De forma decisiva…

“Os militantes do Bloco de Esquerda no movimento dos precários contribuíram de forma decisiva à mobilização do 12 de Março de 2011 (onde mais de 400 000 pessoas desceram as ruas através de todo o país contra o desemprego e a precariedade) acrescentando-lhe mobilização e expressão política. Estivémos também presentes nas Acampadas de Lisboa e Porto, que juntaram centenas de pessoas e que para muitos deles/delas, representaram um despertar político maior”
Ricardo Moreira, precário português

Movimentos Cívicos: O realismo de exigir o impossível versus a utopia de pedir o possível

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Movimento cívico, democracia directa, desobediência civil, participação activa. Toda uma panóplia de conceitos que voltam à luz do dia, por via das indignações europeias ou das primaveras árabes.
No dia 4 de Maio de 1961, 6 anos depois da célebre tomada de posição de Rosa Parks, e alguns meses após a decisão do Supremo Tribunal de banir a segregação racial nos restaurantes e salas de espera dos terminais de autocarros em todo o país, sai de Washington o primeiro dos autocarros que ficaram conhecidos como Freedom Riders. Grupos de estudantes, brancos e pretos, nos mesmos autocarros que desafiavam o sul racista onde a lei de um tribunal pouco podia contra a herança da guerra da secessão. Não era sequer um acto de desobediência civil, no sentido em que a lei já estava alterada. Era apenas uma forma de dar visibilidade a uma injustiça clara, contínua e desumana. A oposição foi forte, autocarros incendiados, espancamentos brutais, e apesar da legalidade do acto em si, quase todos conheceram pela primeira vez a prisão.
É apenas um exemplo, como tantos outros poderiam ser enunciados, de quando a sociedade civil tentar ter uma voz activa na mudança. Dia 15 de Outubro há uma nova chamada para a rua, e a um mês dessa chamada queremos discutir essa influência que podemos ter, a melhor forma de a abordar, o posicionamento em relação ao activismo cívico e a nossa capacidade de mobilização. Convidamos assim todas as organizações que subscreveram o manifesto do 15 de Outubro, bem como todos os que pensem ou não participar nesta próxima tentativa de trazer a democracia para a rua, a ver o filme e a debater todas as questões sobre os movimentos cívicos que têm vindo à tona nestes últimos meses.
Será também projectado o filme Freedom Riders produzido pela cadeia de televisão pública americana PBS, sobre o movimentos dos direitos civis dos anos 60 nos Estados Unidos.
http://en.wikipedia.org/wiki/Freedom_riders
Filme mais jantar – 20h
Debate – 22h

O impasse do presente

A esfera da representação política fecha-se. Da esquerda à direita, é o mesmo vazio que toma, alternadamente, a forma de cão de guarda ou ares de virgem, os mesmos técnicos de vendas que mudam de discurso conforme as últimas descobertas do departamento de comunicação. Aqueles que ainda votam parecem ter como única intenção rebentar com as urnas, à força de votarem como puro acto de protesto. Começamos a pensar que é efectivamente contra o próprio voto que as pessoas continuam a votar.
Comité Invisible, L´insurrection qui vient, 22/03/2007
O impasse do presente, a que corresponde o fechamento da representação política, determina uma atitude que poderia ser assim definida: é contra o voto que se continua a votar. Nos movimentos dos jovens e dos “precários”, dificilmente encontramos uma linguagem que aponte para uma nova ordem. E é preciso perceber que os limites da ação política são os limites da linguagem. Desde logo, o termo ‘precário’ significa uma definição em relação à esfera do trabalho, uma reverência à ordem do mundo que chegou ao fim, mas a cuja salvação se entrega hoje um exército de alcance universal. Como o homeostato de Ashby, essa máquina funciona apenas para se alimentar a si própria, assim é o sistema paradoxal de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, de uma multidão de supranumerários que representa um perigo enorme: o de sabotar a máquina, deslumbrada com o seu próprio mecanismo.
Na mobilização geral pelo trabalho, reforça-se uma evidência que seria, pelo contrário, necessário abolir: a de que não há outra maneira de existir senão trabalhando. De tal modo que trabalhar, hoje, corresponde menos a uma necessidade económica de produzir mercadorias do que a uma necessidade política de produzir produtores e consumidores. A produção tornou-se sem objeto. A figura de Bartleby, o escrivão de Melville que respondia às ordens para trabalhar com a fórmula “I would prefer not to”, poderia servir de inspiração para desativar o sistema laborioso que suscita tanta mobilização: dos que o defendem para que nada se passe e dos que o atacam por ele se ter tornado tão exclusivo. E se, em vez da mobilização total com a qual se glorifica o trabalhador, que foi uma figura tanto do fascismo como do comunismo, o novo exército de não-trabalhadores recusasse assumir-se como multidão de desempregados e em vez de reivindicar o impossível gritasse em todas as praças “I would prefer not to”?

