Algumas considerações imediatas

1 – Em São Bento estiveram largos milhares de pessoas, enchiam desde a Avenida Dom Carlos I até à Fundação Mário soares, bastante mais do que as últimas duas manifestações em frente ao parlamento

2 – As manifestação dos “Indignados” chegou a São Bento ao mesmo tempo que a manifestação da CGTP, tendo a primeira percorrido o trajecto de Rossio a São Bento imediatamente a seguir da segunda. Chegados ao parlamento não houve quaisquer confrontos  até ao discurso de Arménio Carlos ter terminado e a carrinha da CGTP ter abandonado a praça. O número de pessoas na praça continuou a ser sensivelmente o mesmo.
3 – Cerca de 30 minutos depois da CGTP abandonar oficialmente a manifestação foram derrubadas as grades e começou uma chuva de pedras, garrafas, balões com tinta, petardos e inúmeras outras coisas. Este arremesso de objectos à polícia subiu de tom quando a própria polícia agrediu pessoas que procuravam sentar-se pacificamente nas escadas, tendo várias pessoas sido pontapeadas pela polícia quando pediam a outros manifestantes que deixassem de atirar pedras. Várias pessoas procuraram demover outras tantas, tendo-se incluindo verificado algumas pequenas escaramuças entre manifestantes.
4 – A situação foi semelhante à que se passou no dia 15 de Setembro, a tal manifestação pacífica, e no primeiro cerco ao parlamento, sendo apenas diferente no número de pessoas presente e na duração dos confrontos. De notar que apesar da larga maioria das pessoas não participar no arremesso de pedras o número de presentes não diminuiu em nenhum momento.
5 – Os presentes eram homens e mulheres, jovens e velhos, activistas e gente sem filiação política clara, betinhos e mitras. Extremamente heterogéno, como têm sido todas estas mobilizações.
6 – É ridículo considerar que é dado um aviso de carga quando um polícia fala a um megafone numa praça onde milhares de pessoas berram continuamente. A ter sido dado foi propositadamente inaudível.
7 – Contrariamente a outras ocasiões a polícia mostrou desde o início uma enorme hostilidade em relação aos manifestantes – ao contrário do ar impávido e sereno de outras ocasiões desta vez insultaram pessoas, provocaram manifestantes, agrediram outros apenas por bravata – tudo isto antes das cargas
8 – A carga foi o que se viu: espancou dezenas de pessoas que nunca na vida atiraram uma flor a um polícia, agrediu brutalmente largos milhares de meia-dúzia de profissionais da desordem.
9 – Relativamente aos media é cada tiro cada melro. É a pior cobertura de uma manifestação de sempre, vendo a reportagem da SIC, e inúmeras outras, não há uma única afirmação que não corresponda a propaganda e ignorância abjecta. A facilidade com que se repete a versão da polícia é assustadora e preocupante.
10 – A carga polícial provocou o que era de esperar: entre São Bento e a Conde Barão surgiram incêndios de vários metros de altura em cada esquina. A polícia continuou a carregar a deter indiscriminadamente pessoas um pouco por todo o lado.
A LER: O post no 5dias sobre as detenções.

25 thoughts on “Algumas considerações imediatas

  1. Realmente não há direito. Está uma pessoa 120 minutos toda sossegadinha e quentinha a apedrejar polícias, a incendiar carros e contentores do lixo, a arremessar cocktails molotoff e petardos, a destuir calçada. De repente, sem se perceber porquê vem uma carga policial, sendo que ainda por cima avisaram. É o fascismo, meus amigos. É o fascismo…

  2. A meu ver, a policia devia ter continuado a noite toda a ser apedrejada e incendiada, e esperar morrer. Aí então tinham justificação para atuar. As pessoas que estavam num grupo que estava a apedrejar polícias, a incendiar carros e contentores do lixo, a arremessar cocktails molotoff e petardos, a destuir calçada, não tinham nada de ser alvo de uma carga policial. Só estavam a ver, coitados, os velhinhos e crianças inocentes.

