Um ano com 40 horas

Faz hoje um ano que uma grande maioria de funcionários públicos começaram a fazer 40 horas de trabalho semanal. Um ano depois ninguém deste governo deve fazer ou querer fazer a mínima ideia da relação deste aumento de horas, a troco do mesmo salário, e o funcionamento da administração pública. Pouco ou nada importa em que é que este acréscimo de horas contribuiu para o a melhoria do funcionamento do Estado, ou seja, em que medida este aumento melhorou as nossas vidas (que é o mesmo que dizer o país, apesar do anedotário recente em torno da ignorância de que estas realidades coincidem). As escolas oferecem mais valências? Os tribunais avançaram os processos pendentes? As finanças tornaram-se mais expeditas? As bibliotecas abrem mais horas? Os hospitais e os serviços de saúde oferecem mais consultas mais operações? Maior horas de atendimento? A segurança social e o centro de emprego passaram a fazer as pessoas esperar menos e a resolver os pedidos que lhes chegam? Todos sabemos por demais as respostas.

Uma medida aprovada na AR por uma maioria parlamentar contra os votos dos restantes partidos, contra os parceiros sociais, todas as estruturas representativas dos trabalhadores, contestada nas ruas e nos ministérios. Uma medida imposta com esta arrogância sem ter bases que a sustentem ou suportem do ponto de vista do funcionamento ou benefício do Estado. Se dela não resulta nada em concreto ou em abstrato que se possa dizer a favor, o mesmo não podemos dizer do que isso significa de perdas incomensuráveis e irrecuperáveis na vida de todos e cada um sujeito a esse acréscimo de trabalho. A interrupção obrigatória do período da refeição transforma um dia de trabalho em nove horas, se juntarmos o tempo de deslocação, facilmente percebemos o que sobra no dia de cada funcionário, de cada trabalhador onde quer que ele esteja, e a um dia somam-se dias, e semanas, e meses, e anos. Menos uma hora para ler o jornal, conversar com os filhos, com os pais os avós, os vizinhos. Menos uma hora para ver filmes, estudar, percorrer novos espaços na cidade, plantar begónias. Menos uma hora para não fazer nada ou fazer tudo. Menos uma hora em cada dia para juntar forças a outros, seja num sindicato num grupo de bairro, na filarmónica, no grupo de teatro, no ténis de mesa. Uma hora a menos para amar.

As 40 horas, sem natureza económica ou de crises que as expliquem, só encontram o seu lugar na intensa batalha que o governo iniciou, muitos anos antes de governar sequer, muitos anos antes de qualquer troica, contra o trabalho. Baixar o valor do trabalho, subjugar de todas as formas e feitios aqueles que vivem dele, acelerar e aprofundar a dicotomia entre estes e o capital. A liberdade do capital só se faz estreitando-se, nas formas e conteúdos, o valor do trabalho. Criando exércitos de desempregados, embaratecendo toda a mão-de-obra e operando ideologicamente esta batalha que esmifra e verga a energia dos que fazem sem ter alternativa a não o fazer.

Por todos os serviços do Estado multiplicam-se os beneficiários das prestações de desemprego em contratos de inserção sem ter em vista o emprego, como forma de ocuparem de forma socialmente útil o seu tempo. São escolas e serviços de saúde abertos e a funcionar graças a esta mão-de-obra. Ao seu lado os que se foram reformando, assinando rescisões amigáveis, os que perderam em salários nos últimos quatro anos mais do que qualquer grupo ou classe profissional, os que trabalham a contratos há mais de 10 anos sem saberem se terão trabalho amanhã ou sabendo o que sabem os professores desempregados durante o mês de Setembro porque o concurso atrasou como Citus. Se pudessemos pôr todas as horas a mais trabalhadas neste ano num offshore, como a Tecnoforma, quanto é que elas estariam a valer?