António Guerreiro, Expresso, 04/06/2011

Amanhã na Severa, Quarta no RDA69

ÀS 21h COM JANTAR ÀS 20H EM AMBOS OS LOCAIS
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Two hours with Ben Morea and Dave Wise:
Ben Morea was fantastic listening for anyone of my age. Modest, funny, self deprecating but poltically astute. He coveredeveryone from Abbie hoffman to valerie Solanos and H Rap brown. After the murder of the panthers fearing for his own life he’d fled into the forests for 35 years. Two things stood out. The Motherfuckers were slated by radical artists for being too interested in politics and by polticos for being too interested in art. But Ben wanted a total revolution – an all embracing group of the kind you don’t get anymore. they recfused to be pigeon holes – they wante ‘the totality for kids’ Ben was also very warm and generousspirted to people he disagreed with. He’s say how much he disagreed with say Abbie hoffman and then dd disarmingly ‘i loved him’ Maybe that generosity could be replicated now. He also dismissed the ‘dogma’ of the situationists saying the Motherfuckrs wanted to fuck things up not wallow in dogmatic pronouncements. ‘I’m the only person to be expelled from the SI who was never a member in the first place’ he said.he also spoke touchingly about the waifs and strays and nutters who the Mothefucker family took in and looked after ‘it was a violent place the lower east side’ he reminded us. One such was Valerie Solanas who had shared a house with Ben and who later applauded her assasinaton attempt on warhol – ‘thats when the art radicals fell out with us’ he laughed. Someone asked him ‘What do you think of Banksy?’ Ben looke quizzical not understanding the queston….He’d never heard of Banksy.

Mantenham-se atentos aos sinais do tempo


“O agente foi acusado pelo Ministério Público (MP) de homicídio qualificado, mas o colectivo de juízes, presidido pelo magistrado Jorge Melo, decidiu alterar a qualificação do crime para homicídio por negligência.
O MP, que pediu nas suas alegações finais a absolvição de homicídio qualificado, continua a pedir a absolvição face à nova qualificação do crime.”

“Segundo o acórdão, ao ver a vítima levantar os ombros e, face às expressões proferidas e à postura ameaçadora, o agente julgou que esta tinha uma arma de fogo que se preparava para utilizar, pelo que puxou da sua arma de serviço e “disparou três tiros, os dois primeiros para o ar e o terceiro para o ombro da vítima”, que acabou por determinar a sua morte.”

