PCP: uma austeridade de alternativas

Com o congresso à porta, Jerónimo de Sousa volta a dizer, desta vez em entrevista ao Público, que sim mas que também a quase tudo. Sobre a China chuta para canto, sobre a construção da alternativa chuta para canto
e sobre a europa diz que esta é “irreformável” mas recusa-se a tomar posição contra o euro. Pérola das pérolas: sobre os recentes incidentes a 14 de Novembro, em frente à Assembleia da República, limita-se e reproduzir o discurso criminalizante do Governo.

mas pelo menos é simpático

É absolutamente confrangedora a fragilidade teórica do PCP para olhar os tempos que correm. Na entrevista hoje publicada, não é possível descortinar qualquer análise comunista, dialéctica à situação actual.

Logo no início, é pedido ao secretário-geral que explique a táctica do seu partido para “evitar o desmantelamento do estado social”. Resposta? Implementação de “outra política” em diversas áreas, porque o governo “está direcionado para servir os grandes interesses”. As jornalistas querem mais, querem perceber como isso se faz, mas Jerónimo continua nas suas diatribes contra o Governo de direita, até que perguntam: não deveria o PCP juntar-se aos outros partidos de esquerda? Resposta: “O PCP foi o primeiro partido a apresentar a renegociação da dívida”. E pronto, está o assunto arrumado…

Sobre outra eventual táctica de alianças para o derrube dos governos da austeridade, lá continuam as jornalistas a fazer o papel do entrevistado e a dar sugestões: e o BE (nas teses está que é social-democratizante e demagógico mas tem propostas no parlamento como as vossas)? Jerónimo responde em grande, “fazemos uma caracterização política (!!!), nem carregamos muito no posicionamento anticomunista do BE”! Toma lá que já apanhaste, anticomunista! Claro que o senhor não explica o que é isso do anticomunismo naquele partido (tenho uma ideia que é dizer mal do PCP, e o PCP quando diz mal do BE é o quê?).
Por fim, pedem ao comunista que diga, então, com quem fazer pontes e Jerónimo segue em frente (porque para a frente é que é caminho não é?) e sublinha “O PCP tem uma proposta política alternativa” Ah, ok, assim tudo bem, mas com quem, insistem as jornalistas, “com a participação de democratas e de patriotas que estejam abertos à concretização desta política”!
Pronto, assim com a formulação frentista do PCP dos anos 60 já ficamos todos mais descansados. Como diria Lenine, não há problema porque está demonstrado: já temos táctica, estratégia e objectivo!

Não vos maço muito mais, o resto da entrevista é só tiros no pé, atrás de tiros no pé. Negligencia os novos movimentos sociais que arruma (apenas) como “inorgânicos” e sobre a raiva que anda nas ruas e seus calhaus seguidos de brutais repressões, limita-se a reproduzir o discurso do governo: “o que se pode considerar ali é que houve uma provocação organizada (por quem, pergunta a jornalista) eu não conheço, mas o ministro da Ad. Interna disse que foi obra de profissionais da provocação, lá terá as suas informações”.

os “inorgânicos”

Mais grave que a ligeireza na análise de alianças, uma questão fundamental para qualquer comunista, é a total ausência de estratégia de “construção” fora delas.
As jornalistas bem se esforçaram mas nada. Anda sempre o PCP a dizer que não tem tempo de antena, ora, aqui teve e não foi pouco e usou-o para quê? Um conselho para não perderem votos: não deem entrevistas, os comícios são do melhor, porque aí não há perguntas, só rapazolas a acenar bandeiras lá atrás a reafirmar o ideal comunista, pois claro.

e ainda as pedras…

Um dos melhores textos até agora produzidos sobre a questão, lembrando quase tudo o que é essencial sobre o calhau: o falso pacifismo, o monopólio da violencia pelo estado e outros avisos à navegação. então, com a devida permissão do autor:

Já todos atirámos uma pedra
Por José Neves, publicado em 22 Nov 2012

A violência ergueu e derrubou regimes, proibiu e permitiu greves, levantou e eliminou barreiras de todo o tipo, do Muro de Berlim às cercas dos latifúndios alentejanos

Na campanha que antecedeu as últimas eleições legislativas, acusado de perturbar a ordem num comício do PS, um apoiante de Passos Coelho foi detido pela polícia, parece que paisano. Na ocasião, o actual primeiro-ministro afirmou: “Não é normal que as pessoas que se querem manifestar sejam tratadas de forma violenta.”

Na semana que passou o discurso de Passos Coelho foi outro. A mudança do tom não surpreende. Recorda o que Miguel Portas, num dia não muito longínquo, afirmou a respeito de Passos Coelho: tem a espinha dorsal de um caracol.

Mas se as razões do primeiro-ministro podem ser deduzidas da sua anatomia, é verdade que existem questões relativas aos usos políticos da violência que são mais complexas.

Durante a última semana, nos media, não faltou quem condenasse os lançadores de pedras, invocando-se, sobretudo, dois tipos de motivos.

Uma parte dos comentadores declarou que a violência seria sempre reprovável. Não vejo como possamos aceitar esta tese. Em política podemos escolher entre tipos de violência, não podemos escolher entre violência e não-violência. A esmagadora maioria dos comentadores que criticam os lançadores de pedras condenam a violência em si mesma, mas não recusa a existência de forças policiais, isto é, o monopólio estatal da violência. Isto para não referir que, em assuntos de relações internacionais, não raras vezes opta pela violência de um Estado contra outro. Ou seja, se a crítica a quem atira pedras à polícia é legítima, fraudulento é vestir essa crítica como pacifista. A argumentação moralista peca ou por excesso de ingenuidade ou por excesso de hipocrisia.

Outra parte dos comentadores que condenaram quem atirou pedras à polícia declarou que a violência não leva a nada. Este argumento pragmatista é igualmente inválido. A violência ergueu e derrubou regimes, proibiu e permitiu greves, levantou e eliminou barreiras de todo o tipo, do Muro de Berlim às cercas dos latifúndios alentejanos. É verdade – e é importante recordá-lo sempre – que a violência por si só nada resolve, mas é discutível que por si só alguma coisa resolva o que quer que seja.