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Alegres néons


Não sei quanto tempo atrás vi um documentário que começava com um imagine que a publicidade desaparecia das nossas cidades. E pegavam em qualquer metrópole do mundo e retiravam-lhe a publicidade por inteiro. Inacreditável a tristeza e o cinzentismo. Claro que o documentário era sobre publicidade daí que talvez fizesse um pouco a si mesma. Eu gosto de ver no toldo do café a marca para saber se entro e bebo um buondi ou um delta ou se não entro para beber um torrié. Gosto de ver no metro os cartazes a anunciar os novos filmes, gosto de saber que existe uma nova bebida de cidra. E se a mensagem for criativa melhor. Claro que estamos a falar no incentivo ao consumo e na criação de necessidades. Mas eu não me importo de decobrir que tenho uma necessidade de beber uma bebida com cidra. A publicidade obscena é a que em vez de vender a ideia do produto vende uma qualquer ideia de felicidade (como os anúncios da optimus por exemplo) modelos ilusórios de vida ou padronagem social(afinal quem é o homem martini?) mas não o farão também a literatura, o cinema, a filosifia, a política? E também vêm com um produto atrás. Talvez o movimento anti-pub se destine ao excesso de publicidade (não havia aquele final de um filme em que as personagens saíam da cidade de carro por uma longa estrada enquadrada por outdoores contínuos até ao infinito?) ao massacre como se dizia no título do post anterior. Mas uma das regras publicitárias talvez seja também evitar o excesso para não criar ruído, nocivo ao entendimento da mensagem. Anti-pub ou pró-pub que respeite os direitos dos consumidores, que seja interventiva (os cartazes da bennneton aqui há umas décadas foram ou não positivos na mensagem anti-racista ou mesmo quando expôs roupas de soldados mortos na Bósnia?)?

“Portugal não pode perder mais tempo”

O primeiro-ministro está no parlamento a anuciar os maiores investimentos até agora feitos em ciência, tecnologia e investigação. A educação é uma prioridade e só assim Portugal pode sair do atraso onde está. (Marques Mendes responde a perguntar se ele se sente confortável por ir fechar a maternidade de Elvas e pela perda de subsídios dos agricultores).
Se esta é a prioridade porque é que só no III Orçamento deste governo (2007) ela vai ser contemplada? Quanto a esta ser a área estratégica por excelência andamos todos de acordo já há umas décadas. Se Sócrates diz Portugal não pode perder mais tempo porque é que fez esperar Portugal três anos por estas medidas? Portugal que lhes entregue uma notinha de débito f.f..

Iraque: 3 anos de ocupação 3 anos de resistência

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Concentração em Lisboa no Largo Camões, Sábado 18 Março 2006 às 15 horas.
Porto, 19 Março, Domingo 15h, Praça D.João I

Para exigir a retirada de todos os ocupantes do Iraque, como primeiro passo para a normalização da vida do país. Para exigir o fim de qualquer envolvimento directo ou indirecto de Portugal na ocupação e o fim do uso da Base das Lajes pelos EUA. (Leia o apelo)
Apelo
Completam-se a 20 de Março três anos sobre a invasão do Iraque. Completam-se também três anos de resistência do povo iraquiano à ocupação – um direito que a Carta das Nações Unidas e a Constituição Portuguesa consagram.
A onda de protesto que se levantou nas vésperas do ataque militar não foi suficiente para impedir a agressão, mas revelou o repúdio de milhões de pessoas de todo o mundo pela ilegalidade e pela barbárie que se adivinhava. Dezenas de milhares de portugueses opuseram-se também na mesma altura ao envolvimento de Portugal na agressão, rejeitando o alinhamento com os EUA.
O Iraque continua ocupado, persiste a destruição e o saque dos seus recursos, as violações cometidas pelos agressores seguem impunes, o direito internacional continua por aplicar. As “eleições” realizadas em clima de guerra e organizadas pelos ocupantes não passaram de uma fraude.
A política de guerra dos EUA prossegue. Depois da Palestina, do Afeganistão e do Iraque – o Líbano, a Síria e o Irão estão debaixo de mira. Em nome dos interesses imperialistas, as liberdades estão a ser amputadas mesmo nos países que se consideram baluartes da democracia e do direito.
Quem está contra esta guerra não pode assistir inerte à continuação da ilegalidade e da barbárie. Há que reunir as forças que se juntaram para tentar impedir a invasão – agora com o conhecimento da dimensão das violências cometidas contra o povo iraquiano.
No próximo 18 de Março juntemos forças
para exigir a retirada de todos os ocupantes do Iraque, como primeiro passo para a normalização da vida do país.
para reconhecer ao povo iraquiano o direito a resistir e a escolher livremente o seu futuro.
para exprimir solidariedade com os povos do Médio Oriente, designadamente o palestiniano e o iraquiano.
para exigir do governo português que condene o militarismo, a guerra e a ocupação do Iraque.
para exigir o fim de qualquer envolvimento directo ou indirecto de Portugal na ocupação e o fim do uso da Base das Lajes pelos EUA.
Organizações Subscritoras

