Na direção do fim do trabalho…

Quando a necessidade de mudar o paradigma teórico sobre a centralidade do trabalho se confronta com a resistência ao fim do trabalho.

10 thoughts on “Na direção do fim do trabalho…

  1. A camarada Shift acordou cheia de bom humor esta manhã. E quando alguém faz greve (ou seja, se recusa a trabalhar) em defesa do seu posto de trabalho, isso implicará porventura que está a resistir a si própria?

  2. O que me conforta é de saber que estamos na mesma linha de pensamento. Mas preciso de mais precisoes no teu comentario para elucidar aqui umas duvidas que sevirao de “déclencheur” do meu raciocinio… Foste tu que me deste o bom humor nesta jornada de trabalho !

  3. Bom, assim de repente, eu diria que “defender” um posto de trabalho costuma equivaler à defesa de um conjunto de direitos, garantias e condições arrancados ao patronato. Como a maioria das pessoas não vive do ar nem se governa com couves e batatas, perder esse posto de trabalho implica geralmente ir em busca de outro em piores condições, ser mais explorado, não poder dizer que não. De resto, o desemprego é uma categoria e uma condição social que só faz sentido no quadro de uma sociedade organizada em torno do trabalho assalariado, onde o conjunto das relações sociais se vê subordinado à produção mercantil e à valorização capitalista. A luta contra o trabalho não é uma apologia do desemprego generalizado, mas a superação tanto do trabalho como do desemprego enquanto formas de organização do tempo de vida.
    O que os operários da PSA defendem não é o seu trabalho, é o seu salário.

  4. “A luta contra o trabalho não é uma apologia do desemprego generalizado, mas a superação tanto do trabalho como do desemprego enquanto formas de organização do tempo de vida.”
    Fica por esclarecer qual seria a forma de organização do tempo de vida… auto-gestão da miséria? Isso já existe, mesmo com o o trabalho/desmprego.

  5. É uma manobra minha, deixar tudo por esclarecer para surpreender tudo e todos quando chegar a altura de revelar o meu superplano para a abolição do trabalho. Nada será como dantes.
    Aliás, é conhecida a capacidade das caixas de comentários dos blogs em geral (e do spectrum em particular) para gerar respostas derradeiras e infalíveis aos grandes problemas com que se confronta a humanidade. Não desapareças, que não tarda nada vou revelar a receita para garantir orgamos múltiplos e para cozinhar um bacalhau com natas que vá lá vai.

  6. Se bem compreendo, entao, o problema dos operarios PSA nao é o trabalho, mas sim o salario. Dos operarios, e nosso também… visto que estamos arraigados na tal sociedade organizada em torno do trabalho assalariado de que falas. Mas isso jà sabiamos desde a leitura marxista, segundo a qual a partir do momento em que o operario vende a sua força de trabalho por um salario, fica à mercê de quem paga esse salario. Ou seja, nao é escravo por um fio.
    Por isso jà estou como o Rick Douce… como repensar outras formas de organizaçao ? A realidade de facto tem nos mostrado que a dupla emprego/desemprego jà nao dà em nada… mas através de que meios podemos valorizar por exemplo os tempos livres ao mesmo nivel que o trabalho produtivo? Socialmente é possivel… e tem se andado nesse sentido… claro começando pelas elites que têm como adquirido a estabilidade economica… Os outros rastejam com medo de um dia ter fome !
    Dito isto, partilho da visao extremamente pessimista mais conhecida na area… a da Arendt… como abolir a sociedade de trabalho assalariado, se se conseguiu construir uma sociedade de trabalhadores, abolindo toda e qualquer capacidade de compromisso em actividades através das quais valeria a pena conquistar essa liberdade?

  7. Não me parece que seja de valorizar os tempos livres face aos tempos produtivos, mas de pôr fim a semelhante distinção e libertar o tempo de vida do tempo da valorização mercantil. É extremamente simples e extremamente complicado (a definição de comunismo presente na peça de Brecht «A Mãe» é “uma simplicidade difícil de fazer”), mas não se resolve elaborando a teoria perfeita para depois então passar tranquilamente à acção. Já não seria mau, enquanto programa mínimo, combater a ética do trabalho que permeia a esquerda e a banalização de termos como «produção nacional». Nota que uma luta pelo «pleno empregue», assente no objectivo de reduzir generalizadamente o tempo de trabalho individual para o repartir por mais pessoas, pode ser levada a cabo (ainda que não seja claro até que ponto) com um discurso contra o trabalho.

  8. Eu receita do bacalhau com natas já tenho. Preferia uma coisa mais do povo (trabalhador ou não) como sopa alentejana. Se tiveres avisa.
    O problema é quanto a mim exactamente essa falta de visão pragmática de como mudar a sociedade “esclavagista do trabalho/desemprego”. Não há receitas feitas mas também não se sabe o que se pretende “comer”. Quando a discussão sobre o tema se barrica na “auto-organização” per si ou na “okupação” de espaços, e por muito meritório e intressante que seja o projecto concreto, não adianta muito para a visão de sociedade.
    Pior, esse discurso marginalmente evocativo do paraíso na terra lembra-me sempre “os amanhãs que cantam”. No fundo repetem-se os erros da esquerda iluminada e não-pragmática.
    E com isto tudo os pulhas vão cantando e rindo. E explorando os outros na sua estabilidade económica que a Shift refere.
    E não espero nada do spectrum.

  9. Esta polémica tinha resolução simples. Bastava perguntar a quem canta se, tendo salário, queria o trabalho para alguma coisa. É preciso fazer isso, shift?

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