Em suma, ao debatermos questões relativas à violência política não podemos abdicar nem de argumentos de ordem moral nem de argumentos de ordem pragmática, mas não devemos reduzir a discussão política ou a uma questão moral ou a uma questão pragmática. Na verdade, devemos entender a política como um lugar onde ambas as questões inapelavelmente se interpelam. Recusemos a exigência pacifista segundo a qual quem luta por um mundo sem guerra tem de agir de forma absolutamente pacífica. E recusemos a afirmação militarista segundo a qual a guerra possa simplesmente ser um meio para a paz. Fazemos política obedecendo a certos fins, que são determinados pelas nossas convicções morais, e recorrendo a certos meios, que são definidos pelas nossas decisões táctico-estratégicas. Os fins e os meios não têm de coincidir em absoluto, como exigem os pacifistas, nem podem ser simplesmente opostos, como admitem os militaristas. Devem antes exercer uma vigilância recíproca.

Que prática política de combate à troika e ao governo na actual situação poderá respeitar este princípio geral? É complicado dizer. Deixarei algumas notas a esse respeito numa próxima crónica. Nestas últimas linhas quero simplesmente solidarizar-me com todos os que foram detidos na última manifestação, incluindo o sindicalista sexagenário acusado de ter atirado pedras à polícia.

Em tempos idos, o Herman José inventou um concurso intitulado “Este homem é um Gandhi?” e que consistia numa simples prova: um concorrente chegava e era sujeito a inúmeras sevícias e provocações; se ainda assim não se revoltasse, estava encontrado mais um vencedor. A troika e o actual governo andam há meses a fazer–nos jogar este jogo. As coisas pareciam estar a correr bem até à semana passada, dia da greve geral, quando os primeiros concorrentes se revoltaram violentamente. Não eram o Gandhi. Quem for que lhes atire a primeira pedra. Historiador. Escreve quinzenalmente à quinta-feira

1993 – um país diferente

Este vídeo da carga policial em 1993 mostra como boa parte dos actuais ilustres membros da direcção do bloco tinham na altura uma visão bem diferente no que respeita a pedra e seu arremesso aos dignos policiais.

Até tenho a ideia destes ilustres terem acabado de mandar umas pedras e terem ido para casa fazer dois comunicados em nome do psr: um a solidarizar-se com as vítimas da carga, e outro a falar mal dos estalinistas do pcp por não terem feito um comunicado semelhante, mostrando de que lado estão da barricada quando a luta aquece.

É evidente que as pessoas crescem e não se pode esperar que o pensamento, a táctica e a acção sejam monolíticas e imutáveis.

Mas, afinal,camaradas trotskistas, o que é que mudou?

1. os lugares no parlamento

2. os lugares de trabalho dados pelo partido

3. a dificuldade de trabalhar com a social democracia numa mesma frente eleitoral (BE) leva-nos a ter de tomar (ou não) decisões a bem da unidade

eis a minha resposta: quando vocês falam…

Pussy Riot, Voina: Making punk a threat again?>>>debate, quinta-feira às 22h na Zona Franca no Bartô, o bar do Chapitô

Passagem de vídeos/performances seguido de conversa com Carlos Vidal, artista plástico; Verónica Metello, doutoranda em Estudos Artísticos; João Lisboa, crítico do Expresso; Party Program, blogue Spectrum.

A par da complexificação da repressão, entre autoridades e austeridades, também a resistência se tem transformado e radicalizado. No passado mês de fevereiro, o colectivo Pussy Riot, usando uma igreja ortodoxa como palco, vomitou uma oração punk anti-Putin. Já antes, várias acções do grupo de street art Voina, também russo, seguem pela mesma bitola da denúncia e ironia, tentando sobretudo criar momentos de superação de toda a autoridade.

Nestas performances, que bebem do punk a sua disrupção de produtor de “melhor arte de todos os movimentos de vanguarda que o precederam”, como afirmou Greil Marcus, e podem arriscar anos de prisão, os autores recusam o catalogação de activistas, preferindo identificar-se como artistas, defendendo que, nos tempos que correm e procurando a verdadeira modernidade, esta é a única forma possível de arte. Será?

Falinhas mansas e a violência da Ana Nicolau na manifestação de amanhã

“É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário. É preciso tomar as ruas e as praças das cidades e os nossos campos. Juntar as vozes, as mãos.”

Contrariamente a outras recentes convocatórias da “sociedade civil”, a deste sábado é arrojada nos termos, não se perde tanto em falinhas mansas para agradar a toda a gente e chega a sugerir a luta contra a submissão, além da tomada das ruas.

 

À violência imposta que, a cada dia e a cada medida anunciada, se torna mais evidente, esta manifestação propõe como respostas a Ocupação e a Indignação. No terreno não quer então uma passeata, claro está, como tantas outras. Tudo óptimo até aqui.

No entanto, Ana Nicolau, uma das 29 signatárias do apelo à manifestação de amanhã, em declarações ao Público de hoje, confessa afinal ao que vamos. Como tem noção, diz ela, de que poderão juntar-se aos manifestantes grupos de pessoas cujo intuito será o de gerar actos de violência, apela “para que todos se sentem no chão logo que acontecer qualquer acto violento, para que os autores sejam mais facilmente detectados”.

Tão novinha, esta realizadora de 29 anos, e já a sabe toda hein? Ora muito bem, já não precisávamos de ter receio das brutalidades da polícia, como podemos passar a ter dos organizadores, que pelos vistos só lhes vai faltar a farda se não se demarcarem destas declarações.

Cara Ana, a coisa normalmente é feita da seguinte forma: Quando convocada uma manifestação não controlada pelo PCP, a polícia fica bastante insegura, e além de, na sua fachada bacaníssima, contactar os organizadores, começa a mandar cá para fora notícias alarmistas sobre a eventual violência. Seja por comunicados ou pelos seus agentes na comunicação social, como é o caso da Valentina Marcelino no DN, vão depois crescendo as preocupações como uma bola de neve e o palco está pronto para a acção: assim já podem com mais facilidade carregar em tudo o que mexe, desde gente a impedir uma detenção (caso da última carga), até aos criminosos que, veja-se bem, atiram ovos.

