Uma dor de cabeça para a Ana Drago, Daniel Oliveira e o tolinho do tavares.

 

socrates

Numa altura em que toda a gente começa a perceber que o problema está nos partidos do sistema que fazem o sistema dos partidos, as últimas semanas tem sido muito pouco animadoras para todos aqueles que por idiotice, desespero ou por arrogancia acham que se pode fazer algo com o ps.

Há pouco, pouco tempo, diziam que jamais, jamais,  haveria uma solução à esquerda sem o ps. Verão rapidamente que se meteram num buraco muito negro.

Mas haverá sempre a hipótese de ressuscitar com um novo 3D, ou um 4F ou 5E. Ou mesmo um Congresso Alternadeiro versão 5.0.

Ao fim e ao cabo o complexo de Henrique de Sousa manter-se-á: nada fazer e empecilhar qualquer verdadeira alternativa.

Uma merda pois.

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Passatempo: descubram as semelhanças

muro

Há 18 anos nas Teses aprovadas no XVI Congresso do PCP falava-se da “experiência comunista real” nestes termos:

3. A luta pelo socialismo no mundo sofreu ao findar o século XX derrotas de ainda incalculáveis consequências para a luta dos trabalhadores e dos povos contra todas as formas de exploração e opressão, com a desintegração da URSS e dos regimes existentes nos países do leste da Europa.
Os acontecimentos mostraram que nesses países, apesar das grandes transformações e realizações democráticas revolucionárias de carácter económico, social e cultural, acabou por instaurar-se e instituir-se em determinadas circunstâncias históricas um “modelo” que violou características essenciais de uma sociedade socialista e se afastou, contrariou e afrontou aspectos essenciais dos ideais comunistas. Em vez do poder político do povo, um poder excessivamente centralizado nas mãos de uma burocracia cada vez mais afastado da intervenção e vontade das massas e cada vez menos sujeito a mecanismos fiscalizadores da sua actuação. Em vez do aprofundamento da democracia política, a acentuação do carácter autoritário do Estado. Em vez de uma economia dinamizada pela propriedade social dos principais meios de produção, uma economia excessivamente estatizada desincentivando progressivamente o empenhamento dos trabalhadores e a produtividade. Em vez de um partido de funcionamento democrático, enraizado nas massas e delas recebendo energias revolucionárias, um centralismo burocrático baseado na imposição administrativa de decisões tanto no partido como no Estado, agravado pela fusão e confusão das funções do Estado e do partido. Em vez de uma teoria viva e criativa, a sua dogmatização e instrumentalização.
A experiência revela assim que na construção da sociedade socialista as soluções adoptadas para os mais diversos problemas (organização económica, sistemas de gestão, estrutura do Estado, política social, intervenção popular, cultura) têm de estar constantemente sujeitas à verificação dos resultados, prontas à correcção e à mudança quando necessárias, abertas ao constante aperfeiçoamento e enriquecimento.
A experiência revela ainda que para impedir um distanciamento entre os governantes e as massas, o uso indevido do poder político, o abuso da autoridade, a não correspondência da política e das realidades com os objectivos definidos e proclamados do socialismo, desvios e deformações incompatíveis com a sua natureza – são essenciais o exercício efectivo do Poder pelo povo, o controlo popular e a consideração permanente do aprofundamento da democracia.
A história do século XX mostra por um lado que grandes transformações e conquistas de alcance histórico na construção do socialismo e um verdadeiro progresso social são inseparáveis da luta dos comunistas; mostra por outro lado que a assimilação crítica das experiências revolucionárias, positivas e negativas, é indispensável às forças que se proponham, no seu próprio país, pôr fim a todas as formas de exploração e opressão, construindo uma sociedade socialista.”

 

Hoje diz-se merda.

Com uma enorme vergonha alheia só se pode concluir que um partido que regride tanto, mas tanto, tem de renascer um dia destes.

Sou muito bom, Sou sempre a abrir !

Uverão

“Os convidados de esquerda são uma tradição na universidade de verão do PSD (Mário Soares, Correia de Campos e João Proença já passaram por lá), mas desta vez Rui Tavares é “provavelmente a pessoa mais à esquerda que já lá esteve”. Isto segundo o próprio.”

