O movimento social vai nu

No jornal I de ontem saiu um artigo pidesco sobre o QSLT. O artigo surge em grande parte enquanto tentativa de descrédito da “plataforma”, sugerindo que afinal este é dirigida por uma espécie de maçonaria de esquerda e que a presença de militantes e dirigentes partidários de certo modo macula as suas pretensões de inaugurar novos modos de participação política. As alegações venenosas e muitos factos errados provocaram, justamente, bastante indignação entre os participantes e simpatizantes que afirmaram rapidamente que a desqualificação de alguém pela sua pertença a partido de esquerda era algo politicamente bastante dúbio. Já relativamente ao resto das acusações não vi ninguém contestar ou ficar ofendido pela sugestão: que o QSLT se tinha constituido enquanto forma de conduzir o conflicto social às urnas e que apesar do seu cunho de novo “movimento social” funcionaria através de um bastante exclusivo centralismo democrático informal.

Ora o artigo sai um dia depois de um livro em que umas das pessoas visadas enquanto “lider” no artigo nos dá a sua narrativa outono quente de 2012. Na mini-biografia final o autor diz que a sua actividade política consiste em ser dirigente de um movimento de precários. Esquece-se de dizer que também faz parte da mesa nacional do Bloco de Esquerda e que todos os membros desse movimento de precários são militantes ou dirigentes do BE que se gabam publicamente de, enquanto BE, controlarem o QSLT.

Quantas vezes no spectrum e em outros locais foram levantadas estas questões? inúmeras. Foram sempre insultadas enquanto tentativas de abanar gratuitamente o barco, de inventar guerrinhas, de sabotar o movimento quando este precisa de união, encaradas enquanto reveladoras de um profundo sectarismo, mau génio e fraca higiene pessoal.

O resultado é óbvio: Quem recusa encarar as suas próprias questões abre o flanco para que os outros as encarem contra ele.

23 thoughts on “O movimento social vai nu

  1. Não fui convidado para o projecto original do QSLT, mas viria a ser convidado para subscrever a convocatória do 2 de Março, aceitei nessa altura integrar o coletivo, sempre estranhando e questionando o porquê de um grupo fechado por convite. Sou portanto, agora, “membro” do QSLT, embora não tenha ainda podido participar tanto quanto gostaria. Mantenho a crítica e tenho de subscrever este texto.

  2. o mais estranho é que o NRA é um dos manda-chuvasdo jornal I… fico sem perceber se ele gostou da peça (colaborar, colaborou respondendo àS perguntas a título “pessoal”)…?

  3. O anónimo está mal informado e está a ver a conspiração onde ela não está. Procurar arranjar um bode espiatório no elemento do qslt que pertence ao jornal é brutalmente injusto. Uma coisa é o local laboral de cada um e outra é a posição política que cada um toma na sua vida. Misturar isto é desleal, imagino que não deva ser uma posição fácil para o visado. Daí até liderar a intentona…

  4. Mal informado? é do conhecimento bastante público que o NRA é simultaneamente editor político do “I, o tal “líder” autoproclamado do QSLT que vocês citam e que tb colaborou na citada peça.

    Niguém disse que que as “posições” eram fáceis… mas ainda me lembro quando o spectrum zurziu (e com razão!) sobre aquele redactor do 5 dias que se tinha tornado assessor do governo… Aí viram as justas “contradições” entre
    a “esfera do local de trabalho” e a “esfera do do activismo político”…

    Claro que o NRA é um “peso-pesado” e o respeitinho é muito bonito… de qualquer forma não se trata de insinuações, mas do óbvio: NRA foi conivente com a reportagem e não se conhece nenhuma posição “pessoal” a manifestar desagrado.

    É chato? vocês é que puxaram o assunto…
    Saudações Libertárias, Poke

  5. Pelo contrário, não se conhece nenhuma posíção “pública” a manifestar desagrado, “pessoal” há quem conheça. E o “lider” obviamente que não é o NRA.

  6. ah sim? então torna claro o post que é pra gente não se equivocar.
    Mas pronto: vocês lançam merda no ventilador… depois admiram-se que a malta tire as devidas consequências… pois!