As declarações já seriam muito graves se se resumissem a isto: ajudar a preparar o terreno justificatório da repressão policial, mas não contente com isto, a agente Ana diz ainda mais, estar no chão servirá essencialmente para que os desordeiros sejam “mais facilmente detectados”!

Cara Ana e restante organização, que antes de lançarem este tipo de bujardas respondam as estas perguntinhas para ver se entendemos melhor a posição desta plataforma:

  1. Onde está a fronteira entre a violência e a não-violência em ocupações como as defendidas no apelo?
  2. No decorrer da manif quem julgará essa fronteira e quem mandará sentar os manifestantes?
  3. Qual o motivo de declarações sobre uns “grupos violentos”, excluindo desse grupo os polícias que têm sido os principais agentes (e quase sempre os únicos) de violência em manifestações?
  4. A Ana diz que (os organizadores) “estão conscientes que poderão juntar-se grupos violentos”. Quem deu essa info, e que tipo de grupos se refere?
  5. Não consideram que declarações destas sem qualquer contexto (como  por exemplo as eventuais respostas às perguntas anteriores) podem objectivamente ajudar à justificação prévia de violência policial na manifestação?

Bom, para terminar uma pista de resposta à pergunta 4:

“Olha, não posso dizer, mas aqui entre nós, foi mesmo a polícia que nos passou a informação, é vai haver malta da extrema-direita a organizar-se e é preciso que não haja rixas entre eles e o pessoal mais extremista ou anarquista ou lá o que é que vai à manifestação.”

Para acabar este relato da violência da Ana (e dos organizadores, se não se demarcarem destas declarações), deixo-vos com mais um pouco do manifesto dos organizadores que em tudo me parecia bem longe da baixaria alarmista e denunciadora que esta sua signatária, em nome da organização, veio anunciar.

“Este silêncio mata-nos. O ruído do sistema mediático dominante ecoa no silêncio, reproduz o silêncio, tece redes de mentiras que nos adormecem e aniquilam o desejo. É preciso fazer qualquer coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

que fazer?

após o desalojo violento, vergonhoso e sem aviso prévio, que a p(ut)aladina do urbanismo sustentável, helena roseta, justifica alegando que para ter casa temos de nos pôr na fila, seguiram-se duas acções :
1- invasão do gabinete da vereadora pelos ocupantes para mostrar a sua indignação e saber por que raio tal terá sucedido. resposta? barricou-se no gabinete toda borrada, mandou chamar a policia que identificou toda a gente;
2- decorreu, pelas 19h, uma manifestação em solidariedade com os ocupantes e de denuncia da violência e das detenções arbitrárias. chegados aos anjos, os manifestantes ocuparam a estrada (os violentos!) para prosseguirem a sua marcha. de imediato, e com a cobertura de quase uma dezena de carrinhas do corpo de intervenção, cercaram cerca de metade da manifestação e identificaram toda a gente, como, aliás, já tinha acontecido a 19 de Maio na Rua com Todos.
Quando vamos à câmara e somos identificados, quando vamos a uma manifestação e somos identificados, quando estamos a dizer à polícia que está a abusar e somos presos, continuará a fazer sentido este trabalho político às claras?
E agora, que fazer?

Do desespero passou-se ao ataque: Greve dos trabalhadores da Bulhosa Amanhã

As trabalhadoras e os trabalhadores das livrarias Bulhosa fazem amanhã Greve. Foram demasiados anos de ordenados baixos, incumprimentos nas progressões de carreira, prepotência, ameaças e ordenados em atraso. A partir de amanhã acabou o tempo de “comer e calar”. Do desespero passou-se à organização. Da defesa passou-se ao ataque.
Naturalmente acossada, a administração e os seus lacaios, nomeadamente a supervisora das lojas, não têm mãos a medir para tentar minimizar os danos. As ameaças já começaram e todos os livreiros já foram avisados que quem fizer greve poderá ver os seus horários alterados ou mesmo ser transferido para uma loja mais distante da sua residência. A nojice e a ilegalidade são as armas a que agora recorrem quando encurralados.
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Para cúmulo, ontem, pelas 23h30!!!!!, coagiram os trabalhadores a estarem presentes numa reunião com a administração com a finalidade de demover as vontades mais rebeldes, o argumento??? Se a banca sabe da greve nunca mais empresta dinheiro. Numa atitude que já demonstra como estão unidos, os trabalhadores faltaram em massa a essa convocatória ilegal. Bom sinal para a greve de amanhã.
Durante muitos anos, quando os trabalhadores queriam saber porque motivo não subiam na carreira ou porque não subiam os ordenados ou qual a razão de ser dia 10 e ainda não haver salário ( a esta pergunta uma trabalhadora chegou a ouvir de um célebre engenheiro “a menina deve andar com gastos muito esquisitos para chegar a esta altura e já não ter dinheiro), o silêncio foi a arma da administração, agora, acossados, é só conversa: ou em tom de ameaça ou em tom de vitimização.
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Que amanhã seja o inicio do fim desta situação com uma greve com muito êxito, mas também será importante não fazer disto um hapenning, e se não houver soluções dadas pela administração, pois que se pare por tempo indeterminado! Só tenho pena que alguns dos fura-greves anunciados sejam os que mais têm sido explorados, com excepção de alguns recém empossados “chefes de loja” que preferem pôr em causa toda uma luta a abdicar do mísero conforto e dinheiro que o cargo lhes confere. Mas a isso temos de estar sempre habituados: oportunistas, vendidos e gente com muita garganta e pouca coragem sempre houve, mas desses não reza a história.
Para mais informações: http://www.facebook.com/OrdenadosEmAtraso.Bulhosa?ref=ts

Atrasos de ordenados na Bulhosa: um luta justa a apoiar e divulgar que está a tentar ser silenciada pelos patroões