Os trabalhos arrancam com Marco António Costa e o encerramento será feito por Pedro Passos Coelho.

 

Realmente com a esquerda como anda talvez seja melhor tentar ir à direita. Afinal o meio do meio do meio da esquerda reformolucionária fica no psd.

 

ahahah

Relembrando o 22 de Março de 2012 – Algumas notas sobre o início do julgamento dos “acontecimentos do Chiado”

Um texto de Miguel Carmo

Olá.

O meu julgamento começa amanhã à tarde no Campus de Justiça e prossegue, pelo menos, nas próximas duas quintas-feiras.

O Ministério Público (MP) acusa-me, com base no testemunho de um polícia que assina o Auto de Notícia, de ter projectado uma cadeira de uma das esplanadas do Chiado sobre uma linha de polícias que na Rua Serpa Pinto protegia a detenção de um manifestante. Não tendo sido identificado durante a manifestação, nem em nenhum outro momento anterior ou posterior, o Auto refere que se fez uso para tal de informações do Núcleo de Informações da PSP, na forma que passo a citar: “trata-se de um indivíduo que é presença habitual neste tipo de manifestações/concentrações, pautando sempre a sua conduta de forma agressiva para com as Forças de Autoridade”. Ainda não é certo se este julgamento servirá para esclarecer a qualidade de polícia política que a PSP parece requerer para si no documento citado.

Passaram agora mais de dois anos sobre os “acontecimentos do Chiado” e a memória dilui-se. Nada que a Internet e os jornais da altura não reponham num instante. Foi dia de greve geral combativa, com várias manifestações a atravessarem o Chiado em direcção a São Bento. Perante a passagem de uma delas a PSP tem a ideia genial de deter um estivador que vinha rebentando petardos ao longo do percurso. É um homem de meia-idade com um pacemaker, cuja detenção provoca o espanto e reacção imediata dos seus amigos e depois a indignação de toda a manifestação. Foi este o momento inicial de um descontrolo policial que varreu, a vários tempos e intensidades, todo o Chiado até ao Largo de Camões com um balanço final de dezenas de feridos entre manifestantes, jornalistas e transeuntes. Nesse dia temos o Ministro da Administração Interna na televisão a explicar-se e dias depois a ser requerido pelo Bloco de Esquerda para uma audiência parlamentar convocada de urgência para o efeito; temos um inquérito aberto pelo IGAI ao comportamento da PSP, preenchido com declarações de várias pessoas agredidas; e temos o MP a agrupar num mega-processo penal cerca de uma dezena de queixas.

De tudo isto nada reza a história. Macedo é ainda Ministro da Administração Interna, os resultados do IGAI são aparentemente nulos e o MP arquiva todos os processos na fase de instrução, por falta de provas, todos à excepção daquele contra mim. A PSP atacou uma manifestação em dia de greve geral, o Ministro da Administração Interna defende-a e responde politicamente no parlamento; as várias queixas apresentadas contra polícias, tanto no penal como junto do IGAI, são arquivadas e esquecidas, sobrando um processo contra uma pessoa que, como milhares de outras desde o último mandato de Sócrates, têm participado e organizado várias manifestações. É disto que fala, em específico, a ideia de que a história é sempre a história dos vencedores.

Junto algumas ligações de Internet.

 

As audiências serão sempre às 14h, no 5º Juízo Criminal de Lisboa, 1º Secção (edifício “B” do Campus de Justiça, na Expo)

Agradeço divulgação em blogues e fb pois não os tenho. Que a denúncia seja por ora a nossa arma. Se alguém quiser produzir opinião com mais folêgo sobre esse dia/julgamento posso enviar documentação vária do processo, nomeadamente o despacho de acusação e a nossa contestação.