    PP: o porta-aviões está mesmo ao lado, mas tu resolveste atirar sobre o barco de 2 canos

  7. ó anónimo então o NRA lançou algum livro na quinta feira? é dirigente de algum colectivo de precários? faz parte da mesa nacional do BE? que eu saiba não. o teu problema, anónimo, é que aqui não joga batalha naval, aqui joga-se mastermind.

  8. Grande confusão . Quem escreveu o livro foi o NRA? Que eu saiba o NRA não é o dono do i. Não sei mesmo o que te faz pensar que ele orquestra a “coisa” ou que ficou feliz com o artigo. E por vezes um submarino é mais difícil de encontrar que o porta aviões. Mas esta lá

  9. Esse tal movimento de precários conta com militantes e dirigentes do BE, é certo, mas não só, terão de fazer melhor o trabalho de coscuvilhice do movimento social. Se o Spectrum quer ser a CARAS do movimento social é bom que saia fora da caixa e procure informar-se a sério, com papparazis e tudo, daria um certo jeito.
    Se há quem se gabe é uma coisa, se há quem controle é outra. Diria que no Spectrum todos querem contribuir para que o povo se levante e tome conta desta trampa toda, mas vejo poucas acções dos membros do Spectrum para que isso se torne uma realidade…assim deixam espaço aos controleiros…curioso não é?
    Realmente quem recusa encarar as suas próprias questões abre o flanco para que os outros as encarem contra ele, é que o Spectrum também vai nú, há muito tempo.

  10. O pessoal vai nu mas é para outros sítios fazer outras coisas. O spectrum não quer ser a CARAS do movimento social porque de outra forma só cá viriam cretinos fazer comentários.
    Pessoalmente não dou um tostão para esta conversa de quem controla o quê, quem integra o núcleo duro e quem financia as iniciativas de quem. O que tenho a dizer sobre o assunto digo-o abertamente: não precisamos de uma cúpula, por mais plural, bem intencionada e fofinha que ela seja, para fazer da rua um espaço temido pelos poderosos deste mundo; não precisamos de porta-vozes para tornar mais clara a «nossa mensagem»; não precisamos da esquerda para ser melhor governados. Tudo o resto são coisas que os próprios integrantes da coisa devem resolver/encarar/reflectir.

  11. A questão é que para a minha actividade política não uso o meu verdadeiro nome Michael Jackson de Party Program, e portanto não reconheces o meu nome nos abaixos-assinados.

  12. Tamos ctg rick , tem mais poder um loukanikos que esses caralhos todos. Artaud

  13. Ficamos com duas certezas:

    – o Rick quer a rua temida pelos poderosos mas prefere ir nú para outros sítios, é que dá muito trabalho mobilizar as massas, ao menos a esquerda desnecessária tenta, com defeitos, mas tenta;

    – o nome verdadeiro do PP é Michael Jackson de Party Program, e pelos vistos, ao contrário do que diz o jornal i, a única forma de fazer política que ele conhece é assinando abaixo-assinados;

    – o PP também acha que ninguém sabe quem ele é, tem-se em pouca conta, mas na realidade há muito boa gente que sabe mas está-se cagando, porque apesar de andar por aí todo nú com o Rick a amedrontar os poderosos, apenas leva consigo uma caneta para assinar os ditos abaixo-assinados que fundarão a Comuna da Berlengas.

    Agora vou até à rua assustar os poderosos, mas vestido, que sou um reformista e não quero o poder na rua…que nojeira que isso era…

  14. Os tipos do spectrum não fazem nada mas já o camargo aparece em todo o lado.
    Ficam sufocados pela falta de democracia, o timoneiro retira toda a possibilidade de aparecerem e de respirarem.
    Assim vamos lá, então não vamos.

  15. Não vamos lá nem com spectrums, nem com camargos, nem com nintendos, nem mega drives, mas se fossemos unidos como os dedos da mão (citação luso-soviética do poeta), eramos capazes de comer minuins regados com tremoços dentro de São Bento antes do Verão. Mas eu percebo que seja difícil, é como dizia o sábio Marilyn Manson: I wasn’t born with enough middle fingers.