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Apela-se a todxs que têm blogues, divulguem, facebook que denunciem e carreguem em Gosto e que quem tem boca denuncie.
Parece e é uma forma meio envergonhada para a luta, mas é assim, as ameaças já se fizeram sentir e sabemos, com os baixos ordenados e precariedade a que assistimos, não é assim tão fácil dar a cara. Mas com a ajuda de quem pode dar a cara, é possível fazer a vida bem negra aqueles administradores sem escrúpulos que vivem à grande à custa de que quem recebe tão pouco.
Para “gostar” no facebook: http://www.facebook.com/OrdenadosEmAtraso.Bulhosa

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Estes são comentários retirados do post mais abaixo “SENTA! SENTA!(…)”: Ou alguém quer destruir o carácter do Renato Teixeira de uma forma vergonhosa, ou há aqui qualquer coisa por explicar, não? Que parte é essa do Plenário de Terça fechado? Se não for verdade ou houver uma óbvia contextualização a fazer (o que me parece evidente) retiro o post e deixo o meu espaço para o direito de resposta.
“No dia 18 de Outubro de 2011 14:39, Renato Teixeira escreveu:
Eu acho que devemos ir buscar a faixa do 15O. Não somos nós que estamos lá. Quem decidiu aquilo, nós nem sequer fomos chamados a isso, que se oriente.
Eu acho que meia-dúzia de pessoas a acampar em frente a São Bento não faz uma acampada”.
(email usado para a organização do 15O em lx)
Publicado por [joker] às outubro 18, 2011 04:42 PM
Subject: Re: Porque é que o plenário de Terça é fechado?
Aquele movimento não perguntou se o 15O queria ocupar meio passeio em São Bento. A faixa não lhes diz respeito. Falaremos disso logo à noite que teremos tempo que sobre.
Paula, sou solidário com tudo o que faz sentido. Não sou solidário com o que conspira contra o movimento.
Abraços outobristas.

Os novos pastores

Aconteceu uma manifestação organizada pela Rubra, Ruptura, M12M, Precários e mais umas quantas pessoas. Muitas assembleias ajudaram a prepará-la e muitas noites sem sono a colar cartazes. Munidxs desse património, essxs activistas lideraram a manifestação e não hesitaram em calar, orientar e trabalhar com a polícia para que tudo se passasse como tinham previamente definido.
Há quem ache que isto é legitimo, e quem não pense assim (muito se escreveu e escreverá sobre isso).
Interessa-me agora o day after. No dia 16 houve uma assembleia popular e acontece que a força do microfone com PA em cima da carrinha já não existia, também havia gente muito cansada da parte da organização e, surpresa das surpresas: aquilo não estava garantido, ao ponto de uns desordeiros terem ocupado a estrada para aí realizar a dita assembleia. E mais, a organização incorreu num erro táctico grosseiro: não conseguiu fazer nesse segundo dia o que tão bem fez no primeiro – transformar a Assembleia num comício-espectáculo.
O unanimismo não aconteceu e pronto: os organizadores estavam manifestamente à rasca, independentemente da geração a que pertenciam. Porém, não podendo dar por perdido o momento, Renato Teixeira, um dos mais activos organizadores da manifestação, usou da palavra para sublinhar, de forma bem emotiva, que para si “houve um 15 de Outubro e um 16, estou com o primeiro não sei se estou com o segundo!”. E porque será que Renato põe em causa a assembleia que ele próprio convocou? É que houve quem pusesse em causa decisões já tomadas.
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Para que toda a argumentação da defesa das decisões previamente tomadas ganhasse corpo e força moral, Renato teve a coragem de dizer, aos berros, que a moção que cozinhou em diversas reuniões e que estaria a ser posta em causa por uma ou duas intervenções, teria sido aprovada no dia anterior, pasme-se, por 20 mil pessoas!!!!! Ora, será que o Renato nos quer dizer que contou 20 mil braços no ar (e já agora quais os números das abstenções e dos votos contra?) ou simplesmente farejou a coisa???
Este expediente não é novo, pois claro. A seguir a qualquer manifestação da CGTP, por exemplo, também se lê um comunicado (e subitamente passa-se de manifestação a plenário) e uma camarada pergunta (não diz) rapidamente: “votos contra, votos a favor, aprovado por unanimidade!”. Pois é, mas esse tempo já foi e o pessoal não é assim tão parvo e é por isso que muita gente aqui, nos blogues, facebooks e assembleias, queremos assembleias sem micros, em grupos, onde se possa falar, discutir e aprovar em consciência.
Será que para o Renato Teixeira 20 mil pessoas por entre um enorme barulho no meio da rua podem aprovar, em consciência, o que quer que seja? Pelos vistos sim, tal foi a emotividade com que embalou a garganta para usar este argumento na assembleia que lhe estava a escapar.
É curioso ver como na história se usa há muito tempo esta coisa dos números para o que se quer. A título de exemplo, José Estaline, quando chega à chefia o que faz? Alarga o comité central do seu partido de umas dezenas para umas centenas. E porquê? Porque sabia que ninguém consegue discutir o que quer que seja com 300, 400 pessoas. (O PCP ainda usa este método para garantir todo o poder aos seus organismos executivos, mas o PCP ainda se fica por perto 200 pessoas, agora usar em seu nome 20mil?)
A tão desejada vanguarda
Mas afinal isto acontece porquê? Qualquer um dos grupos dominadores nesta organização tem uma vontade de vanguarda hiper-explícita. Tendo (cada um a sua) uma resposta prévia para os problemas das pessoas que acorrem ou virão a acorrer ao chamamento indignado, a questão fundamental, como também foi dito pelo mesmo orador, passa a ser não o que vamos fazer, com quem e quando, mas o número de gente que adere às suas ideias. Para tal podem fazer-se alianças tácticas momentâneas, mas o objectivo é sempre o de engrossar as fileiras. Por falar em alianças, é bom ver esta misturada oportunista (quem ouviu e quem ouve hoje o que o pessoal da Rubra diz sobre o pessoal do M12M,! ou mesmo a curiosa aliança com os mesmos protagonistas com quem fizeram a cisão no Bloco).
Pois é, há uma outra forma de ver as coisas, há quem não precise de decidir previamente o que quer que os outros pensem. É verdade, por mais estranho que pareça, há até quem fique contente quando vai a uma assembleia e o “seu grupo” não detém uma maioria. Há, no fundo, e esta é a diferença, quem se organize para arranjar apoiantes para a causa justa e quem ache que essa causa, a justa, só pode ser encontrada na multiplicidade, garantida pela total libertação dos meios de coação como são os casos da polícia, dos micros no topo de carrinhas de apoio, das ordens de comportamento e das agendas prévias cheias de razões justas.
Há um mundo novo que não quer nem precisa de vanguardas (espero). Quem quer apanhar o comboio e quem quer descer já no apeadeiro do socialismo inflamado pronto a comer?
A (minha) preocupação não é de todo apontar o dedo, infantilmente (sei que o Renato nunca largará Lénin mas podia ter menos vergonha, e citá-lo, em vez de brincadeiras pós-modernas), como escreve no 5 dias, mas averiguar quais são os limites das alianças e dos comportamentos: certos podem suscitar alianças, outros podem separar-nos.
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Londres: pilhagens, revolução ou o que foi então?