Abraços e beijinhos

Miguel Carmo

Ligações:
http://versaletes.blogspot.pt/2012/03/miguel-macedo-brinca-com-o-fogo_27.html
http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2012/03/carga-policial-de-22-de-marco-mocao-de.html
http://jsgphoto.blogspot.pt/2012/03/22-de-marco.html
http://passapalavra.info/2012/03/54758

http://portugaluncut.blogspot.pt/2012/03/no-chiado-ordem-dos-factores-nao-foi.html

http://portugaluncut.blogspot.pt/2012/03/provocacoes-policiais-versao-uncut-em.html

http://portugaluncut.blogspot.pt/2012/03/um-acto-desproporcional-da-policia.html

 

 

Texto : Somando Derrotas: a Desvalorização Interna e o Fracasso da Luta da Classe Trabalhadora na Grécia (TPTG)

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Tradução parcial de um dos últimos artigos do colectivo grego Ta Paidia tis Gallarias (As Crianças da Galeria), nome de uma publicação e do grupo responsável pela sua edição. Baseados em Atenas, integram a área antiautoritária na Grécia desenvolvendo uma perspectiva comunista focada no desenvolvimento da luta de classes e empenhada na  extinção do trabalho assalariado e do Estado.

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A forma que assumiu recentemente na Grécia quer a crise das relações sociais capitalistas quer a sua gestão pelo aparato político do capital, reflete as contradições acumuladas ao longo dos últimos 20 anos a todos os níveis da formação social do país, bem como as contradições inerentes ao processo da alegada “integração europeia”.

Na esfera ideológica das entidades económicas, a crise capitalista manifestou-se enquanto “crise de competitividade” e enquanto “crise da dívida soberana”.

Enquanto “crise de competitividade” porque a exploração do proletariado se revelou insuficiente em relação ao progresso da produtividade laboral, à adopção de uma moeda comum europeia sobreavaliada e à capacidade dos capitalistas na Grécia em obter margens de lucro altas, mantendo os preços altos devido aos altos níveis de procura que, por sua vez, se tornavam possíveis pelo influxo de crédito monetário barato após a adopção do Euro.

Enquanto “crise da dívida soberana” porque as tentativas de cortar nos salários indirectos não foram suficientemente bem sucedidas (veja-se, por exemplo, o falhado projecto lei “Giannitsi” em 2001 e outros numerosos esforços legislativos de reestruturação da segurança social), já que a despesa social continuou a aumentar desde 2000 até 2008, ao mesmo tempo que a tributação aos lucros do capital continuou a diminuir persistentemente. Neste caso, a despesa pública conseguiu aumentar durante algum tempo devido ao influxo de crédito monetário barato relacionado com a adopção do euro.

A eclosão da recessão global em 2008 provocou a explosão destas contradições poucos meses depois. A economia grega foi levada a uma profunda recessão e os lucros colapsaram, enquanto o défice da balança de pagamentos, o défice público e a divida nacional subiram enormemente.

As manipulações tanto do governo Papandreou como do Banco Central Europeu, que exacerbaram a “crise da dívida”, foram deliberadas: tanto a classe política europeia como a grega encararam a crise enquanto uma oportunidade de implementar uma dura política de “desvalorização interna” dirigida à decomposição do poder da classe trabalhadora na Grécia e à desvalorização ou destruição do capital não-produtivo.

A política de desvalorização interna adoptada nas medidas do infame “memorando” pode ser caracterizada enquanto uma política de desvalorização do capital. Os seus aspectos fundamentais são: uma ampla redução do salário directo e indirecto, resultando numa redução do valor da força de trabalho; o gigantesco aumento do exército de reserva do desemprego e de todas as formas de desemprego que possam comprimir salários e contribuir para o disciplinarização e intensificação do trabalho dos que ainda têm um emprego; um novo processo de acumulação primitiva através das privatizações e da proletarização de uma parte significante da pequena-burguesia; o aumento da carga tributária sobre a classe trabalhadora e o estabelecimento de medidas de austeridade permanente. As medidas económicas foram combinadas com a formação de um estado de emergência férreo, no qual as lutas sociais e de classe são reprimidas e criminalizadas enquanto o capital disfruta de total liberdade para violar o Direito civil – e até constitucional – de modo a poder explorar do modo mais eficiente e apropriado tanto a classe trabalhadora como a natureza. O resultado destas políticas foi a continuação e o agravamento da recessão, bem como a destruição de centenas de milhares de pequenos negócios e, finalmente, a centralização do capital.