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Dói faz Frida e depois Khalo


Já sabía que o CCB não dava almoços grátis. Ao contrário de outras fundações privadas (Serralves por exemplo). E que esta exposição foi uma boa ” aquisição” para Lisboa, e que o Mega Ferreira estava de parabéns etc e tal…mas Cinco Euros e até os bebés pagam (menos) quando o salário médio nacional ronda os 500 euros e há meio milhão de desempregados. Oh Frida Khalo que fizeram de ti…

Vigília por Gisberta

VIGÍLIA POR GISBERTA
Frente ao Patriarcado de Lisboa
Campo de Santa Clara
5ª feira, 9 de Março, às19h

PARA DIGNIFICAR A MEMÓRIA DAVÍTIMA
PARA EXIGIR A PROFUNDA REFORMA DO SISTEMA DE PROTECÇÃO E ACOLHIMENTO DE MENORES EM RISCO
PARA EXIGIR LESGISLAÇÃO ABRANGENTE CONTRA OS CRIMES MOTIVADOS PELO ÓDIO E PELO CONJUNTO DOS PRECONCEITOS ASSOCIADOS A ESTE CRIME
a iniciativa é feita frente ao Patriarcado, para deixar claro que não se aceita nem a desresponsabilização da Igreja face à instituição que era responsável pelos agressores, e muito menos as declarações de culpabilização da vítima que foram expressas pelo padre que é presidente da União das IPSS.”