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Conversa com Alexandre Abreu (ladrões de bicicletas), Luhuna de Carvalho (Spectrum) e Renato Teixeira (5dias)e Tomás Vasques (hoje há conquilhas, amanhã não sabemos). Moderação de Miguel Cardoso (Unipop). Quinta-feira, dia 19, 22h, no Bartô, o bar do Chapitô. Organização: Zona Franca
Londres rebentou e, em pouco tempo, o vírus alastrou e pegou. Na blogosfera portuguesa o debate à esquerda ficou amplamente marcado, por um lado, pelos que apontaram o fenómeno pela sua inconsistência revolucionária e, por outro, pelos que, lendo o terreno como uma súbita apropriação do espaço que sempre lhes foi negado, se recusaram a julgar a pureza revolucionária dos amotinados.

Das dores contemporâneas

Há quem esteja muito aborrecido com a chegada de Passos Coelho e de Portas ao governo e as medidas ultra-liberais associadas. Mas há coisas bem piores. Olhem lá a dor profunda, fria e irritante que dá uma picada de peixe-aranha, ou mesmo as sempre dolorosas cólicas que a insuportável prisão de ventre pode oferecer, já para não falar de uma perna partida.

Multiplicam-se as tentativas de justificar o descalabro eleitoral do Bloco de Esquerda. Este é só mais um contributo para a miséria.

A “ala direita” do bloco, conotada com os sociais-democratas oriundos da Política XXI, tenta justificar a recente derrota com a alegada deriva esquerdista interna, protagonizada, alegadamente, pelo Ruptura e pela UDP. O erro do BE foi ter-se colado ao PCP, considera mesmo Daniel Oliveira. O aparelho, pela mão de Fernando Rosas, teve um discurso fundamentalmente avestruziano, ou seja, tudo correu bem: a campanha, o programa eleitoral, o trabalho destes últimos anos… o povo é que é parvo e se deixou manipular pela imprensa propagandeadora das verdades construídas pela direita…
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Esta derrota é a derrota da social-democratização da esquerda anti-capitalista e por isso gosto dela. Durante anos, a estratégia do BE foi crescer, crescer, crescer, mas à direita (posicionalmente, claro). O Alegre (que estava no hotel altis a dar abraços a Sócrates na noite da sua derrota) era preferível ao PCP, a conferência de imprensa ganhava à comissão de trabalhadores, um pequeno grupo de eleitos era sem dúvida melhor que fazer partido e discutir na base um programa anticapitalista… Depois os episódios de apoio à Nato de um dos seus deputados, apoio ao FMI na Grécia, preferir renegociar a dívida a simplesmente não a pagar ou retirar referências às “minorias” do seu programa eleitoral. Ou seja, toda uma grande estratégia de colher votos de socialistas descontentes. O problema é que não se pode tentar passar o PCP pela direita e pela esquerda ao mesmo tempo. Ou tentavam produzir um discurso realmente anticapitalista ou retiravam de vez o “socialismo” do programa e disputavam com o PS, cara a cara, o seu eleitorado. Não há clientes para toda essa salada na mesma malga.
Esta é uma derrota que não me desagrada nada, porque é a derrota da ideia que o “alaragmento” da “esquerda” (conceito que cada vez mais não passa de uma imagem) passa por grandes convergências à direita (posicional bem sei), onde cabem patrioteiros caravelistas ou discursos de legitimação de alguma da dívida numa grande gestão da crise. O grande argumento era que quem assim não via a coisa – bando de sectários! – não trabalhava para a grande transformação da esquerda; os números das eleições bem mostram que esse eleitorado não queria, em nome dessa suposta convergência, o abandono do discurso anti capitalista, e só isso justifica a quebra de mais de 200 mil votos e tantos votos deslocados de gente que todos conhecemos cara a cara que votou, pela primeira vez, no PCP em duplo voto de protesto: contra o Governo e contra o Bloco de Esquerda.
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Ouve-se agora ao fundo um carpir fragmentado para que esta situação se resolva com um golpe palaciano. A nata tem de ser substituída porque está azeda. Logro, logro, é que o BE é e sempre foi pouco mais que a sua direcção, e salvo algumas pequenas franjas residuais, o pequeno partido que cresceu fora da direcção está feito à imagem e semelhança dela. Assim, quem irá substituir aquela gente? Só mesmo o Gil Garcia (que colhe menos consenso ali que uma amiba e é tão desligado dos movimentos sociais como toda a direcção do partido): não há BE fora disso…
Mas não há problema e os actuais dirigentes podem estar descansados, e sabem disso não é? É que além de não haver alternativa, durante estes anos a estratégia foi clara: funcionalizar gente com capacidade assim-assim, para ter um exército de capacidade crítica nula que possa trabalhar arduamente nestes momentos, dentro e fora do partido, em reuniões e em blogues, em artigos de opinião e em facebooks, para garantir que as críticas serão bem abafadas e para conseguirem convencer que, como disse o Fernando Rosas, esta até foi a melhor campanha do BE desde sempre.

