sim as políticas de subserviência ao grande capital que levou o país
    e levará outros países à ruína.
    É urgente a união da população comum, direi até dos povos em geral e ganhar a força capaz de desmontar esta teia tão bem urdida.

  12. Tanta conversa fiada e tu a perderes tempo comigo. Não devias estar a contribuir para a luta consequente e verdadeiramente efectiva dos trabalhadores? A «luta organizada», como lhe chama o Jerónimo de Sousa. Não me digas que ele estava a pensar na caixa de comentários do Spectrum…

  13. Não percebo como se pode separar a polícia daqueles que ela defende ou, como diz a Maria, não são os polícias o inimigo mas as políticas de subserviência ao capital. Não acho que seja coerente afirmar que a polícia e o poder económico-político sejam duas coisas diferentes. Não podem ser, caso contrário não haveria este tipo de declarações desesperadas que protegem um regime político que já não tem pernas para andar. Basta reparar no grotesco destas palavras mortas para exemplificar isso mesmo: “mobilizados da CGTP”, a dita “coragem”. O que é que isto quer dizer? Esse pessoal está, como se dizia, alienado.

  14. “quem procura criminalizar o protesto e o conflito social” mina-o com agentes provocadores e monta operações de falsa-bandeira. E se há algum coro a ser engrossado aqui é o de ataque à CGTP, desta vez porque apela à não violência gratuita.

    O contraditório é que nunca numa situação/conflito se impediu uma intervenção policial insultando de antemão a policia. Logo no primeiro video que postas-te ouve-se o piquete a gritar “ninguém levanta a mão! ninguém levanta a mão!” – não foi por falta de motivo nem por falta de vontade que quem estava no piquete não retribuiu as caricias. Mas entre imagens de um corpo de intervenção a empurrar um piquete e uma batalha campal entre policia e piquete, qual delas é que, no momento actual, contribuiria para o avanço da luta?

    Não faço nem a criminalização do protesto nem a sobre-valorização gratuita da violência. Não é a imagem de manifestantes à pedrada à policia que chama mais pessoas à luta – sobretudo com a manipulação que a comunicação social faz dessas mesmas imagens.

    O elemento transformador é de facto a luta organizada. A violência poderá ou não ser uma consequência dessa luta, mas não uma causa e será tanta quanta maior for a pressão das margens – seguindo a analogia do brecht. Preocupemos-nos então com o engrossar do rio que a pressão e o que o rio arrastar virá depois.

  15. Pingback: Reuniões Governo/FMI são “guerra aberta contra Portugal” – Equacionando a resposta insurrecional | cinco dias

  16. Mais umas bastonadas !?? ahahahahah cambada de anormais que se vão manifestar só para virem chorar que são agredidos…. SEBOSOS! sempre a levarem na tromba e ninguém vos liga ahahahahahahahahaha

  17. O engrossar do rio era o que alguns queriam da luta organizada.
    Mas quando a mesma comprime as margens, (como é óbvio sobretudo aqui: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=jv3MaQg0mpc) e no “ninguém levanta a mão!”, dela já não se pode dizer violenta. Curiosamente, surge depois esta crítica, por parte de um dirigente sindical, a uma “violência gratuita” que, vai-se a ver, ainda é irmã dos “pequeno-burgueses” radicais violentos.

  18. Cito ” Camaradas (…) o comício é aqui. Lá em cima, não está ninguém. Mas está lá a polícia. Deixem lá estar a polícia, pá. a polícia não faz mal à gente, pá. A GENTE NÃO TEM MEDO DA POLÍCIA, PÁ!”.
    Pegar neste desabafo e querer ver nele a afirmação de que “o aparelho repressivo do Estado não é repressivo” é má fé ou desatenção. Pá. Estamos aqui, estamos a dizer que a cgtp, ou o Arménio carlos estão feitos com a bófia e são eles também parte do aparelho repressivo de estado (coisa que de resto pode ser afirmada por quem seja contra o estado, claro, mas não me parece que seja isso que está aqui em causa).
    BTW, há uns anos o “servicinho de ordem” da cgtp era composto por muito pessoal da estiva e dos portos.

  19. Agora o Arménio Carlos desabafa nos comícios. Isto de facto anda bonito…
    O pessoal está a desconversar. Por exemplo falar de um «ataque à CGTP, desta vez porque apela à não violência gratuita» é dar completamente a volta à questão. O problema não é o apelo que a CGTP não faz. O problema é a CGTP alinhar com todos os esquemas instituídos de controlo policial das manifestações, chegando ao ponto de negar que a polícia intervém repressivamente em cenários de conflito.
    E esta certeza, de que uma resistência efectiva de um piquete à polícia (diga-se que num dos vídeos acima os membros do piquete resistem efectivamente, não se deixam levar um a um) desmobiliza as massas… Mas em que é que se baseia tanta convicção? Por sinal, sempre que vejo um acto repressivo da polícia, a reacção mais generalizada é de indignação e de reforço da revolta de quem assiste.

