It was a very good year

21 Janeiro – Manifestação da plataforma 15 de Outubro com cerca de duas mil pessoas que partiu do Marquês de Pombal e terminou em São Bento. Confrontos com elementos de extrema direita no início da manifestação

11 Fevereiro – Terreiro do Povo – CGTP enche o Terreiro do Paço com cerca de 300 mil pessoas, segundo a organização

06 de Março – Activista do MSE identificada e posteriormente constituida arguida por ter distribuido panfletos em frente a um centro de emprego.

22 de Março – Greve Geral. Manifestação solidária convocada por várias plataformas reúne alguns milhares de pessoas. No Chiado a PSP envolve-se em confrontos com os manifestantes, provocando vários feridos, entre os quais alguns jornalistas, o que levará à abertura de vários processos disciplinares.

19 Abril – Despejo Es.Col.A Porto. Antiga escola ocupada despejada com uso de força no Porto.

25 abril – Manifestação comemorativa do 25 de abril especialmente combativa. Ocupação de um imóvel da CML na Rua de São Lázaro em solidariedade com o despejo da Es.Col.A da Fontinha. No Porto cerca de 2000 pessoas marcham até à Fontinha e reocupam a Es.Col.A.

1 Maio – Manifestação da CGTP em Lisboa. Manifestação anti-autoritária em Setúbal.

12 Maio – Primavera global. Vários grupo e colectivos de “indignados” marcham do Rossio ao Parque Eduardo VII. Uma das áreas do parque é ocupada durante vários dias com diversas iniciativas

19 Maio – Rua com todos. Manifestação anti-autoritária com cerca de 200 pessoas termina na Praça da Figueira e é cercada pelo corpo de intervenção. Sedes do BE e do CDS atacadas com tinta. Todos os participantes são identificados, sendo alguns detidos.

30 Maio – Despejo da Ocupação de São Lázaro. Após um despejo violento, marcado por várias detenções e agressões por parte da PSP e da Polícia Municipal, várias pessoas invadem o gabinete da Vereadora da habitação Helena Roseta. À tarde uma manifestação espontânea com cerca de 300 pessoas que percorria pacificamente a Avenida Almirante Reis é cercada pela PSP e todos os participantes são identificados.

30 Junho – Manifestação MSE – Movimento Sem Emprego reúne cerca de 300 pessoas em Manifestação

02 Julho – Ministro economia atacado na Covilhã – Augusto Santos Silva, ministro da economia, é insultado por manifestantes na Covilhã. Um dos manifestantes atira-se para cima do carro do Ministro. 

12 Julho – Manifestação anti relvas. Cerca de 300 pessoas concentram-se em São Bento para pedir a demissão do ministro Miguel Relvas. A concentração irá repetir-se regularmente ao longo do ano.

15 Setembro – Manifestação “Que se Lixe a Troika” colapsa o centro de Lisboa. Largos milhares dirigem-se espontaneamente para São Bento onde as baias são derrubadas e a polícia é apedrejada durante várias horas. Alguns detidos. 

21 Setembro – Concelho de Estado, Belém. Cerca de dez mil pessoas concentram-se em frente à residência do presidente da república Cavaco Silva. Ligeiras escaramuças com a Polícia. Alguns detidos. Os manifestantes permanecem até de madrugada.

27 setembro – Jornalista e estudante agredidos. Estudante da UNL agredido por um segurança pessoal do primeiro ministro. Jornalista da TVI também é agredido e impedido de filmar.

29 setembro – CGTP volta a reunir no Terreiro do Paço largas centenas de milhar de pessoas. Anunciada uma greve geral para 14 de Novembro.

05 Outubro – As cerimónias comemorativas do feriado são perturbadas por uma mulher que interrompe as formalidades aos gritos e por uma outra que canta uma antiga canção de resistência. A bandeira de Portugal é içada ao contrário pelo presidente da república, algumas suspeitas de sabotagem. Em São Bento manifestação intitulada “Invasão ao Parlamento” convocada no facebook reúne cerca de 500 pessoas. Escaramuças com a PSP e alguns detidos.

13 Outubro – Artistas organizam protesto cultural contra a austeridade.

15 Outubro – Cerco ao parlamento I – Coincidindo com a entrega da pen com o orçamento aos deputados cerca de 3000 pessoas concentram-se em frente ao parlamento. Após o derrube das baias de protecção são lançadas algumas pedras e garrafas à PSP. Os manifestantes acabam por acender um fogueira considerável em frentes às forças policiais.

31 Outubro – Cerco ao Parlamento II – Nova concentração em frente ao parlamento relativa à aprovação do orçamento de estado. Cerca de 3000 pessoas derrubam as baias, apedrejam a PSP, acende uma fogueira. Mais tarde algumas centenas de pessoas tenta a invasão da residência oficial do primeiro ministro, chegando a atingir algumas janelas com pedras. Uma carga policial dissolve a manifestação e algumas pessoas são detidas. 

12 Novembro – Angela Merkel. Cerca de 1000 pessoas protestam a visita da Chanceler Alemã em Belém. Forte presença da PSP cria alguns momentos de Tensão.

13 Novembro – Concentração Estivadores hotel – Manifestação de Estivadores em frente a hotel termina com algumas detenções e com agentes da PSP a ameaçar os manifestantes com armas de fogo.