Mais jardins, menos molduras

Aquela foto não diz nada sobre o Rossio nem sobre o que de lá poderá ou não sair mas diz muito sobre a Fernanda Câncio e as suas escolhas. ela é livre de mostrar a sua face e assim o fez, deixando pouca margem para dúvidas, o que é louvável e deve ficar na nossa memória. da minha parte acho que não se deve dar tanta importância ao post mas alguns dos comentários e discussões que dali brotaram são mesmo flores num monte de lixo. não querendo menosprezar todos os que se esforçaram em tentar algum tipo de diálogo no meio daqueles comentários irónicos cheios de bom humor e que devem ter sido ensinados na assembleia popular de um qualquer guru da auto-ajuda, e por favor não estraguem toda aquela alegria, acho que esta frase da Joana Manuel deve ocupar um lugar mais alto: “Eu prefiro regar cravos do que secá-los e pendurá-los na parede em molduras. Mas vocês é que sabem… façam bom-proveito.”
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(para além dos livros, podemos ter catapultas de cravos, A.? senão talvez uma ramazinha de jacarandá, para a praça ficar muita bonita)
Entretanto, e agora falando de coisas um pouco mais importantes, parece que em Madrid ocorreram mais de 120 assembleias. Que em cada bairro haja uma assembleia popular é uma ideia que há escassos meses seria apontada como o extremo do radicalismo anarco-comunista e tratada com a condescendência própria de quem só observa o que tem à frente dos olhos e nunca conseguirá imaginar algo que não lhe caia à frente. Talvez este movimento não venha acompanhado do fragor de uma panela de pressão prestes a rebentar. Talvez mesmo tudo isto esteja a ser encarado como um bom escape para uma geração que já não o via em lado algum, e esteja a ser alvo de alguma complacência. Mas de uma coisa podemos ter a certeza. Com a multiplicação de assembleias por cada bairro, vai ser difícil à polícia espanhola imitar o trabalhinho dos seus colegas franceses, ontem, em Paris:

http://madrid.tomalosbarrios.net/

¿Democracia verdadeira já ou FMI fora já?

