Detenção Ilegal – Greve Geral de 14 de Novembro

Chegou-me isto por mail, reencaminhado por alguém que recebeu isto, com pedido de divulgação:

Durante a minha participação pacífica na manifestação da Greve Geral frente à Assembleia da República a polícia dispersou os manifestantes com foguetes, bastões e balas de borracha. Eu, como milhares de pessoas, corremos pelas ruas do Largo de São Bento para evitar bastonadas.

Não querendo confusão, eu e os meus amigos seguimos pela 24 de Julho, no sentido do Cais do Sodré a caminho de casa.

Fomos surpreendidos por um grupo de polícias fardados a correr atrás de nós e, pela frente, homens não fardados mas armados ordenaram que nos deitássemos. Deitei-me de barriga para baixo e gritei “por favor não me faça mal” duas ou três vezes. A resposta do homem não fardado foi clara – uma bastonada na nádega direita e outra nas costas com marca bem visível.

Fui algemado enquanto me gritavam que não me mexesse. Entretanto trocaram as algemas por braçadeiras, bem mais desconfortáveis.
Fui revistado (não possuindo nada de ilegal ou ilícito). Um agente da PSP rebentou as abas da minha mochila para ma tirar das costas através das braçadeiras que me prendiam os braços.

Fui empurrado para uma carrinha da PSP com 6 lugares, onde me fizeram sentar na parte de cima da roda, nas traseiras. Fomos transportadas 9 pessoas na carrinha de 6 lugares.

Chegado ao Tribunal fui revistado mais duas vezes e, descalço, fui colocado numa cela com mais 4 pessoas, um deles com ferimentos na cabeça e costas, com sangue a cair na cela. Outro, um menor, de 15 anos, foi libertado com aflição pelos agentes ao aperceberem-se da detenção ilegal do menor.

Eu pedi várias vezes para fazer o telefonema a que tenho direito. Responderam-me que “aqui não há telefones”. Insisti com diferentes agentes que sempre me recusaram esse direito.

Nenhum dos agentes que me detiveram e revistaram estavam identificados, tendo retirado a placa com o seu nome. Nenhum dos agentes no tribunal estava identificado.

Horas depois fui chamado a uma sala onde fui coagido a assinar um Auto de Identificação com os meus dados mas em branco no “local, hora e motivo da detenção”. Questionei o agente que me disse ser um procedimento normal, que depois eles preencheriam o resto “para bater certo com os outros detidos”. Insisti não me sentir à vontade para assinar um papel que será preenchido depois. O Agente colocou, então, o local de detenção mas recusou-se a pôr a hora e motivo. Foi-me dado a entender que bastaria assinar para ser libertado. Coagido, assinei. Levaram-me para a rua, para a porta do tribunal, onde, já libertado, confirmei que não tinha direito ao telefonema.

A minha advogada foi impedida de entrar enquanto lá estive, foi impedida de ver os papéis que assinei. Chegado cá fora pedi aos agentes de serviço que me facultassem uma cópia do Auto que assinei, ou que o mostrassem à minha representante. Esse acesso foi negado com o argumento de
que “já não estava detido”.

Saí sem nenhuma acusação ou explicação para o sucedido.

Conclusão: Estou no Cais do Sodré a caminho de casa (ali perto) quando homens não fardados me agridem, me algemam e detêm durante horas, sendo libertado cerca das 00h em Monsanto, sem
forma de voltar a casa ou ao local de detenção. Não me foi feita acusação nem dada qualquer explicação. Foi-me recusado telefonar e também me foi recusado ver a minha advogada, como é direito de qualquer pessoa detida. O meu dia foi transtornado, fui agredido, e nenhuma explicação
me foi dada. Foi uma experiência miliciana.

Fábio Filipe Varela Salgado
BI 13018976 – DN 8/4/1986 Lisboa,

15 de Novembro de 2012

19 thoughts on “Detenção Ilegal – Greve Geral de 14 de Novembro

  1. Coitadito no senhor deputado da assembleia municipal da Nazaré. Mas a explicação é simples: estava integrado num grupo que apedrejou a polícia durante duas horas. Teve muito tempo para refletir no que estava a caucionar e ir-se embora. Mas preferiu ficar, pelo que é cúmplice. E muito sonso… faz parte da maricagem socialista que é muito brava a agredir mas quando é a sério parecem uma madalenas.