  3. Ora vamos por pontos:

    1º Um grupo de agitadores fartou-se de atirar, gratuitamente, pedras ao cordão policial durante uma hora criando clivagens na própria manifestação – atitude tactica e poiticamente imbcil.
    2º A policia aguentou estoicamente durante 1 hora o arremesso quase ineneterrupto de pedras da calçada, que iam atingindo outros manifestantes e jornalistas – tacticamente exemplar.
    3.º A policia teve maior e mais brutal intervenção desde que me lembro, batendo indiscriminadamente em toda a gente, inclusive em desgraçadas velhinhas transeuntes que estavam a dirigir-se para casa após o terço.
    4.º A operação de “limpeza” prossegui por Lisboa com dezenas de detenções arbitarias.
    5.º Nenhum jornalista levou nas trombas, por acaso (e porque eles agora andam bem identificados).
    6.º É quase unânime que a mais violenta e indiscrimenada intervenção da policia de choque nas últimas decadas (em manifestações politicas, claro está, nos estádios desconheço) foi EXEMPLAR.

    E agora? Que fazer?

  4. 1 – Resumir a greve geral ao que se passou em frente à ar apenas serve para dar força ao autoritarismo que está aí à porta, de qual cor ou tendência;
    2 – Resumir a greve geral que é nacional a eventos em 2kms quadrados da capital é revelador dos horizontes curtos tanto da comunicação social míope, canina seguidora da cartilha burguesa, como de pessoal que está na luta mas demasiado virado para o seu umbigo;
    3 – A agressividade policial foi maior também para com os piquetes de greve e as movimentações dos sindicalistas. Faz parte de uma escalada de repressão que é programada para responder tanto à força dos mais ou menos organizados como dos mais ou menos espontâneos. Na realidade até promove e beneficia de uma separação artificial entre o bom e o mau protesto, entre o pacífico e o violento. É esse o papel de infiltrados. Mas também é esse o papel de neo-nazis que se aproximam desta movimentações para recolher frutos mais tarde.
    4 – O facto de no dia anterior à greve geral terem sido anunciados aumentos de 10% ou mais à forças de segurança é uma mensagem bem clara para dentro e fora da polícia: “sejam fiéis, a recompensa está a chegar”. Se em greves anteriores dava para conversar com polícias e lamentar o estado lamentável do seu fardamento, os horários abusados que tinham de cumprir…agora esqueçam. Dali só vamos levar cacetada. Não há mais ilusões.
    5 – Esta encenação estetizada e programada de confronto em frente à AR para além de ridicula é um alimento óptimo para telejornais. Já se sabe sempre a hora e a data. Hum…mas não é essa da crítica da esquerda não alinhada à acção da cgtp?
    6 – O sinal está dado. É hora de passar para a acção clandestina e directa. Confrontos directos com a polícia são ineficazes, desmobilizam pessoal da luta e acabam por ser aproveitados pelo comunicação social e pelo governo para diabolizar o protesto.

  5. Canibal – não presumi reduzir a greve geral aos confrontos no parlamento, porque o meu post não é sobre a greve geral, é sobre os confrontos no parlamento

  6. Grandes explicações ! Realmente seboso a tua teoria é mesmo espectacular levaste que ? 30 minutos para escreveres a tua teoria da conspiração toda ? Levaram na tromba e deviam ter levado mais ! ahaahahahahahahahahaha

  7. PP: certo. Também não estou a fazer nenhuma acusação, só a dar a minha leitura.
    Em qualquer caso, hoje fala-se do quê?

  8. Pingback: A palavra ao movimento | cinco dias

  9. Polícias à paisana tentaram, logo no início da manifestação, sem nenhuma justificação, apanhar e retirar manifestantes para fora da manifestação, para serem detidos, com uso de violência. Os polícas à paisana foram repelidos por outros manifestantes que impediram tal acontecer. Ao longo da manifestação vários polícias à paisana continuaram a vigiar e controlar manifestantes, isto durou ao longo de toda a manifestação, e continuou em frente a São Bento.

  10. Durante uma hora, milhares de manifestantes observaram com regozijo o apedrejamento do corpo de intervenção por umas dúzias de miúdos. O largo rejubilou com o 1º cocktail molotov… Não venham agora com as tangas dos infiltrados, provocadores e celerados. Todos nós legitimámos, com a nossa presença, o combate e resistência. VIOLENTO É DESPEDIREM, ROUBAREM SALÁRIOS, EXPULSAREM PESSOAS DAS CASAS QUE DEIXARAM DE PODER PAGAR!