AGORA: Carga policial no Rossio – três pessoas detidas

Perto das 16h enquanto as primeiras pessoas chegavam para preparar a Assembleia Popular de hoje, às 19, a polícia de intervenção chegou e carregou, detendo três pessoas, uma delas por estar a tirar fotografias.
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O apelo neste momento é para todxs rumarmos ao Rossio em solidariedade com os detidos e para que a bófia e o Governo não consigam o querem: parar esta assembleia tão obviamente mais democrática que a dancinha que amanhã todxs se preparam para fazer. Ao que sabemos, neste momento, estão no Rossio cerca de 200 companheiros, e há duas carrinhas do corpo de intervenção … quantos mais de nós menos força terão elxs
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actualizações:
– Polícia, durante a carga, também roubou o material de som que apoia a assembleia popular ;
– As televisões estavam lá e filmaram tudo, fica o aviso, sabemos que têm as imagens…

A anarquia é bonita e… cool

Feira do Livro Anarquista
És anarquista? – Sim, porque sou trabalhador consciente. – Que é ser trabalhador?- É viver pelo esforço do seu trabalho. – Quando se pode dizer que o trabalhador é consciente? – Quando conhece as causas da sua miséria e as combate. – O que é o trabalho? – É o esforço para produzir. – Mas o sol não é produzido pelo homem. – Não, por isso se chama riqueza gratuita. – A terra é uma riqueza gratuita? – Deveria sê-lo, porque é a matéria natural da produção natural da produção das riquezas minerais e orgânicas; mas não o é. Isso é a causa da maior parte das desgraças humanas. – Que dirias dos homens que se apropriam de toda a Terra e não permitam que os outros a cultivem? – Que são infames. – E que dirias de uma feira do livro onde pudesses encontrar tudo e mais alguma coisa sobre Anarquismo? – Diria que isso é bonito. / Raquel Ponte

Esta maravilha do mundo da moda vem directamente desse fantástico jornal online da contracultura portuguesa, a Le Cool Magazine. Tendo em conta o que acabo de ler, vou já ligar para ver se me metem na guest-list…
Repare-se no link bonito

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Ocupa desalojada hoje de manhã>>>>O Porto aqui tão perto

O movimento Es.Col.A do Alto da Fontinha Espaço Colectivo Autogestionado, que ocupava a antiga escola da Fontinha, no Porto, foi despejado hoje de manhã pela Polícia Municipal com ajuda dos gorilas fardados da Brigada de Intervenção Rápida da PSP.
De acordo com as informações que temos estão neste momento detidas as sete pessoas que se encontravam no interior do espaço quando receberam esta visita com algemas. Apela-se ao pessoal do do Porto para se juntar AGORA à concentração à porta da esquadra do Bom Pastor (ao lado da arca de água) onde estão os detidos.
Falamos de um projecto social num dos bairros mais guetizados da cidade, que tinha por objectivo recuperar aquela antiga escola que fechou portas há cinco anos. O pessoal estava lá há um mês e já tinha dado início a uma vasta recuperação do espaço. Além do óbvio objectivo de recuperar para todxs um espaço da cidade, não deixando às mãos do abandono ou do estado, que tanto podia lá fazer qualquer coisa cultural entre muros ou vender para especulação imobiliária, este movimento queria ainda ajudar à troca não autoritária de saberes, que até já tinha começada com aulas de diversas disciplinas.
É ainda de realçar que muitos moradores do Alto da Fontinha participavam activamente no projecto, quer em assembleias, quer na recuperação do edifício.
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olha para eles a vandalizarem um edifício todo arranjadinho
A polícia, que por lei teria de dar 90 dias para os ocupantes deixarem o local após notificação, o que poderia permitir uma melhor defesa legal ou uma mais eficáz defesa da ocupa, (apesar de ter sido alertada para isso)agiu mais uma vez à margem da lei que tanto apregoa quando quer e, além proceder às detenções,iniciou de imediato o emparedamento do edifício.
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umas escolas valem mais que e outras e isso é perfeitamente natural

BE: o eterno ensaio da prática

No jornal online do BE, o esquerda.net, saiu um artigo de opinião de denúncia da repressão policial ocorrida em Setúbal. Sinceramente, não está mau. E perante a brutalidade a que assistimos, toda a solidairedade é pouca. É que pode mesmo calhar a todxs. O que mais estranho é que o próprio Bloco não não tenha emitido nenhum comunicado de repúdio ou tenha pedido quaisquer esclarecimentos sobre o sucedido (que eu saiba).
É ainda interessante que este salto qualitativo nas formas de repressão se tenha iniciado com a manifestção anti-nato, em que o BE, como estrutura (houve militantes e até destcados que deram a cara) mas repito, como estrutura, não só não tenha emitido qualquer comunicado sobre o isolamento da cauda da manifestação, onde estavam os “perigosos anarquistas”, como tenha ajudado a esse isolamento marchando rapidamente para facilitar o trabalho da polícia. Não vale a pena dizer que foi sem querer, porque eu ouvi dirigentes do partido a arregimentar gente para andar mais depressa, porque os gajos vão “armar estrilho”. Esse trabalho de negligência, da parte do BE (e principlamente o actuante, da parte da GCTP/PCP) ajudou objectivamente a que uma boa parte da manif fosse excluida e dando-se assim carta branca para que centenas de macacos fardados tenham podido fazer tudo o que estava ao seu alcance para criar todas as condições para que ali ocorresse uma valente carga policial.
Repito, toda a solidairedade deve ser bem vinda nestes tempos de repressões multiplas e ninguém deve ou pode ser dono da “identidade” de uma manifestação para aprovar ou desaprovar solidariedades, no entanto, as que só ficam pelo ensaio, sabem a qualquer coisa estranha, parece que fica a faltar qualquer coisa, hummm.. já sei, a prática.

Vá, mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos-da-puta-de-progressistas-do-caralho-da-revolução-que-vos-foda-a-todos!