14 Novembro – Uma das maiores greves gerais de sempre paralisa o pais. Manifestação em frente ao Parlamento termina em confrontos sérios, com uma carga policial a ferir dezenas de pessoas. Os confrontos ganham intensidade e transferem-se para as imediações da Assembleia. PSP faz detenções arbitrárias em locais já distantes do parlamento e posteriormente é revelado que uma organização secreta dentro da PSP tentou ilegalmente obter imagens não emitidas pela RTP

27 Novembro – CGTP promove concentração em protesto contra aprovação do orçamento

29 Novembro – Manifestação estivadores. Cerca de 300 estivadores acompanhados por outros manifestantes solidários protestam em frente à assembleia da república.

11 Dezembro – Ocupação Cantina nova – Estudantes do ensino superior ocupam temporariamente uma cantina da UL em protesto pelo seu encerramento.

Nota: Esta lista não pretende ser exaustiva e obedece apenas ao critério do que me fui lembrando, inúmeras iniciativas terão ficado de fora, a descrição dos eventos é meramente referencial, os links de cada acontecimento foram regra geral os primeiros apresentados pelo google. Se surgirem comentários com lacunas graves será actualizada, quem quiser pegar nela e melhorar que esteja à vontade

6 thoughts on “It was a very good year

  1. O estudante agredido pelo segurança do PM era do ISCP e não da UNL. Já alguém comentou que falta uma referência ao glorioso acampamento contra a barragem do Tua e ao encontro de activistas «ACTIVARTE». Como é que pudeste deixar de fora o congresso das alternativas pá?

  2. Já que se está em maré de fazer balanços, aqui fica um link para a “Carta aberta aos estivadores selvagens, II”:
    http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/24537
    que, ao que parece, é enderaçada a eles mas dirije-se a todos nós.

    No geral, uma chamada de atenção para dois pormenores cruciais, ambos relacionados com o facto de, cá na Tuga, as coisas chegarem tarde mas quando chegam saltam logo uns quantos passos à frente. A luta por cá avança aos soluços.

    1) No caso de o conflito social, nas ruas, continuar a escalar, como parece que vai acontecer (não só pelas condições objectivas de isto onde vivemos se ir tornar cada vez mais um saco sem ar, mas também pelas condições subjectivas de “quem provou quer mais, e quem não provou não quer ficar de fora de todo este forró nas ruas”), a PSP, muito claramente, vai-se tornar uma força fascista de manutenção da ordem democrática. Ou seja, não só as torturas habituais dentro das esquadras vão continuar, como as cargas recorrentes, o uso de balas de borracha, o uso de munição “real” quando há uma mostra de resposta por parte dos seus opositores, o uso de ambas no meio de tráfego, o encerramento de partes inteiras não só de bairros, como de cidades, as detenções em massa, o impedimento constante de acesso dos advogados aos detidos ou destes a um telefonema, a conversa do “retido” vs “detido”, etc… tudo isto, que sempre foi feito mas à média luz e que hoje em dia é feito aos olhos de todos incluindo da tão sagrada câmara de televisão, demonstra que a PSP não terá qualquer problema em dar um tiro nos cornos de quem ousar furar os seus ridículos cordões para entrar no parlamento (a título de exemplo, claro; esse tiro poderá ser dado noutra situação qualquer).

    2) O que aconteceu no ano passado na Grécia, quando toda a gente tentava atacar o parlamento e as linhas do serviço de ordem da central sindical estalinista lá do sítio se juntaram às da polícia para defender o coiso e atacar (espancar) os atacantes com capacetes e paus. Isto aconteceu passados anos de motins, dezenas de greves gerais e centenas de manifestações com destruição de propriedade pública e privada. Por cá, 2 anos e picos de manifestações em massa mais recorrentes (calminhas, a maior parte) e meia dúzia de greves bastaram para que o serviço de ordem da CGTP espancasse quem tentasse entrar em manifestações “suas”, formasse linhas de contenção e isolamento de manifestantes não-homologados, colaborasse activamente com a PSP na identificação de “potenciais radicais”, rodeasse e vigiasse manifestantes fora do típico cgtpíano com bandeirola do sindicato (sendo muitas vezes difícil discernir quem é polícia à paisana de quem é camarada do serviço de ordem, não pelas pintas de gorila, mas pelas atitudes e comportamentos), e formasse linhas de defesa frente às grades que protegem a escadaria do parlamento. Ou seja, falta muito pouco para que o serviço de ordem da CGTP comece a dar na boca à cara podre de quem ousar perturbar os seus comícios para entrar no parlamento (a título de exemplo, claro; essa agressão poderá acontecer noutra situação qualquer).

    Apesar de tudo, feliz 2013 para os que estão do lado de fora das muralhas!

  3. Pingback: O balanço do ano e os desejos para 2013 | Spectrum

  4. Esqueceste-te do agitar/activar, das papoilas do mel, do comichio internacional do be, das lideranças bipartidas acéfalas… e tanto de importante nos estados gerais das esquerdas.
    E ainda dos camaradas pis terem levado porrada da cgtp, que contribuiu decisivamente para uma união das esquerdas de esquerda.

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