Gisberta

DO CRIME, DO ÓDIO, DO BRANQUEAMENTO EM CURSO, DA NOSSA CÓLERA!
Provavelmente lançada ainda viva ao fosso. Vítima não apenas de agressão, mas também de sevícias sexuais . A cada dia aumenta a nossa indignação com a forma como o assassinato de Gisberta tem vindo a ser noticiado, comentado e “branqueado”. Estranhamos que as televisões, hoje, ignorem a informação chocante revelada pelo JN de hoje: existe uma clara componente sexual neste crime. A vítima ter sido alvo de uma particular forma de tortura, a inserção de objectos no seu anús, é para ignorar?
O padre Lino Maia, presidente da União das IPSS, afirmou ontem que os rapazes teriam “circunstâncias atenuantes”, porque um seu colega andaria a ser assediado por um pedófilo. Perante um assassinato, a Igreja tenta culpabilizar a população LGBT, associando-a à pedofilia. Declarações que só reforçam a convicção da motivação discriminatória. Este padre tenta desculpabilizar a instituição que dirige e os jovens à sua guarda: ao dizer que os rapazes fizeram “justiça pelas próprias mãos” por um alegado episódio não-relacionado com a vítima, está precisamente a definir um crime de ódio.
“Como foi possível?”, pergunta o jornal Público de ontem. “Como foi possível que ainda não tivesse acontecido?”, respondemos. Ou não conhecemos o sistema de protecção de menores que mais não é que a continuação do abandono e dos maus tratos? Não sabemos da violência da exclusão social e de como é promovida? Não sabemos da discriminação dos sem-abrigo, seropositivos, prostitut@s, homossexuais, ciganos, imigrantes e particularmente trans, que até na comunidade gay são fortissimamente excluíd@s?
No Público lê-se “acção mais inconsciente que premeditada”. O que há de inconsciente e não premeditado no insulto transfóbico e na agressão continuadas por quatro dias, no extremar progressivo da violência, na tortura e sevícia sexual? No atirar de um corpo a um poço sem verificar efectivamente se estava com vida?
É vergonhoso que ainda hoje os media desconheçam a diferença entre transexual e travesti, homofobia e transfobia, orientação sexual e identidade de género . Os jornalistas deviam questionar seriamente a sua consciência profissional, os seus próprios preconceitos, a abordagem mediática à questão dos direitos LGBT , com particular incidência sobre a população trans, a mais gozada, desfavorecida, desprotegida e incompreendida no universo mediático e na sociedade.
Parte da comunicação social referiu apenas: “sem-abrigo”. Não cabe aos jornalistas – nem a ninguém – decidir se foi a característica “sem-abrigo” – ou outra – o que pesou. Infelizmente, coube ao preconceito. Gisberta acumulava exclusões, nenhuma delas pode ser omitida. Transexual que era, e vítima da transfobia. Muito mais do que enumerá-las todas, omiti-lo é esconder prováveis elementos explicatórios e querer atribuir ao crime, sem informação que o sustente, uma ou outra motivação. É, mesmo que não queira sê-lo, manipulação grosseira e reforço da discriminação.
É escandaloso o silêncio dos partidos e responsáveis políticos , mesmo com o argumento previsível de que não será evidente falar-se em “crime de ódio” com menores envolvidos. A questão não está em criminalizar “crianças” de menor idade . O Estado que assuma as responsabilidades que nunca assumiu sobre as que são “crianças”. Que puna quem tem idade para ser responsabilizado. Mas não se confundam “crianças” com “jovens”, e , não esquecendo a idade dramática de parte do grupo, não se desculpabilize o crime e o preconceito em si. Os sentimentos que geram o ódio são da responsabilidade dos adultos e de quem dirige o país.
Não nos perguntaremos se as crianças são capazes de odiar. A sociedade portuguesa odeia, e é nela que as crianças crescem. O ódio anti-lgbt e não só, especificamente a transfobia, é um problema social grave que se reproduz entre gerações. A questão só está e só pode estar nas medidas de combate e PREVENÇÃO das discriminações e desigualdades no seu conjunto . No caso LGBT, no reconhecimento de igualdade e legitimação social. Sim, desta vez, foram “jovens”. Mas as agressões transfóbicas e homofóbicas em Portugal aumentaram nos últimos dois anos, não foram cometidas por jovens, e a regra tem sido o silêncio e o esquecimento.
E da próxima? Esperaremos por um novo crime de ódio, cometido por adultos, para tomar posição? Para agravar na Lei (não em função da idade) os crimes e as discriminações com base na condição social, estado de saúde, transfobia, homofobia, etc? Para implementar a Educação Sexual nas escolas, educando contra os preconceitos? Para enfrentar o inferno que é o sistema de (des)protecção de menores? Para investir em políticas de igualdade?
Movimento Panteras Rosa – Frente de Combate à Homofobia
ªt. – Associação para o Estudo e Defesa do Direito à Identidade de Género
Uma notícia saída ontem no Público (que se transcreve em baixo) sobre o resultado da autópsia levanta graves suspeitas de interferência/adulteração dos resultados do Instituto de Medicina Legal. Em causa está o quadro legal do crime que é determinado pela causa de morte definida pela autópsia.

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Quarta-feira de Cinzas

Depois da trasladação da irmã Lúcia vem a entronização do professor Aníbal.

