uma história sobre o bloco que vai fazendo a história do bloco

Ligeiramente defraudado por Jéan Luc Mélenchon e Alex Tsipras (dois terços do cartaz) se terem baldado ao comício de abertura do congresso do bloco de esquerda, lá fiquei até ao fim para ouvir o Louçã, até porque depois ia beber uns copos com alguma malta que por ali andava.

Ouviu-se a Alda Sousa, a alemã do Die Linke, uma francesa do Parti de Gauche, a Marisa Matias, o Tsipras do Syrisa em vídeo, o Caio Lara da Izquierda Unida e o Louçã para fechar.

Como não podia deixar de ser, o comício ficou marcado por muita pancada nos inimigos do momento (Merkel, Passos e tutti quanti) e muita pancadinha nas costas entre partidos da esquerda socialista (alguém lembrou que durante todo o comício – e 7 oradores – só por uma vez se ouviu a palavra socialismo, e nem uma vez a palavra comunismo).

Curioso curioso foi no fim dos discursos, e após tanta demonstração de camaradagem e espírito de luta, toda a gente se levantar e desmobilizar sem mais. Uns quantos maduros ainda trautearam qualquer coisa parecida com a Internacional, mas rapidamente se calaram.

(alguém perguntou que partidos são estes que se reunem num evento de massas para afirmar a solidariedade internacionalista/operária e se esquecem do grande e único hino do movimento operário usado há mais de cem anos para celebrar a sua luta e unidade)

(alguém respondeu que a organização do comício tinha abordado o assunto e tinha decidido não passar a Internacional por não terem chegado a acordo sobre qual das versões usar – isto falando da letra, claro, porque a música é sempre a mesma. Para quem não sabe, as letras são diferentes porque cada grupelho – comunistas, socialistas e anarquistas, todos de vários matizes – tem a sua própria letra para a Internacional, normalmente por razões identitárias do seu grupo em algum momento da história do movimento operário, resumindo-se as diferenças a algumas vírgulas e meia dúzia de palavras nas três quadras normalmente cantadas em eventos públicos)

(parece que ninguém se lembrou que podiam passar apenas a música, e cada um cantasse o que quisesse…e foi assim, fazendo tábua raza da memória, que o primeiro comício internacional da esquerda europeia em Portugal acabou ao som do António Variações na versão Humanos – Muda de Vida, cuja letra, da autoria do próprio, será sem dúvida muito mais consensual e apropriada do que a da Internacional)

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12 thoughts on “uma história sobre o bloco que vai fazendo a história do bloco

  1. Baldaram-se….tem provas para escrever o que escreveu.
    O Comicio era uma organização CONJUNTA do BE, e do do Grupo das Esquerdas Europeias , no Parlamento Europeu, de que fazem parte o Syriza e o Front de Gauche.

    Certamente e SÒ por motivos de força maior , estes dois dirigente não estiveram presentes.

    Qual era o interesse do BE em anunciar dirigentes politicos estranjeiros ,se eles não iriam estar presentes?

    Discorde-se do BE, da sua linha politica, da sua actuação, mas por amor da santa , um pouco de elevação na critica, um comicio do BE não é propriamente uma gala da SIC em que as vedetas contam…..

  2. essa conversa secante sobre o bloco e consequentes questiúnculas está a distrair-nos a todos do cerne da questão: o toy não vai poder estar presente (?) na greve porque a sua vida profissional não lho permite? não estou a perceber. é como não poder chamar parvo ao pai porque o pai não deixa. esta questão tem de ser muito bem esclarecida.

  3. O Mélenchon não veio? haha É tipo aquele concerto do 50 cent que vinha anunciado em todos os autocarros e o gajo nem sabia.

  4. Já agora, o que distinguia a moção B não eram várias questões relativas à democracia interna? Até agora só ouvi o DO a falar da eventual aliança com o PS

  5. O encontro entre os precários inflexíveis e o BE correu mesmo bem, o Rui Maia acabou de ser eleito para a mesa nacional

  6. Augusto: “Baldaram-se” não quer dizer que o BE anunciou com dolo que vinham dirigentes estrangeiros sabendo que eles não vinham. Quer apenas dizer que eles tiveram coisas mais importantes para fazer do que ir ao comício do BE anunciado por toda a cidade.

    É também uma boa ilustração para o que tem sido até agora o falhanço do projecto da direcção do bloco de “vamos ser como o syriza”. Não basta proclamar que o BE é o Syriza de Portugal para que isso aconteça de facto.

    PP: O que queres exactamente dizer? Que afinal o que distingue a moção A da B não são as questões do funcionamento interno mas sim uma eventual aliança com o PS? Porque é que alinhas (uma vez mais e como quem aparentemente não quer a coisa e faz apenas uns comentários inocentes) com a conversa do Louçã? Porque ouviste o Daniel Oliveira na TV?

    Pois nem eu acredito que ouviste todas as declarações do Daniel Oliveira sobre o BE. Nem acredito que a TV as passe todas. Nem o Daniel Oliveira é tão pouco porta voz, coordenador, dirigente ou seja lá o que for da Moção B.

    Essa narrativa da “lista B, do Daniel Oliveira” é spin da assessoria de imprensa do Bloco que continuou escandalosamente para a própria condução dos trabalhos da Convenção pelo inefável Pedro Soares (“Quem vota na proposta de alteração do Daniel Oliveira?”, ouvi eu). É jogo sujo e terreno muito pantanoso. Devias ter mais cuidado antes de te meteres alegremente por ele só para dar mais umas beliscaduras ao teu amiguinho Daniel.

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