Uma importante reflexão sobre as assembleias do Rossio, via http://elburdeldeldelirio.blogspot.com/
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La asamblea de ayer, martes 24 de mayo, sigue la línea de las anteriores y la intensifica. El tema estrella, lo más importante, es el FMI y no pagar la deuda, por eso he titulado este texto con esa disyuntiva: ¿Democracia verdadeira já ou FMI fora já? Porque las asambleas no se están centrando en la raíz del problema, que es el mismo funcionamiento del sistema democrático actual, ni se están haciendo planteamientos ni propuestas para cambiarlo y conseguir que haya una representación real de los ciudadanos y tenga lugar una participación activa de los mismos. No. Las asambleas se están centrando, casi en exclusiva, en la deuda y el FMI, pero es que este movimiento en Lisboa está viciado desde su inicio, desde el jueves 19M, cuando en la I Assembleia un grupo de portugueses se hizo cargo de impulsarlo. Analicemos unos cuantos hechos incontrovertibles:
El Manifiesto dedica casi la mitad de su texto al FMI: 11 líneas de 29, y en el resto de líneas apenas se contiene una referencia no muy directa de la intención de luchar por una participación activa en la vida política (“Pretendemos assumir o controlo das nossas vidas e intervir efectivamente em todos os processos da vida política, social e económica”) y una crítica a la manipulación realizada desde los mass media.
El himno ‘oficioso’ de Rossio tiene cuatro líneas, y una de ellas apunta a la deuda y el FMI: não devemos nada.
Se ha incorporado como grupo de trabajo -y, según me pareció ayer, es de los más numerosos, porque ya estaba formado antes del inicio de este movimiento- el Comité contra o pagamento da dívida pública (aquí su blog).
El movimiento está encabezado por unos líderes que están lastrados por una fuerte carga política e ideológica, hasta tal punto que plantean -y la asamblea calla- la intervención en el movimiento de partidos políticos y sindicatos, que son los que han conducido al pueblo portugués a su situación actual. Permitirlo equivale a suicidarse.
La mayor parte de las intervenciones en la asamblea giran en torno a la deuda y el FMI. Las asambleas se están convirtiendo en monotemáticas y empiezan a ser bastante aburridas. Atentos a las intervenciones que se produjeron ayer (no voy a hablar de la tipa que iba colocada y salió a hacer el gilipollas y el ridículo; está muy bien que todos tienen derecho a hablar, pero si una persona está colocada lo único que hace es hacernos perder el tiempo a todos, así que la organización debería tomar medidas contra la estupidez).
En primer lugar, los grupos de trabajo expusieron brevemente las tareas que están realizando. Bien.
Destaco la intervención de João, una de las pocas que me pareció lógica y razonable: habló contra los radicales -en el sentido de la gente que está radicalizando ideológicamente este movimiento hacia la izquierda-, la manifestación que se acordó de forma precipitada y mal votada porque ya había poca gente cuando se votó, y señaló, con respecto al tema de la deuda y del FMI, el desconocimiento general de la mayoría de la gente que sale a insistir en el tema. Sin embargo, pese a ser una de las intervenciones más lúcidas, porque pretende ser INCLUYENTE, INTEGRADORA, y NO EXCLUYENTE, la inmensa mayoría de gente que salió a hablar se opuso a esta intervención:
Un profesor apoyó la manifestación porque fue democrática su votación. Yo recuerdo que la manifestación la propuso un tipo un día, la gente dijo que no, y al día siguiente se volvió a proponer y se aprobó por mayoría (mayoría de un grupo de 400 personas).
Un chaval dijo que la gente que hay aquí, en las asambleas, representa a buena parte del pueblo portugués, algo, a estas alturas, bastante discutible. Las asambleas, de momento, no congregan a más de 500 personas (el sábado eran 350, contadas). Recuerden que el área metropolitana de Lisboa tiene 2.700.000 habitantes, así que la gente que hay ahí reunida representa al 0.018% de Lisboa. El 0.0044% de Portugal.
Un tipo dijo que todos tienen derecho a estar aquí, y citó a marxistas, trotskistas y anarquistas. Se le olvidó citar a fascistas y demócratas. ¿Alguna duda con respecto a la línea ideológica defendida? La mención de marxistas y trotskistas me trae a la memoria las menciones de la menina de marras sobre la revolución socialista, la lucha de clases y las asambleas contra la burguesía.
Otro chico comentó que esto, estas asambleas, tal como están configuradas ahora mismo, nunca serán representativas de un país, y habló sobre terminología e ideologías. Fue otra de las intervenciones más acertadas.
Una chica anunció que hay dos casas de banho por cortesía de un sindicato. Un sindicato haciendo favores. ¿No sabéis que los favores se cobran?
Un gallego habló sobre la corrupcion de los de arriba (políticos, banqueros…) y de los de abajo: comerciantes que no declaran impuestos, personas que alquilan cuartos y no declaran los ingresos… Esa corrupción de los de abajo no se debe perder de vista. En España, que es lo que conozco, es brutal.
Un par de personas dijeron lo mismo: que radicales eran los bancos y el FMI y los políticos, etc., etc. Demagogia barata que desprestigió las palabras de João, infinitamente más interesantes que estas intervenciones vacías: Cristina habló sobre el término radical, proponiendo un debate sobre la democracia representativa sin miedo a radicalismos. A mí me parece bien la propuesta, pero…, bueno, luego comento la cuestión.