Na quarta-feira de cinzas, inicia-se a Quaresma, tempo litúrgico de grande riqueza. Essa importância fundamental da Páscoa para a fé cristã fez brotar naturalmente, sempre supondo a ação do Espírito Santo, guia da obra de Jesus Cristo, uma adequada preparação à vitória de Cristo Jesus.
Tal preparação é o sacramento da reconciliação ou da confissão e penitência, pois realiza sacramentalmente o convite de Jesus à conversão, o caminho de volta ao Pai, do qual nos afastamos pelo pecado. Consagra um esforço pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação do cristão pecador

Ainda e sempre

O Rick e o Sabouter andam com pouca atenção. Pelo menos ao que aqui se andou a escrever. De qualquer forma e como se escreveu muito fora daqui e talvez nunca o suficiente.
«Eu julgo que o sítio justo (se isso é possível) para estar nesta questão passa por:
1. não aceitar qualquer restrição política sobre o acto da publicação daqueles cartoons. Quem quer recorre aos tribunais. Se os tribunais dinamarqueses são todos fascistas e não aceitam a queixa há outros tribunais (estou a lembrar-me do Tribunal Europeu dos direitos do homem). Há meios de fazer pressões políticas sem mandar assassinar ninguém. Depois podemos discutir se o Governo da dinamarca isto, se o jornal aquilo, que são todos fascistas, que agiram com reserva mental e agendas polóiticas reacionárias etc e tudo isso será verdade. Mas isto (o direito a publicar aqueles cartoons) tem que ser a base de qualquer discussão.
2. Não comer a indignição fabricada pelos fundamentalistas (governos e movimentos teocráticos e governos e movimentos mais ou menos nacionalistas que cavalgam a onda para recolher dividendos e apoios internos e ganhar espaço para respirar na poítica internacional- Arabia saudita, Irão, Líbano, Síria…) e fazer da sua agenda a nossa.
3. Procurar uma posição de crítica política e cultural que recuse a teocracia, o capitalismo e as facilidades do discurso cultural à la Huntington. Repito, Huntington e seguidores não podem ser interlocutores neste debate. São, quanto muito, uma expressão daquilo que se quer combater. Sobre isto há gente com posições muito interessantes por todo o mundo, a começar por tipos como o Said (e que falta fazia cá este agora!). Aqui em França alguns estão neste sítio da associação do manifesto das liberdades
http://www.manifeste.org/article.php3?id_article=113 (…)»
Renagade
Apesar de teres razão em tudo o que dizes a ordem dos factores para esta questão parece-me não ser a correcta. O meu ponto um é:
Não era – não é, no meu entender – a liberdade de expressão na Europa que estava em causa (liberdade pela qual muita gente nos países muçulmanos luta, com o meu apoio activo). O que estava em causa era o incitamento à perseguição religiosa e racista visada pelos «cartoons» num contexto de crescente estigmatização contra os muçulmanos, instigada pela extrema-direita na Europa e no mundo. E nesta leitura estou, de facto, acompanhada pela palestiniana Leila Shahid, que citas. Segundo ela (Deutsche Welle,de 8/2), os desenhos foram «the straw that broke the camel’s back» para os muçulmanos, empurrados «ao limite» pelos desenhos, o que deveria ser entendido «no contexto islamofóbo» e «na linguagem islamófoba» prevalecentes hoje a nível mundial.
Ana Gomes, Causa Nossa
O ponto dois é a surpresa pelo levantamento público a favor da liberdade de expressão quando me parece estar em causa, para além de ser de relações de força, e não de príncipios éticos, que falamos quando falamos de liberdade de expressão. (Rick) ter-se tornado definitivo e irrevogável o estado de guerra permanente, precipitado ou tornado evidente desde Setembro de 2001.
3: Recusar a agenda levantada pelas manifestações no mundo islâmico pode significar o mesmo que recusar compreender o que a motiva de fundo (independentemente se são estimuladas ou cavalgadas por líderes fanáticos). E sem essa compreensão cavamos mais fundo o fosso entre a ignorância generalizada do que é o Islão e a ignorância dos valores que tão ciosamente pretendemos salvaguardar.

Gramática das Civilizações

Patético ou simplesmente espantoso ler pessoas a reclamarem-se os herdeiros de Erasmo, de Voltaire, de Galileu. Já agora não querem também reclamar a invenção do fogo ou da roda? A empresa que pagou aos cientistas que “leram o genoma humano” também queria registar a patente. E a escrita começou na Suméria, de onde Aristóteles estava mais próximo que das margens do Reno.
Nada do que se está a passar parece fazer o mínimo sentido. Quem hurra pela liberdade de expressão vive bem então com quem ostenta cartazes a desejar a morte a cartonistas e demais gente que ofenda o Islão? Claro como a água se estivermos a falar da clareza das profundezas oceânicas.