  20. mas, justamente, há tanta gente DA CGTP, que está farta de levar na mona da bófia nos piquetes porque se opõe activamente à repressão, que pretender que a intersindical “nega que a polícia intervém repressivamente em cenários de conflito” é um disparate!

  21. rick, fugiu -te o pé para a chinela, infelizmente foste aqui pouco lúcido. Como é evidente, o Arménio Carlos referia-se concretamente áqueles bófias que estavam na escada da AR, não se referia a tudo o resto que tu sugeres. O pessoal do petardo com o barulho que fazia não o deixava falar. Ele entrou em invetivas, como faria qualquer gajo que não se consegue fazer ouvir e quer que o ouçam.
    Tenta bater na cgtp com bons pretextos, já que boas razões já as tens (umas quantas).

  22. Pingback: “O amor é não haver polícia” | cinco dias

  23. A novidade aqui não é o Arménio Carlos (ou qualquer outro líder de uma central sindical) apelar à calma dos estivadores e insinuar que quem está a lutar por uma mudança não-parlamentar das coisas faz parte do mesmo saco que os polícias, que lutam pela manutenção da ordem social. A novidade aqui é um conjunto de trabalhadores aqui na tuga estar a ter a força e alegria na rua que não só fodem o juízo aos polícias como animam outros a saírem à rua com cada vez mais força e também mais alegria. E não se trata de uma “força” entre aspas á la CGTP, nem de uma “alegria” entre aspas á la Homens da Luta; trata-se de momentos em que os defensores desta ordem social (não, não estou só a falar dos polícias) têm de fugir com medo aos que frente a eles estão juntos a divertir-se. E o interesse cresce porque este pessoal o faz sucessivamente desde há anos, e com uma clareza em relação às diferentes forças em jogo que não é de agora e infelizmente tão-pouco é comum.
    Como um desleixo consciente que à interpelação frente à AR em 2009 de um jornalista “então mas quais são as razões por detrás desta manifestação dos estivadores?” responde, simplesmente, “eu quero mas é que tu te fodas”. Ou como os tais petardos, mais recentemente no Terreiro do Espaço, que impediram vários milhares trabalhadores de ouvir sossegados o entediante discurso inflamado de Arménio Carlos, o 1º enquanto grande líder.
    http://estivadoresaveiro.blogspot.pt/2012/03/carta-aberta-aos-estivadores-selvagens.html

  24. No meio de tudo isto continuo a achar que é preciso os protestos intensificarem-se para, para já, este governo cair rapidamente; passividade e apatia agradam ao(s) poder(es), governamentais, partidários, sindicais, todos querem dominar a contestação, e estrebucham quando as coisas saem da sua mão.

  25. há pessoal que só faz lembrar aquela máxima: “não fodem nem deixam foder”… não fazem mal, pois não! até parece que os robocops estão lá pra ouvir o discurso do Arménio

  26. Estou memo a ouvir a conversa lá na esquadra dos robocops:

    bófia fofinho: “o pá! o arménio carlos vai discursar frente à AR”

    bófia + fofinho: “a sério? Juras?”

    bófia fofinho: “sério, pá! tava a pensar em trocar de turno com o Adérito e ao inbés de ir policiar os No Name no jogo este fim de semana, ia mas é prá assembleia…”

    bófia ainda + fofinho: “o pá! ganda ideia. Vamos falar com o capitão: eu curtia ficar na primeira das nossas 3 linha de defesa… não é por nada, mas com tanto petardo, um gajo nem consegue ouvir bem o discurso do Arménio.”

    Bófia assim-assim fofinho: “nem me digas nada! da última vez o doberman não parava de ladrar, raio do bicho que tava todo excitadinho…”

    bófia fofinho de todo: “Então tá combinado! vamos lá todos ao comício da CGTP, confraternizar com o pessoal. E queira deus que os anarcas façam merda pra gente ter de gramar aquilo até à meia-noite e ainda conseguirmos sacar umas horas estraordinárias que tanta falta fazem pra compor o fim do mês…”

  27. BORAAAAA SEBOSOS LEVAR MAIS UMAS BASTONADAS E DEPOIS VIR CONTAR OS EPISODIOS PARA A NET !!! AHAHAHAHAHAAH CAMBADA DE OTÁRIOS !!!!

  28. BORA LÀ PARA A MANIF ATIRAR TOMATES À BOFIA !!!!! SOMOS MUITO MAUS !!!! BORA BORA VAMOS PELA ESQUERDA QUE O CORDÃO QUEBROU !!! LOLOLOLOL SÒ ESTRATEGAS !

  29. Renegade, eu talvez seja pouco lúcido, mas o que o Arménio Carlos disse foi tudo menos evidente. Obrigado, em todo o caso, por traduzires o que ele «objectivamente» queria dizer.

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