Manuela, de 52 años, desempleada, invita a la gente a que venga a Rossio.
Un chaval salió con The economist y leyó un fragmento de un artículo sobre la deuda portuguesa: “es mejor no pagarla”. Ovaciones y aplausos. (Aunque, me planeto, hacer caso de este medio de comunicación va contra lo que se proclama en el manifiesto: la manipulación que se realiza desde los medios de comunicación…)
Sofía, profesora precaria: a dívida não é nossa, y si queremos no la pagamos.
Una española, recién llegada de Puerta del Sol, dijo que le daba mucha pena ver lo que estaba pasando en Rossio, que en España se tiene muy claro que en este movimiento no pueden entrar ni partidos políticos ni sindicatos, y que eso se cumple a rajatabla, por eso el movimiento en España está funcionando y puede ser algo magnífico que consiga una reforma de la situación política actual, empezando por la ley electoral y siguiendo por las propuestas que podéis leer aquí. En España se están sacando de las páginas webs de partidos políticos y sindicatos las fotos de sus integrantes para impedir que se infiltren en el movimiento y lo hagan fracasar: preocupaos más de sindicalistas y partidistas que de la policía… (En Canarias la Policía Local se ha unido a los asamblearios.). Sin embargo, la gente de la asamblea de Rossio se quedó un poco descolocada ante la insistencia de que no entren en el movimiento ni partidos ni sindicatos: la gente no comprendía este punto, y al final aplaudieron porque la chica venía de la Porta do Sol, pero esta intervención de la chica española y la reacción de los asamblearios fue bastante ilustrativa sobre el problema que hay aquí en Lisboa.
Sólo he señalado algunas de las intervenciones y no en su totalidad. De momento, lo único real que hay en Rossio es el empecinamiento con el FMI y el no pagar la deuda. Tengo la fuerte impresión de que aquí, en Portugal, no se ha tomado consciencia de la línea de acción del movimiento en España, que es la que lo ha llevado a ser algo grande y potente, en el sentido de que tiene potencialidad para producir grandes cambios en nuestro sistema político.
Tomad nota: ahora mismo la Assembleia do Rossio es excluyente. No pasa de ser una reunión de gente de izquierdas que no quiere pagar la deuda, de modo que, si la línea de acción principal sigue siendo esa, debería cambiarse el nombre, suprimir democracia verdadeira já y utilizar el de FMI fora daqui ou qualquer coisa assim. Si a esta cualidad de excluyente le añadimos el hecho de que hay líderes que están fomentando la participación de sindicatos y partidos políticos en el movimiento, apaga y vámonos. El otro día una menina -la que cité en textos anteriores, la que hablaba de la revolución socialista- proponía poner un estand para que partidos y sindicatos dejasen su propaganda y sus revistas. Otro de los líderes reconoció ayer que pertenece a un sindicato. Esta mañana encima de una de las mesas que hay junto a los toldos había revistas y panfletos. El movimiento se está metiendo en un callejón sin salida y va a morir acorralado.
El gran problema es que la inmensa mayoría de gente que hay en la asamblea corea, ovaciona y aplaude, casi por inercia, cualquier eslogan contra el FMI y no tiene NI PUTA IDEA de qué trata el movimiento 15M o Democracia Real Ya. Es un movimiento incluyente, integrador. Para ello, es necesario renunciar a una parte de nuestro ideario político-económico, para llegar a acuerdos de mínimos, tratando cuestiones fundamentales con las que LA INMENSA MAYORÍA de ciudadanos esté de acuerdo. Quizá la inmensa mayoría de ciudadanos esté de acuerdo en no pagar la deuda al FMI, pero lo verán como lanzarle flechas al sol: inalcanzable. En cambio, el camino que se ha planteado el movimiento 15M en España es factible, realizable, y congrega a gente, a mucha gente.
De ahí que los radicalismos -tal como los entiende la mayoría de gente, fuera de cuestiones terminológicas que no aportan nada en este punto (port. radical < lat. radix)- sean malos compañeros de viaje, porque van a determinar que muchísima gente se quede fuera del movimiento este, que tiene una potencialidad brutal pero que, por obra y gracia de unos cuantos interesados, va a convertirse en ceniza, en humo, en polvo, en sombra, en nada.
Así que en Rossio hay dos alternativas: o se replantea seriamente la línea de acción, o se reduce todo al FMI fora daquí. Replantear la línea de acción implica enfrentarse a los líderes actuales, que van a negar cualquier liderazgo: “yo soy un ciudadano y tengo derecho, aunque pertenezca a un partido o a un sindicato”. Como la asamblea no tome una decisión seria enseguida, y por mucho que me duela, el movimiento en Rossio va a morir. Podrá continuar el campamento, pero no va a congregar, me da la impresión, a más gente de la que ya hay. Yo me estoy aburriendo bastante en las últimas asambleas. Esta tarde estaré allí, pero me temo que será para lo mismo: aburrirme oyendo proclamas contra el FMI y la deuda…
El 1 de mayo se hizo una manifestación contra el FMI organizada por sindicatos: CGTP, UGT. No digo que no sigan luchando contra la deuda: me parece estupendo que sindicatos y comités se dediquen a ello.
Lo que digo, lean con atención, es que ESTE MOVIMIENTO NO ES EL LUGAR ADECUADO PARA ESO. Este movimiento de Democracia Real Ya tiene unas pretensiones mucho mayores, y aquí, en Portugal, va a fracasar como sigan con la línea monotemática del FMI.
Lee y lucha.