Apesar da política de desvalorização interna ter resultado numa recessão prolongada, numa perspectiva de recuperação lentíssima e em níveis de desemprego gigantescos, a facção dominante do capital grego e europeu está determinada a levar o plano até ao fim, já que a parada para o capital não pode ser menos do que a reconstrução em novas bases do circuito de acumulação de capital, abandonando o prévio regime clientelista-corporativo de integração da classe trabalhadora, desconstruindo o reduzido Estado-social e decompondo o poder negocial da classe trabalhadora. O único factor que poderia derrubar esta política seria um movimento proletário verdadeiramente perigoso que tentasse abolir as relações sociais capitalistas. Nenhum sinal de tal movimento revolucionário surgiu até agora.

A política de desvalorização interna encontrou inegavelmente uma resistência significativa durante os primeiros dois anos da sua implementação: greves contra as redundâncias nos sectores público e privado, o movimento das praças e das assembleias de bairro, o movimento contra o trabalho clandestino, as manifestações de massas durante as inúmeras greves gerais e uma série de lutas sectoriais de trabalhadores e estudantes. Hoje temos de admitir que as lutas do período passado foram incapazes de parar as políticas adoptadas, apesar do adiamento que causaram à implementação de uma série de medidas. É crucial, para nós que estamos interessados em abolir e superar o miserável mundo do capital, procurar as causas deste falhanço

A principal razão do falhanço das greves está relacionada com o facto de, quer no caso das greves gerais convocadas pelo GSEE e pela ADEDY[1] quer no das lutas específicas dentro de um sector ou de uma empresa, estas terem permanecido sob controlo dos sindicatos. Por um lado, as greves de 24 e 48 horas funcionaram essencialmente enquanto válvula de escape e tiveram uma participação limitada na maioria dos casos, apesar de se terem verificado manifestações sem precedentes, no contexto das quais foram desenvolvidas práticas insurrecionais por grandes grupos de manifestantes. Por outro lado, as lutas sectoriais ou dentro de empresas deram-se na maior parte dos casos em isolamento. Não houve formas autónomas de organização de trabalhadores que conseguissem superar a lógica da tarefa, a obsessão com a legalidade burguesa e as separações sectoriais/corporativas reproduzidas pelos sindicatos.

O movimento das praças, com a sua principal expressão na ocupação da praça Syntagma durante dois meses, sugeriu uma superação da lógica sectorial e um questionamento dos partidos políticos da Esquerda, enquanto formas alienantes de representação da classe trabalhadora e do sistema político enquanto um todo. Contudo, as críticas permaneceram no nível do protesto político e da exigência de “democracia directa/real”, apesar do seu papel na convocação de greves contra o acordo intermédio[2] e na organização das lutas contra as forças do capitalismo em Junho de 2011. O aparelho do SYRIZA e de outras organizações teve uma participação dissimulada nos grupos fundamentais da sua organização e conseguiu dessa forma um controlo sobre o conteúdo e as formas de luta, ao promover uma ideologia nacionalista de Esquerda de “independência nacional”, “reconstrução produtiva da economia Grega” e “cancelamento da parte odiosa da divida”, etc. Talvez por esta razão tenha sido tolerada a presença de nacionalistas de extrema-direita, que faziam a sua propaganda sem qualquer problema na parte superior da praça entre as pessoas que se reuniam aí, desde trabalhadores em luta a pequeno-burgueses com ideais nacionalistas de direita. Para além do mais, esse aparelho fez tudo o que pôde para limitar a luta a um nível puramente simbólico, minando quaisquer sugestões práticas para a sua expansão, enquanto apelidava de “provocadores” os que lutavam com as forças de ordem nas manifestações de massas da altura.

O predomínio do discurso nacionalista no movimento das praças está directamente relacionado com a capitalização eleitoral das lutas contra as políticas do memorando, quer estejamos a falar da subida do SYRIZA, que o transformou em oposição, da formação dos Gregos Independentes ou do surgimento da Aurora Dourada. Uma secção considerável da classe trabalhadora e da pequena-burguesia depositam as suas esperanças numa inversão das políticas de desvalorização, através da eleição de um governo SYRIZA. Ao mesmo tempo, a ala direita dos que protestaram anteriormente com palavras de ordem nacionalistas como “patriotismo real contra os políticos traidores”, que inicialmente não tinha representação política efectiva, foi gradualmente integrada dentro dos Gregos Independentes ou da Aurora Dourada. A Aurora Dourada foi sistematicamente promovida pelos os media, por sectores capitalistas específicos (os armadores, por exemplo), por parte do clero e pelo aparelho de Estado. Assim, a deslegitimação do sistema político que havia predominado nos dois anos anteriores foi sucedida pela formação de novas entidades políticas, conduzindo à sua relegitimação.