Maomé e a Dinamarca

Um jornal dinamarquês publica uns cartoons retirados de um livro onde Maomé é ridicularizado e chamado de terrorista. Diplomatas de países muçulmanos nesse país sentem-se ofendidos. A resposta dos governantes dinamarqueses é: aqui temos liberdade de imprensa, o poder político não tem nada a ver com o assunto. Da sua resposta podemos depreender um tom de lição ocidental sobre os valores muito (estreitos diria) incondicionais da democracia. Depreende-se ainda o discurso do Nós, repetido hoje no fórum da TSF por Luís Delgado, “nós temos de ser tolerantes e eles não?”. O discurso Nós/Eles para mim tão longe da democracia como impedir a liberdade de imprensa. Um discurdo criminoso e abusivo (de quem fala ele quando diz Nós, da sua família, do seu partido ou do seu credo?)
A resposta do governo da Dinamarca não pode ser separada do contexto que é bom lembrar: o “ocidente” tem uma pata gigante em dois países do médio oriente, bombardeia os países que entende (vide semana passada o Paquistão) estica a corda com o Irão (o eixo do mal) expatria ou deixa expatriar prisioneiros sem qualquer tipo de garantias e direitos, nem civis nem de guerra. Sobre este contexto, ou talvez em todos mas aqui com mais evidência, penso que seria de elementar educação um governo demarcar-se de qualquer atitude xenófoba ou de intolerância religiosa que se visse reflectida nos seus jornais livres. A resposta violenta que se tem verificado nalguns países árabes não pode ser arrumada na prateleira dos fundamentalistas religiosos fanáticos. O fanatismo vive submerso nas camadas sociais de todo o mundo, emerge sujeito às mais variadas molas de arranque. E queimar uma embaixada é diferente de degolar um estrangeiro. Fanatismos ou nem tanto à parte parece haver “neste” lado quem esteja apostado em aumentar o desgaste e o confronto. “Daquele” lado também. Esses não são os que cortam cabeças mas são seguramente os mais fanáticos

zero vírgula seis


Graças a estes dois candidatos tivemos uma campanha eleitoral que se tornou num espaço político importante e interessante.

Este candidato mostrou-nos, independentemente das suas opções, que a generosidade sempre esteve presente na maneira como viveu a política. Subscrevo o que se escreve neste blogue.

Incomodou-me a bazófia deste candidato. E por falar em cidadania havia uma série de pré-candidatos que não o chegaram a ser justamente porque esta é uma corrida impossível para quem não tem máquinas partidárias oleadas.

Não percebi a relação entre o Carrefour e este candidato.

Fidel oferece 150 mil cirurgias a norte-americanos pobres

“Oferecemos cirurgias para 150 mil americanos pobres, que não têm dinheiro para cuidar da vista”, disse Fidel na televisão cubana, durante um programa no qual lançou duros ataques contra o governo do presidente americano, George W. Bush.
O presidente de Cuba ofereceu também o envio de um avião cubano para buscar os pacientes americanos na Flórida (EUA).

