“Um Piano nas Barricadas. Autonomia Operária em Itália (1973-1979)” de Marcello Tari II

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“Mas começam também a surgir outras figuras de explorados e exploradas que já não têm vontade de permanecer passivos no que toca à reestruturação da sociedade por parte do capital, como as empregadas dos grandes armazéns comerciais, que começam a reflectir sobre que diabo de trabalho era o seu em que deviam “sorrir” a toda a gente, antecipando por muitos anos e com um olhar bem mais crítico e combativo, as análises pós-modernas sobre os “afectos tornados trabalho”; ou os professores das escolas, que se vêm transformados em proletários intelectuais; ou ainda os técnicos industriais, para os quais uma alta qualificação, conseguida muitas vezes com grandes sacrifícios, correspondia a um “trabalho de merda”, desqualificado e aborrecido. Os estudantes começavam a pensar que não existia grande diferença entre a escola, a universidade e a fábrica e que portanto as técnicas de luta operárias poderiam e deveriam ser utilizadas nas suas batalhas: no fundo não era necessário um grande esforço de imaginação para compreender a escola enquanto fábrica, com os seus tempos, os seus departamentos, os seus dirigentes e os seus operários. No entanto, se em 1968-69 o fenómeno novo era constituído pelos estudantes que se aproximavam dos portões das fábricas, são agora os operários que aproximam de todas as formas de vida subversivas que habitavam a metrópole. A partir destes encontros nascerá a experimentação de uma vida mestiça, inteligente e particularmente dotada de uma força de contágio incontrolável.”

“Para o Movimento dos anos Setenta, contudo, as coisas nunca foram mecânicas e não bastava certamente um alargamento quantitativo das figuras e territórios do trabalho para produzir uma deslocação das lutas, era necessário dar um salto qualitativo enorme, que não correspondesse a uma requalificação das velhas lutas e dos novos sujeitos num novo molho, mas sim a uma ruptura que permitisse o reconhecimento de uma nova realidade ética metropolitana na qual já não havia lugar para as ladainhas marxistas-leninistas ou para o anarquismo de antanho. A questão era novamente (e ainda é), por um lado, como é que seria possível que as novas figuras sociais criadas dentro e contra o desenvolvimento recusassem e destruíssem não só o capital mas a si próprias enquanto parte do capital, ou seja, que se negassem enquanto sujeitos, deslocando assim novamente o conjunto das lutas e, por outro, questão fundamental, como construir uma organização das autonomias capaz de assumir o confronto com os aparelhos do Estado. Já não se tratava, com pretendia o operaísmo, de lutar “dentro e contra”, estava na hora do “fora e contra”. Em 1977 tentou-se dar o salto.”

BREVEMENTE E SEM PREFÁCIO DE BOAVENTURA SOUSA SANTOS!

5 thoughts on ““Um Piano nas Barricadas. Autonomia Operária em Itália (1973-1979)” de Marcello Tari II

  1. Mas já pediram ao JPP? De que estais à espera? espero que isso vá para pdf, que é para não ter que ir passar as horas de almoço na FNAC! ;)

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