  2. Wow paulo. Para energúmenos como tu não precisamos de polícias ou políticos para mandar o país abaixo. Vai lendo a constituição portuguesa no caminho, não que faça muito, já que aparentemente vais fazer dela papel higiénico.

  3. que inocente que eu sou ! Levei e não fiz nada ! sim sim foi mesmo isso que se passou LEVASTE E FORAM POUCAS SEBOSO !!! AHAHAHAHAHAHAHAHAH

  4. Paulo, olha que os tempos estão a mudar e estão cheios de cumplicidades onde menos esperas. Estou certo que já percebes isso. Sabes bem que nas próximas pedradas não serás uma madalena, claro que não, mas um lírio a desabrochar.

  5. … “Chegou-me isto por mail, reencaminhado por alguém que recebeu isto, com pedido de divulgação”… ya.

  6. Chegou-me por mail de facto… ya. desculpa lá se está disponivel no facebook, ya? agora também está no spectrum.

  7. A partir do post no 5dias.net

    http://5dias.net/2012/11/16/amadores-do-protesto/

    Bom apanhado de acontecimentos do passado a nível mundial, que demonstram que os protestos são essenciais para haver mudança, que é preciso haver agitação e intensificação dos protestos, com pacifismo em demasia cai-se no conformismo e na apatia, que agradam aos poderes que destroiem, cada vez mais e a cada dia que passa, as nossas vidas.

    Há umas horas atrás estive a ouvir um pouco do programa Antena Aberta da Antena 1 que era acerca da actuação da polícia em frente à A.R. Participaram vários militares (olha que acaso…!) que segundo me pareceu eram de altas patentes e, obviamente, defenderam e elogiaram a intervenção da polícia de todas as maneiras e feitios.

    Queria chamar atenção para estas acções do governo e seus porta-vozes – naturalmente o governo, através dos media e dos seus vários orgãos, iniciou uma campanha de desinformação e criminalização de quem participou ou vier a participar em protestos. Estas acções visam manipular a opinião pública e tornar fácil a criminalização, controle, repressão, vigia e perseguição, fácilmente arbitrária (como claramente se viu nas detenções ao final do dia no Cais do Sodré e posterior tratamento dos detidos), de quaisquer pessoas que possam ser apontadas como ‘protestantes’, ou ‘manifestantes’ – no que é obviamente um atentado à liberdade de expressão e de protestar.

    O objectivo destas acções para “produzir consentimento” (usando o termo de Chomsky “manufacturing consent”), é colocar uma parte da população (mais facilmente manipulável, ou que não está para se chatear) do lado da polícia, defendendo a sua actuação de extrema violência cega, e isolando o povo que protesta, cada vez mais vigiado e controlado, por polícias à paisana que praticam detenções arbitrárias, etc. Este é um governo que reprime cada vez mais os protestos à medida que, justificadamente, os protestos aumentam, pois é cada vez maior o número de pessoas a lutar com grandes dificuldades pela sobrevivência básica do dia-a-dia.

    Mas há muita gente acordada em Portugal, cada vez mais, e na Antena Aberta ouvi também uma ouvinte dizer o que entra pelos olhos adentro, que actuação da polícia foi de uma violência excessiva, desnecessária, brutal e cega. Os membros do governo, e o líder do PS também, dizem que actuação da polícia foi adequada – este é mais um exemplo do tipo de gente que tem governado este país, mais uma razão que mostra porque, pelo menos, não faz sentido votar nos 3 partidos quem têm governado Portugal, e porque ESTE GOVERNO TEM QUE CAIR, e rapidamente.

  8. Paulo: Então tu achas que tanto deviam levar porrada da polícia as pessoas que atiram pedras à polícia como os que não atirando estão na mesma praça. Certo?

    É realmente extraordinário. Tão depressa te mostras ultraliberal, contra tudo o que seja presença do Estado, como opinas que o Estado deve agredir as pessoas com base em juízos arbitrários sobre quem estava mais ou menos próximo de alguém que estará a infringir a lei.

  9. Para quando uma manifestação massiva, com todos os movimentos sociais, contra a manipulação, infiltração, abuso de poder, e brutalidade da polícia?

  10. “Quero louvar o profissionalismo como a polícia portuguesa desempenhou a função de garantir a ordem pública e combater a violência na nossa democracia”, Cavaco Silva.

    De facto, fica-se com vontade de emigrar…

  11. Pingback: Deriva Antidemocrática: Testemunho de Sara Didelet sobre os acontecimentos de 17 de Novembro de 2012 « O Peso e a Leveza

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