Folha de S. Paulo Online
23/01/06

1,5% de aumento+congelamento carreiras+aumento idade de reforma não é para tod@s

De acordo Com O Correio da Manhã, Maria Monteiro, filha do antigo ministro António Monteiro e que actualmente ocupa o cargo de adjunta do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros vai para a embaixada portuguesa em Londres.
Para que a mudança fosse possível, José Sócrates e o ministro das Finanças descongelaram a título excepcional uma contratação de pessoas especializado. Contactado pelo jornal, o porta-voz Carneiro Jacinto explicou que a contratação de Maria Monteiro já tinha sido decidida antes do anúncio da redução para metade dos conselheiros e adidos das embaixadas. As medidas de contenção avançadas pelo actual governo, nomeadamente o congelamento das progressões na função pública, começam a dar frutos. Os sacrifícios pedidos aos portugueses permitem assegurar a carreira desta jovem de 28 anos que, pesar da idade, já conseguiu, por mérito próprio e com uma carreira construída a pulso, atingir um nível de rendimento mensal superior a 9000 euros.
É desta forma que se cala a boca a muita gente que não acredita nas potencialidades do nosso país, os zangados da vida que só sabem criticar a juventude, ponham os olhos nesta miúda.
A título de curiosidade, o salário mensal da nossa nova adida de imprensa da embaixada de Londres daria para pagar as progressões de 193 técnicos superiores de 2ª classe, de 290 Técnicos de 2ªclasse ou de 290 Assistentes Administrativos. O mesmo salário daria para pagar os salários de, respectivamente, 7, 10 e 14 jovens como a Maria, das categorias acima mencionadas que poderiam muito bem despedir-se, por força de imperativos orçamentais. Estes jovens sem berço, que ao contrário da Maria tiveram que submeter-se a concurso, também ao contrário da Maria já estão habituados a ganhar pouco e devem habituar-se a ser competitivos.
A nossa Maria merece.
Também a título de exemplo, seriam necessários os descontos de IRS de 92 portugueses com um salário de 500 Euros a descontar à taxa de 20%.
Novamente, a nossa Maria merece.
(no e-mail)

Geração Cartão Jovem II

Não desisto. A ideia de ter o país ainda mais cinzento com o Cavaco como símbolo da república atemoriza. E nada me convence que não é obra do cavaquismo o abandono a que tem estado votado o Spectrum. Aliás, se podemos dizer que somos filhos de Abril podemos dizer também que a velha ama foi o tio de Boliqueime. Dos tempos da cabra-cega, para a maioria de nós porque há os que ainda jogam, à entrada retumbante na faculdade onde nos esperava o Tonecas da franja.
Numa entrevista aqui há tempos Mª João Avilez perguntava a Cavaco do que se arrependia de ter feito como primeiro-ministro. Respondeu que sim, que tinha cometido um erro, que preferia não ter feito. Inspira-se. O feriado do Carnaval. não ter dado o feriado de Carnaval à função pública. Respira-se. Sim, é verdade, é este o homem que se apresenta (agora mais comedido sem comer o bolo-rei em público. Ainda sobre o tema da pastelaria o meu voto vai seguramente para Mário Soares depois de o ter visto comer elegantemente um pastel de nata durante uma entrevista).
Antes de Cavaco havia teatros, com Cavaco houve o Filipe La Feria : o homem nunca mais parou. Antes de Cavaco a Alexandra Lencastre era uma boa actriz depois entregou-se à gula das tv`s privadas e hoje faz operações às rugas e novelas para a TVI. Antes de Cavaco ninguém estava muito interessado em renovar a mobília lá de casa, hoje a casa tornou-se um túmulo enfeitado de móveis da Habitat (Ikea na versão recente) donde não se sai porque, para além dos grandes cafés terem fechado, não há nada de facto irrecusável para planear, mudar. Se não posso ir ali mudar o mundo posso ficar aqui a mudar tudo no jogo da Playstation.

Geração Cartão Jovem

A boa rapariga da minha colega de trabalho vai votar no Cavaco, não porque seja demasiado nova para se lembrar do que foi o cavaquismo mas porque este não só a forjou como, neste caso, o fez de forma sucedida. Tem 24 anos, esteve cinco anos numa faculdade privada a tirar o seu curso, saiu-lhe caro. É conveniente que o investimento feito, provavelmente com esforço da família e da própria, dê frutos rapidamente. Significa que é preciso a todo o custo ingressar no mercado de trabalho sob qualquer condição. As piores não serão rejeitadas, afinal o que se aprendeu nos últimos anos é que tudo tem um preço. Os professores que teve defenderam a concorrência como a coisa mais saudável no mundo. Da economia, às relações laborais. Levarão a lição mais longe concorrendo em todas as esferas da vida. Como a biologia e a sobrevivência das espécies. Dos professores retiraram ainda o exemplo de
sucesso: grande parte deles não estava ali por qualidades evidentes. Deputados, ilustres militantes dos partidos, amigos dos ilustres, tudo gente que prestigie a instituição de ensino(?).
Quem disse que o Cavaquismo não teve os seus grandes sucessos?