Bom, pode ser apenas mais uma das acções muita giras que aquela gente cheia de talento para a comicidade se dedica com empenho diario. Seja como for, é demasiado bom para ser verdade. Não há botão adoro bués no facebook?
MayDay Lisboa vai à Troika http://maydaylisboa2011.blogspot.com/2011/04/mayday-lisboa-vai-troika.html?sms_ss=facebook&at_xt=4db683a100981167%2C1O MayDay Lisboa recebeu esta tarde um convite por parte da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) para um encontro na próxima 3ª feira dia 26 de Abril.
A motivação para tal convite terá sido a discussão da actual situação laboral em Portugal, entendendo a Troika que o MayDay Lisboa, que se debruça enfaticamente sobre a questão da precariedade laboral na população trabalhadora portuguesa será um dos muitos actores sociais a ser consultado acerca das contrapartidas para o empréstimo de 80 mil milhões de euros que está a ser planeado para o país.
É com muito agrado que o MayDay Lisboa encontrar-se-á com os representantes do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, tendo para tal sido designada uma delegação do movimento.
Após o encontro o MayDay Lisboa comunicará as principais conclusões alcançadas, esperando poder contribuir activamente para que seja alcançado o melhor resultado em termos do futuro do país e em soluções para os impasses laborais e financeiros“.

Novas, Novas: Padaria abandonada é ocupada e distribui pão grátis

Um grupo de auto-intuladas padeiras e padeiros livres acaba de ocupar uma antiga padaria na bica e convoca todxs para assembleia okupa e lanche. quem concordar com o texto abaixo dos padeiros é ir e participar.
“Hoje, 25 de Abril de 2011, nós, padeiras e padeiros livres, convidamos todos à padaria da calçada da bica, libertando-a do abandono a que foi votada pelas dinâmicas económicas da cidade.
Perguntamo-nos onde estão os proprietários desta padaria que não resistiram à economia de supermercado que dominou as nossas cidades e que tornou a actividade desta e de muitas outras padarias insustentável. Fazemo-lo por todas as actividades do nosso quotidiano, cada vez mais sufocadas por politicas de regulamentação que na verdade não são mais do que instrumentos para o domínio da nossa sociedade pelos grandes grupos económicos.
Quando crescemos, ainda conhecíamos pelo nome o padeiro, o talhante, o merceeiro. Esta vizinhança abria espaço para uma solidariedade que se esfumou no anonimato das cidades actuais. Ainda assim, não é um fascínio romântico pela vizinhança que nos move, mas a necessidade de nos organizarmos frente às dificuldades da situação em que nos encontramos.
Em horas difíceis como as que atravessamos, achamos que à ideia de propriedade se devem sobrepor conceitos de comunidade e de solidariedade, sobretudo numa cidade tão marcada pelo abandono. A cidade a quem a vive e usa, a quem dela precisa. Acreditamos que juntos somos mais e que todos devemos ter uma palavra a dizer e um par de mãos para construir o futuro das nossas vidas.
Por isto, convocamos todos os vizinhos, próximos ou distantes, a pensar o que fazer desta padaria, e a partir dele, do bairro, da cidade, do mundo. A assembleia acontecerá à mesma hora da manifestação convocada para a Avenida da Liberdade, não como forma de oposição a esta manifestação, mas com a revolução dos cravos no coração, tentando celebrá-la da forma mais viva que encontrámos.
Iremos distribuir pão gratuitamente desde as 8h da manhã, até que se nos acabe a farinha. Durante a tarde, iremos servir sandes, esperando para o lanche todos os que, depois da manifestação, se nos queiram juntar. Queremos construir um forno nesta padaria, para activá-la em todo o seu potencial. A forma como o faremos será um dos pontos que iremos apresentar à discussão na assembleia de vizinhos.
Unidos Venceremos!
Um velho slogan, herança do 25 de Abril que hoje se comemora. Queremos celebrar o entusiasmo que juntou tanta gente, na ilusão da construção colectiva de um novo mundo. Guiados pelo sonho, a todos o que nos vierem pedir pão, oferecemos esta padaria. Que haja pão para tanta mão.
PS: Por comodidade utilizamos o masculino genérico neste manifesto. Não que seja nossa intenção excluir as mulheres, que para nós estão naturalmente incluídas”

Hoje: Todxs contra o (desastre do ) nuclear

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Estão a ser convocadas, em toda a Península Ibérica, concentrações anti-nuclear e de solidariedade com o povo japonês, afectado pelos desastres das centrais nucleares. Não só queremos acabar com a energia nuclear, como queremos a transição para um modelo energético mais sustentável!
Em Lisboa, queremos fazer uma concentração silenciosa em frente à Embaixada do Japão, para manifestar a solidariedade com o povo japonês. De seguida, descemos um pouco a Avenida da Liberdade e vamos até à Embaixada de Espanha exigir o encerramento de todas as centrais nucleares da Península Ibérica!
Lisboa: 5ª feira, 17/03/2011, 18h00
Embaixada Japão (Av. Liberdade, 245) – 18h00
Embaixada Espanha (R. Salitre, 1) – 19h00
Mapa: http://bit.ly/e08BqC
Evento de Lisboa no Facebook: https://www.facebook.com/event.php?eid=206788072665374
Lista de iniciativas na Península Ibérica: http://www.ecologistasenaccion.org/article20037.html

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A disputa da rua: porque vou amanhã à manifestação “Geração à Rasca”

