Projectos inúteis no Mundo – Desinformémonos

http://desinformemonos.org/

Fui dar ao site desta revista comunitária através do nome da sua editora, Gloria Muñoz Ramirez, autora de 20 y 10: El fuego y la palabra, que andei a ler por estes dias que medeiam entre o aniversário da formação do EZLN e do levantamento zapatista e que foi editado faz precisamente 10 anos por ocasião das referidas efemérides. Há uns dias atrás, lançaram este pdf, com tradução em vários idiomas (aqui em português) cujo tema me pareceu interessante. Os textos são curtos, são praticamente pequenos resumos, mas no final de cada um estão os links para as reportagens completas e mais informações sobre cada caso em particular. O site, este pdf e o livro dela são bastante recomendáveis a quem apoia o que vem de baixo e à esquerda. Segue o editorial:

ZAD

Ninguém lhes pergunta se querem ver uma estrada atravessando sua
floresta; se decidiram que seu povo seja inundado por uma represa;
se é urgente que as mineradoras levem o outro e a prata extraída dos
seus lugares sagrados; se é do seu desejo que um trem passe e destrua o seu vale, a toda velocidade; ou se faz falta ter um novo aeroporto sobre os seus cultivos; tampouco há a escolha entre o vento e a produção de energia da qual sequer se disfruta. A consulta, que além de ser um direito é um dever, simplesmente não existe quando chega uma empresa transnacional, sempre com o apoio dos governos da vez, e impõe uma forma de ver o mundo na qual o outro, a outra, e seu entorno, simplesmente não existem.

Escoltados pela palavra “progresso”, centenas de megaprojetos inúteis se impõem no mundo. Um Trem de Alta Velocidade no Vale de Susa, na Itália; uma hidroelétrica em Belo Monte, Brasil; um aeroporto em Notre-Dame-des-Landes, França; hotéis e campo de golfe nas ilhas de Las Perlas, em Panamá; minas no território wixárika do México e em Famatina,na Argentina; o agronegócio em Moçambique; uma estrada sobre um bosque russo ou empresas petroleiras sobre terras cultiváveis na Nigéria; até mesmo uma Cidade Modelo em território garinagu, em Honduras; os exemplos são somente parte do leque que compartilhamos com vocês nesta segunda etapa da nossa Revista Comunitária Desinformémonos.

Em cada uma das experiências, a constante não é somente a barbárie, mas o empenho dos povos para rejeitar projetos que não pediram, dos quais não necessitam e que não fazem parte da sua vida. Bloqueios às construções, marchas, atividades artísticas, piquetes e barricadas são algumas das manifestações para impedir que sejam levados a cabo. A autonomia é uma das respostas para enfrentar a investida com outra forma de organização local que coloca em evidencia a inutilidade dos megaprojetos impostos.

Distribuído em espanhol, russo, inglês, francês, italiano, alemão e
português, com um olhar global e comunitário, este número da Revista
Comunitária Desinformémonos é o nascimento de uma nova etapa deste projeto de comunicação de baixo e à esquerda.

Desejamos que seja útil.

3 thoughts on “Projectos inúteis no Mundo – Desinformémonos

  1. O CAV no Vale de Susa é inútil, pois claro. Já as duas auto-estradas paralelas que o atravessam säo necessaríssimas!

  2. O Museu dos Coches “novo” a aberrante e criminosa apropriação do espaço público ribeirinho junto ao Museu da electricidade em Lisboa, para a pseudo fundação EDP, etc

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s