O cara de pau


Uma colega de trabalho, jovem, simpática, boa rapariga, vai votar no Cavaco. Esta colega, para além de jovem, recém.licenciada, simpática e boa rapariga, não gosta de imigrantes nem do Mário Soares porque “trouxe os pretos para Portugal”. Também não gosta de pagar impostos porque ouviu dizer que a segurança social está falida e não vai ter a sua reforma, para além de que acha que os impostos que paga servem para pagar os “estudos a pretos”. Vai votar Cavaco e eu só consigo pensar numa coisa boa para termos o cara de pau presidente nos próximos anos. Podemos dizer aos nossos filhos: se te portas mal vou chamar o Cavaco.

Tome Tamiflu


“Finalmente, as peças do puzzle começam a fazer sentido,” escreve o Dr. Joseph
Mercola, autor de “Programa de Saúde Total – Total Health Program.”
“O presidente Bush quis instalar o pânico neste país (Estados Unidos)
dizendo-nos que, no mínimo, 200 mil pessoas iriam morrer com a
pandemia da gripe das aves e que o número de mortes poderia chegar aos dois
milhões só neste país. (EUA)”
“Este embuste é então usado para justificar a compra imediata de 80 milhões
de doses de Tamiflu, um remédio inútil que não trata de forma nenhuma a
gripe das aves, apenas diminui o tempo de duração da doença e que pode
contribuir para que o vírus sofra mutações mais letais,” continua Mercola.
“Portanto os Estados Unidos fizeram um a compra de 20 milhões de
doses desta droga inútil a um custo de 100 dólares por dose.” A verba atinge uns espantosos 2 mil milhões de dólares.
O ministro da defesa Donald Rumsfeld, antigo presidente da Gilead, o fabricante
do Tamiflu, retira também grandes lucros, já que continua a ser um dos grandes accionistas da companhia.
Melhor ainda, o porta-voz do Bilderberg (o grupo Bilderberg é uma associação
internacional informal de personalidades poderosas no mundo da política e da
alta finança, que se encontram todos os anos.), Etienne F. Davignon
(Vice-Presidente, Suez-Tractebel) e o ex-secretário de estado George Shultz,
(membro honorário do Instituto Hoover e da Universidade de Stanford University) fazem também parte da direcção da Gilead.
Outro Bilderberger habitual é Lodewijk J.R. de Vink, com lugar na
direcção da Hoffman-La Roche, parceira da Gilead.
Por outras palavras, a burla da “Gripe das Aves” vai gerar lucros
escandalosos a indivíduos como Shultz, Rumsfeld, Davignon, e de Vink.
E donde é que vem o Tamiflu?
Segundo o website da Gilead, “Em Setembro de 1996, a Gilead e a F. Hoffmann-La
Roche Ltd.chegaram a um acordo de colaboração no desenvolvimento e
comercialização de terapias para tratar e prevenir gripes virais. Segundo o
acordo, a Roche teria direito exclusivo a nível mundial aos inibidores de
gripe propriedade da Gilead, incluindo o Tamiflu. A Roche tem os direitos
comerciais a nível mundial do Tamiflu, e a Gilead recebe pagamentos da Roche
pelo cumprimento dos sucessivos estádios da investigação e prémios pelas vendas do produto.
É bom lembrar que Rumsfeld adora burlas farmacêuticas. Foi ele, como director
da G.D. Searle, que pressionou a FDA (Food and Drug Administration –
agência governamental americana que regula e fiscaliza a fabricação de
comestíveis drogas e cosméticos) para aprovar o Aspartame.
A FDA bloqueou a sua aprovação durante dez anos até Rumsfeld ter
conseguido a sua aprovação. Hoje, o Aspartame, um adoçante artificial tão
omnipresente como tóxico, continua a e envenenar a América e o Mundo.