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Algumas pessoas criaram um evento no facebook para protestar contra a precariedade e o actual estado de coisas. Facto. Em poucos dias milhares aderiram virtualmente à coisa e passadas umas semanas já são dezenas de milhar. Facto.
O comunicado não propõe soluções e apela indirectamente a que elas passem pelo conflito que se desencadeie na rua. Esse apelo foi ouvido pelos mais diversos sectores nascendo assim uma bolha que pode ser aproveitada por quem quiser, bolha essa que ultrapassa claramente os objectivos dos organizadores.
A extrema-direita e alguma direita, à excepção do PS, estão a tentar pegar nisto. Assumiram o conflito e querem ganhá-lo. O próprio Cavaco, que é um dos maiores agentes do estado de coisas, apelou, indirectamente à manifestação.
Então o que nos resta com um comunicado provavelmente demasiado lato e uma direita a semi-organizar-se para lá estar?
Como refiro, a bolha está criada, mas do outro lado, anticapitalistas, associações lgbt`s e de emigrantes, precários organizados e muitos, muitos não organizados, creio que bastante novos, que vêem neste sistema um problema, estarão também lá para disputar esse espaço. Eu também, para que, se na rua se criar um espaço, ele seja de conflito, no sentido de criar rupturas no discurso dominante, que seja de ocupação de um espaço, não para fazer cair este ou aquele governo, mas para dar passos no sentido de, na rua, insisto, dar início à construção de uma táctica.
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Por causa de um comunicado que não é o de cada um de nós, nem poderia ser, não podemos em nome de um qualquer purismo, deixar a rua para um inimigo cujo único objectivo é reorganizar-se. A rua será tanto mais nossa quanto mais de nós lá estivermos a exigir não qualquer reforma, mas o fim de todo este sistema.
Amanhã haverá alguma revolução? Provavelmente não. Como a vamos construindo? Na rua e com quem lá está, não saindo no final com o cravo na mão a horas certas como muitos de nós têm feito em tantas outras manifes aqui e ali. A coisa pode falhar? Pode. Se lhes queremos dar a rua de bandeja? Não.
Amanhã estes e outros anticapitalistas encontram-se em frente ao São Jorge, às 15h. Apareçam: vamos disputá-la e ganhá-la!

Camarada Cavaco ou do que as palavras valem

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Nas vésperas da primeira manifestação convocada fora da lógica directiva dos partidos e sindicatos em muitos anos, o camarada presidente, na sua sua (re)investidura, resolveu pedir à juventude um sobressalto cívico. Repare-se: a quatro dias do referido protesto que poucos acertaram como começou a ainda menos saberão como irá terminar.
Sem medos, como tantos têm, não recuou na mobilização em nome de uma qualquer estabilidade política. Contamos com o camarada Cavaco e ele sabe que conta connosco.
Se Manuel Alegre tivesse ganho com certeza teria feito um discurso mais à direita que este, ou se dissesse alguma coisa parecida seria o orgulho e a prova que afinal havia diferenças, provando assim que Alegre não era igual a Cavaco… Depois deste discurso do camarada presidente, que também salientou que há limites para a austeridade, quem defendeu o voto no Alegre pela esquerda, devia vir a publico, num acto de contrição lamentar não ter votado Cavaco.
Bom, as palavras valem o que valem, e essencialmente valem para ganhar votos, e quem defendeu votar Alegre usou maioritariamente como argumento as suas palavras, por isso podem-se mobilizar para nova campanha: referendar o limite de mandatos do presidente e fazer uma grande campanha para a sua terceira eleição em nome da insurreição cavaquista.
Dia 12 lá estarei, para, entre outras coisas, tentar, fora do joguete institucional, dizer bem alto que o problema não está em Cavaco e a solução em Alegre ou na social-democracia bloquista, mas no fim de qualquer tipo de repressão e exploração levada a cabo (também) por agentes deste calibre.
Revolución

concentração hoje às 18h camões em solidariedade com imigrantes na Grécia em greve de fome

Esta é uma convocatória de ultima hora pela urgência da situação. Neste sábado passado a os imigrates em protesto, decidiram entrar em greve de Água!
“Nós somos homens e mulheres imigrantes e refugiados que estão por toda a Grécia. Nós viemos para escapar da pobreza, desemprego, guerras e regimes ditatoriais. As empresas multinacionais e os seus servos políticos deixaram-nos sem escolha, com a nossa vida repetidamente em risco e colocando-nos às portas de saída da Europa.
O Ocidente que explora os nossos países enquanto beneficia de condições de vida melhores, é igualmente a nossa única hipótese para viver-mos de forma digna e para viver-mos como seres humanos.
Embora entrando de forma legal e ilegal, nós viemos para a Grécia e trabalhamos para nos sustentarmos a nós e as nossas famílias. Nós vivemos sem dignidade, nas sombras da ilegalidade. Empregadores e Agências Estatais beneficiam injustamente do nosso trabalho como escravos. Vivemos com o suor do nosso rosto e com o doce sonho de que um dia vamos ter os mesmos direitos que os nossos colegas e trabalhadores gregos.
Nós imploramos pela legalização de todos os homens e mulheres imigrantes, nós imploramos pelos mesmos direitos políticos, sociais e deveres que os nossos colegas e trabalhadores gregos.
Nós não temos outra forma de fazer as nossas vozes ouvirem-se a fim de alertar os restantes para a consciência dos nossos direitos. Desde 25 de Janeiro de 2011, trezentos (300) de nós estão em greve de fome em Atenas e Salónica. Nós arriscamos as nossas vidas, pois de qualquer forma, não temos qualquer dignidade nas nossas condições de vida. Nós preferimos aqui do que permitir que os nossos filhos sofram o que nós sofremos.”
Com esta iniciativa, nós expressamos a nossa solidariedade para com a justa luta destes 300 trabalhadores imigrantes que há 44 dias fazem greve de fome e pedem resposta imediata aos seus apelos.
Mais Info em:
http://www.liberdade365.com/2011-03-09/solidaridade-as-300-immigrantes-em-greve-da-fome-em-grecia-0
http://pt.indymedia.org/conteudo/agenda/3866
recebido no mail há minutos.

“DIÁRIOS SECRETOS DE VALENTINA” Hoje—Lar​go da Severa-Mou​raria- 21h–Apres​entação de fanzine,se​guido de festa contra a repressão

“Os diários secretos de Valentina”, apresentação por Jornadas AntiCapitalistas
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No dia 4 de Março, as Jornadas AntiCapitalistas prestam homenagem a Valentina, revelando ao mundo os seus diários secretos: «Querido diário, eu, Valentina, aqui descrevo sem pudores os meus mais selvagens sonhos. Tudo começou quando o Agente Silva me convidou para um café no Califa para discutir comigo a ameaça da extrema-esquerda à segurança nacional. A tarde era chuvosa e húmida mas ainda assim quente. Mal cheguei e vi o Agente Silva a beber um abatanado senti um golpe forte no peito…”.
Aparece na da Barbuda (Largo da Severa, ao Martim Moniz), para o lançamento da fanzine “Diários Secretos de Valentina”. Uma história de devaneio, traição é ódio….