  11. “VIOLENTO É DESPEDIREM, ROUBAREM SALÁRIOS, EXPULSAREM PESSOAS DAS CASAS QUE DEIXARAM DE PODER PAGAR!”

    também é… mas por agora, violento é deixar passar a imagem (apesar da estupidez tactica dos imbecis das pedras na calçada e do mini-molotoff) de que a carga foi justificada.

    Não foi. foi arbitrária e criminosa!

  12. Sempre achei bizarro que alguns violadores de mulheres dissessem depois qualquer coisa do género:”Elas estavam mesmo a pedi-las, e eu dei-lhes o que elas queriam…”

    Mas agora, ao ler alguns comentários, percebo que há realmente muita gente que gosta de ser violada, e está sempre a pôr-se a jeito… E chateiam-se com aqueles que querem punir os violadores… A natureza humana é muito estranha, realmente…

  13. Estas concentrações frente à Assembleia são muita porno: uns putos bêbados lá à frente a fazer merda e cheios de vontade de a fazer, e pessoal cá atrás, cheios de tusa, a observar o que gostavam de fazer, mas não fazem, porque não têm coragem ou são muito cívicos.
    Cheira-me que, apesar de parecer alguma coisa, isto não significa muito e não é o princípio de nada.
    O que é irónico é que foi precisamente por causa da greve que eu não tive comboio para participar nesta masturbação colectiva.
    Merda para isto…

  14. AINDA QUE MAL PERGUNTE ?
    -Porque a policia ficaram firmes e hirtos , cerca de 1 hora ?
    -Tinham a sua frente 5 ou 6 “teenager”com as caras tapadas ,que facilmente conseguiam isolar mas preferiram ser “Mártires “?
    -Tudo isto para justificare o procedimento de uma “HORDA” batendo em tudo, e em todos……..

  15. Para a próxima GG já vai ser solicitado ao Tribunal Arbitral que decrete nos serviços mínimos um comboio para o Arkanoid.

  16. Só falta (faltará?) de agora em diante, fora de manifestações, polícia à paisana (ou fardada) andar à caça de manifestantes que viu na manifestação, para os deter e sabe-se lá que mais

  17. País de broncos e ignorantes! violencia sobre quem tá a fazer o seu trabalho?! Os policias são paus mandados, só reagem quando os mandaram reagir e e…se receber€m pa isso! as manifestações servem pa demostrar o descontentamento, acho bem! a destruição neste caso só nos vai enterrar ainda mais! quem paga os estragos somos nós oh cambada de anormais! Mais coça deviam era ter levado as mães que levam crianças para um sítio destes! coitados do velhinhos gostam pouco gostam, não mandaram pedras mas ficaram pa curtir! esses fdp mascarados deviam era ser todos enrabados cambada de covardes!

  18. O post do Party Program, mais do que algumas considerações, faz um bom relato dos acontecimentos.

    Acrescentaria eu que não nos podemos limitar a ficar chateados com o mau tratamento que a comunicação social faz sobre as lutas, como se isso fosse um dado que nos fosse imposto de fora. Isto é: Aquelas imagens de “tiro ao boneco”, transmitidas em directo durante mais de uma hora ajudaram as TVs e o Governo a construir a narrativa que construíram, certo? Chegam por vezes a ser constrangedoras…

    Alguém aí em cima pergunta muito bem “Porque a policia ficaram firmes e hirtos , cerca de 1 hora ?”.

    Eu acho que foi montada pela polícia e pelo Governo uma operação de propaganda, de vitimização da polícia e do Governo, de criminalização do protesto social e de desincentivo à população em geral de participação em manifestações… Apesar do momento mais importante dessa operação ser uma violenta carga de porrada sobre os manifestantes, creio que o pessoal que esteve a fazer o “tiro ao boneco”, para deleite das TVs que filmavam tudo cá de cima, foi uma peça chave nesta história.

    Acho que a operação, apesar de tudo, não correu assim tão bem ao Governo. Como alguns saberão, sou aviador. Trabalho a aviar ao balcão e apesar do negócio estar fraco falo com muita gente diferente lá da zona. O pessoal regra geral condena a violência policial, reforça as criticas ao Governo e muitos até apoiam os “actos de vandalismo” sobre os Bancos. No entanto, lamento informar, não ouvi até agora ninguém a achar que o “tiro ao boneco” foi um belo serviço.

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