Não somos moscas e entrámos pela porta principal

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Fomos ao SOU no Domingo e ficámos a ouvir. Gostámos mais de uns que de outros, mas há caminhos que se fazem juntos. Subscrevo o manifesto e dia 2 de Março estaremos na rua. Que se Lixe a Troika, o Povo é Quem mais Ordena!

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Ateus, nós?


Fui falar com o Cristo negro da Irmandade dos Ciganos. Penitenciei-me por ser portuguesa, preguiçosa, procrastinadora. Penitenciei-me por ser «de esquerda». Penitenciei-me por querer uma revolução. Penitenciei-me por aplaudir o trabalho de alguns deputados da assembleia burguesa. Penitenciei-me por acompanhar e respeitar o trabalho dos camaradas da CGTP. Penitenciei-me por ser militante de um partido. Penitenciei-me por entender as razões dos que reagem com violência nas ruas a uma violência ainda maior que lhes é imposta pela ordem financeira. Penitenciei-me por entender os que não querem estar em partido algum. Penitenciei-me por acreditar na política e por acreditar em formas diversas de lutar por uma sociedade mais justa, por achar que se pode estar em muitos sítios ao mesmo tempo e com gente diferente. Penitenciei-me pela minha juventude e pelos meus privilégios de acesso ao debate e ao esclarecimento. Penitenciei-me pelo radicalismo e pelo reformismo, pela soberba e pela traição. Mais ainda, acreditar na unidade e que há uma linha muito clara que diferencia duas formas distintas de estar no mundo: a dos privilégios e a outra (a que que acredito ser a minha). E que para cá dessa linha devemos estar juntos, com tolerância, e lutar. Guardei a última penitência para a ideia de que há uma urgência na resposta à guilhotina que nos ameaça cortar as últimas das liberdades agora, e que essa ideia não compromete um projecto político de longo prazo. Expiados os pecados, não me restaram mais forças senão para apreciar a música. Sinto-me só, no meio da banda.

Morreu um filho da puta

Não me posso permitir a hipocrisia de lhe chamar outra coisa. Morreu de podre, sem julgamentos e na infame glória de ter passado impune por cinco décadas de vida política em que foi sinistro de Franco, responsável pela polícia e Ministro da Governação e sem que nunca ficassem esclarecidas as responsabilidades que teve em torturas, perseguições e fuzilamentos de presos políticos. Pai ideológico da pior canalha da direita espanhola, foi fundador do PP e orgulhosamente proferiu acintosas frases como esta: “Es evidente que el glorioso alzamiento popular del 18 de julio de 1936 fue uno de los más simpáticos movimientos político-sociales de que el mundo tiene memoria”. E assim se safou, à tangente, de ser julgado por crimes do franquismo. Fraga, não te sentiremos a falta.

Caralho dos Barbudos

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Estão de ressaca, ou quê? Neste blog a malta esquece-se de que já estamos em 2012. Há toda uma agenda para preencher e acompanhar! Esperemos que estas ausências se devam aos inadiáveis compromissos revolucionários do quarto escuro. Quem anda na rua sabe que há maçons em todos os quiosques, opus dei em cada esquadra, dois de cada em cada quartel. O grau de paranóia dá direito a ficha psiquiátrica. A ameaça paira mas movemo-nos ao ritmo de espasmos optimistas, reflexo das nossas expectativas para 2012 .
F-Key & Shift

Portugal, país bivalve

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Qual ameijoa na água, sem ameaças por perto, o país foi abrindo a concha aos estímulos nos últimos 37 anos. Não falo da União Europeia, apesar do Erasmus e outros afins terem levado a malta a viajar por aí, falar outras línguas, comer e beber noutros idiomas, namorar e sonhar com mais e melhor. Conquistaram-se direitos e acessos, melhor nível de vida e outras perspectivas que as gerações anteriores não tiveram. Tenho a sensação de que agora, que a ameijoa crescia em águas tépidas, uma corrente fria fechou-a de repente. Esta reflexão natural só porque já não sabemos onde ir comprar jornais. Estão a fechar os bons quiosques e queremos comprar El Jueves. Merda para isto tudo.

Well, if you say so…

“O empresário Joe Berardo defendeu hoje, em entrevista à Agência Lusa, que uma das soluções para Portugal sair da atual crise financeira passa pelo Governo ‘nacionalizar tudo e começar tudo de novo’.
Numa entrevista à agência Lusa, o comendador considerou que se perspetiva ‘um problema dramático nos próximos cinco anos’ para a economia nacional.
‘Estamos a brincar com o lume. Portugal está completamente endividado, ao nível do Governo, das empresas e privados’, opinou, acrescentando que o país ‘não se pode dar ao luxo’ de fazer exigências.”
in Expresso
http://aeiou.expresso.pt/crise-governo-deve-nacionalizar-tudo-e-comecar-tudo-de-novo=f593239

Desmoralização

“Este país, que querem fazer passar por agrícola, mas que não produz, sequer, pão, nem carne para a alimentação pública, e por industrial, mas que, em regra, produz caro e mau, é tributário de países estrangeiros por dezenas de milhares de contos, que representam o excesso das importações sobre as exportações (…). A situação da Fazenda Pública é gravíssima. O orçamento deste ano corre com um déficit de cerca de seis mil contos, acompanhado de uma dívida flutuante de oitenta mil. Tudo está hipotecado, desde o rendimento das alfândegas até aos últimos títulos emitidos pela Junta de Crédito Público(…) A assistência pública é rudimentar; a instrução pública em todos os seus graus é deficiente.(…) O direito eleitoral é uma burla, a soberania do poder é uma ficção e a independência dos poderes do Estado uma fantasia.”
Teixeira de Sousa, antes de ser último primeiro-ministro da Monarquia, 1910