  16. “Pessoalmente não dou um tostão para esta conversa de quem controla o quê, quem integra o núcleo duro e quem financia as iniciativas de quem. O que tenho a dizer sobre o assunto digo-o abertamente: não precisamos de uma cúpula, por mais plural, bem intencionada e fofinha que ela seja, para fazer da rua um espaço temido pelos poderosos deste mundo; não precisamos de porta-vozes para tornar mais clara a «nossa mensagem»; não precisamos da esquerda para ser melhor governados. Tudo o resto são coisas que os próprios integrantes da coisa devem resolver/encarar/reflectir.”

    concordo com isto tudo, mas isso não abafa a mentira que está no texto. nem todos os membros do grupo de precários são do BE – e não é preciso muito para o descobrir.

  17. Dou de barato que há membros dos precários inflexíveis que não são do Bloco de Esquerda e que não há mal nenhum em ser do Bloco de Esquerda.
    Mas isso parece-me secundário. O que aqui se sublinha é que há algum desconforto em assumir que os precários inflexíveis surgiram de uma iniciativa de militantes do Bloco que participavam no Mayday. E uma tentativa de encenação movimentista que tem o seu ponto alto no momento em que se anuncia uma reunião entre deputados do Bloco e dirigentes dos PI para «trocar pontos de vista sobre o problema da precariedade». É que nem sequer é grave ou errado. É simplesmente ridículo.

  18. mais ou menos certo.

    por um lado, é ridículo que não o assumam, o que resultando da ideia, também ela de ridícula, de que quem é militante de um partido não pode fazer parte de outras estruturas sob pena de as manobrar – como se para haver um condutor activo não fosse necessário um veículo passivo – acaba por aprofundá-la, e isto quando o movimento deveria ser o oposto.

    por outro, não percebo qual o problema do anúncio e por duas razões: a primeira já foi dita, se não são todos do BE, normal será que a haver contactos tenham sido minimamente acordados com quem dentro do PI não é; a segunda, porque apesar de tudo – e precisamente por aquela ideia ridícula de que não se consegue estar em dois sítios diferentes consciente das especificidades de cada um deles – se o PI e o BE forem duas coisas diferentes é portanto normal que anunciem que entram em contacto. mal é que outros partidos não o façam, como deviam fazer com qualquer um.

    e ainda acrescento outra, com a falta de pluralidade informativa que todos conhecemos, anunciar um encontro com um partido político com acento parlamentar é uma forma de abrir a brecha nos meios de informação. ou isso, ou pedir ao gajo do livro num poste abaixo que faça campanhas com o PI. ou isso, ou chamar o miguel gonçalves a custo zero.

  19. Parece-me claro que a lógica será essa, a da brecha informativa. Mas se já tacticamente me parece dúbio esse total vergar às lógicas mediáticas, principalmente quando elas próprias já estão a rebentar pelas costuras, então num plano mais aberto a consequência é (a) óbvia: quem vive pelos média morre pelos média.

  20. Sempre adorei a esperança de mudar o que quer que seja sem que outros possam saber o que se passa ou que se vai fazendo ou que outros pensam – e sim, apesar de também estar farto de ver petições, manifestos e outros assinados sempre pelos mesmos, tenho que dar a mão à palmatória numa coisa: fizeram algo. e ainda mais, como nenhum de nós poderá participar em tudo e ter conhecimento de tudo, a comunicação é fundamental e não de um ponto de vista elitista, simplesmente porque é o que permite que eu saiba o que outros fazem ou pensam, concorde ou não. Aliás, nem percebo para que é que fizeste um comentário: quem vive pelos comentários, morre pelos comentários. é uma assunção tão válida como a tua.

    Em todo o caso, não percebo porque usar meios de comunicação seja vergar-se a meios de comunicação. Vergas-te se toda a tua acção se resumir a aparecer nas notícias, para isso mais uma vez tens o moço do livro uns postes abaixo. Como, ao que parece, a acção do PI não se resume a aparecer nas notícias – tens a lei contra a precariedade, as discussões no mob, os murais, a participação em manifestações, etc, etc – talvez seja difícil afirmar que vivem pelos média e que por eles morrerão.

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