REBELDES CONTRA O FUTURO? 200 ANOS DEPOIS DO LUDISMO

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Casa da Achada # sexta-feira, 20 de maio # 21h30 # entrada livre
organização UNIPOP e revista imprópria
(ver localização aqui)
com a participação de:
José Luís Garcia
Gualter Baptista
José Neves
Há duzentos anos atrás, durante o período da primeira Revolução Industrial em Inglaterra, emergia um movimento de artesãos têxteis que se opunha à introdução de maquinaria nos processos de trabalho. No âmbito de processos de industrialização que introduziriam alterações profundas nos seus modos de vida e deixariam sem trabalho os artesãos mais qualificados, o termo ludita cunhou um movimento que se inspirava em Ned Ludd, também conhecido por General Ludd. Embora não se saiba ainda hoje se Ludd foi ou não mais do que uma personagem mítica, a sua figura ficou associada à destruição de duas máquinas de tricotar na fábrica onde trabalharia, em resposta a uma repreensão patronal. Não obstante o movimento ludita ter sido desencadeado por artesãos, o termo «ludita» foi desde então retomado na crítica ao culto da tecnologia, do trabalho e do progresso. A Unipop e a revista Imprópria organizam um debate que discutirá a história do movimento ludita, os movimentos contemporâneos de acção directa contra a modernização capitalista – entre outros, movimentos antinuclear, de oposição à agricultura transgénica ou à patenteação de sementes – e os limites da ideia de progresso.

Hoje no Nimas – Black Panthers – All power to the people

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Na sessão de inauguração do ciclo contaremos com a presença de uma comitiva de Panteras Negras, disponível para falar sobre a sua experiência: EMORY DOUGLAS, Ministro da Cultura dos Panteras Negras; ROBERT KING, Pantera Negra, preso político na prisão de Angola – EUA ao longo de 27 anos em regime de solitária e BILLY X JENNINGS, Pantera Negra, historiador e responsável oficial do legado dos Panteras.
PROGRAMA
Quinta, dia 3 de Março, às 21.30
Sessão de abertura do ciclo com a presença dos convidados Robert King, Billy X Jennings e Emory Douglas
In the Land of the Free de Vadim Jean
Black Panthers – Huey! de Agnès Varda
O resto do programa e sinopses dos filmes aqui

A separação

“Nossos concidadãos tinham-se adaptado, como se costuma dizer, porque não havia outro modo de proceder. Tinham ainda, naturalmente, a atitude da desgraça e do sofrimento, mas já não os sentiam. De resto, o Dr. Rieux, por exemplo, achava que essa era justamente a desgraça e que o hábito do desespero é pior que o próprio desespero. Antes, os separados não eram realmente infelizes, pois havia no seu sofrimento uma luz que acabava de se extinguir. Agora, eram vistos pelas esquinas, nos cafés ou em casa dos amigos, plácidos e distraídos, e com um ar tão entediado que, graças a eles, toda a cidade parecia uma sala de espera. Os que tinham uma profissão, executavam-na ao ritmo da própria peste, meticulosamente e sem brilho. Todos eram modestos. Pela primeira vez, os separados não tinham repugnância em falar dos ausentes, em usar a linguagem de todos, em examinar sua separação sob o mesmo enfoque que as estatísticas da epidemia. Enquanto, até então, tinham subtraído ferozmente seu sofrimento à desgraça colectiva, aceitavam agora a confusão. Sem memórias e sem esperança, instalavam-se no presente. Na verdade, tudo se tornava presente para eles. A peste, é preciso que se diga, tirara a todos o poder do amor e até mesmo da amizade. Porque o amor exige um pouco de futuro e para nós só havia instantes.”
Albert Camus, A Peste, 1972