A responsabilidade de uma parte considerável do movimento antiautoritário foi importante e determinou de certa forma o rumo do movimento das praças, já que se absteve do seu desenrolar ou lhe foi abertamente hostil, argumentando que era um movimento pequeno-burguês, apolítico ou que tolerava fascistas.

Com a recente experiência do fiasco da greve do sindicato dos professores (OLME) ou a amarga experiência da ocupação autogerida da companhia nacional de radiodifusão (ERT) pelos seus ex-empregados, contra a decisão governamental de reestruturar a ERT a partir do zero e despedir todos os empregados – uma ocupação que foi incapaz de se transformar no centro mediático do movimento contra a austeridade, apesar de muitas das pessoas que expressaram a sua solidariedade o terem solicitado – é necessário fazer alguns comentários finais sobre os sindicatos. Existe a opinião generalizada de que nas presentes circunstâncias o Estado já não necessita dos sindicatos, uma vez que ataca o poder de negociação da classe trabalhadora e abole a contratação colectiva. No entanto, a experiência da greve dos professores, que foi anunciada mas nunca concretizada, demonstra o contrário: os sindicatos são uma instituição de cogestão e reprodução da classe trabalhadora dentro dos moldes de produção capitalistas e, nesse sentido, adaptam-se às diferentes circunstâncias da acumulação capitalista. Se em tempos de desenvolvimento capitalista os sindicatos parecem ser os “factores” que conduzem a classe operária às “conquistas”, em tempos de crise estes parecem servir como garantia de “menos” perdas. No período que atravessamos, os sindicatos são necessários para o Estado no sentido de mediar, controlar e em última análise minar a raiva e o ressentimento.

Evidentemente que, enquanto trabalharmos em locais onde existem sindicatos, não podemos senão assistir às assembleias de modo a tomar decisões militantes e a organizar mobilizações. Mas se realmente queremos alcançar algo contra os ditames do capital é necessário superá-los e estabelecer formas autónomas de organização dentro e contra os sindicatos, que promoverão o desenvolvimento de laços efectivos de solidariedade e camaradagem. Quer queiramos quer não, a abolição da política de desvalorização interna será possível apenas através de uma luta abrangente contra o Capital e o Estado.

[1] N.do T.: Respectivamente Genikí Synomospondía Ergatón Elládos [Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos] e Anótati Diíkisi Enóseon Dimósion Ypallílon [Conferação Sindical dos Funcionários Públicos]

[2] N.do T.: Revisão efectuada em Junho de 2011 ao «Memorando» inicialmente assinado pelo Governo grego com a Troika no ano anterior, que implicou novas medidas de austeridade, nomeadamente um agravamento da carga fiscal e a contracção de diversos serviços públicos.

Os profissionais da desordem

Aguarda-se reportagem amanhã no DN feita pela Valentina Marcelino a explicar quem foram os grupos radicais comunistó-libertárió-autonomistó-anarkó-qq coisa que lançaram o pânico e provocaram a manifestação. (Valentina querida o teu marido foi dos que estavam a jogar ao ataque ou dos que estavam a jogar à defesa?).

Aguarda-se também a lista de detidos, de feridos, de polícias atropelados e de polícias que atropelaram.

Aguarda-se o comunicado do Miguel Macedo a ilibar a CGTP.

Como dizia o outro: ” a revolta está em todo o lado”…

Fazer Pontes, Ocupar a Rua, Parar o porto de Lisboa

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No dia 19 de Outubro vamos bloquear o terminal de Alcântara do Porto de Lisboa, após a concentração da CGTP às 15h, em Alcântara. Vamos interromper a circulação de mercadorias no principal terminal de transporte marítimo de Portugal. Vamos apoiar a greve em curso dos estivadores.

Queremos parar um processo de precarização, reforçando a luta concreta no porto de Lisboa. Queremos fazer crescer outras lutas, noutros sectores da economia, noutras áreas da vida. Queremos dizer bem alto que o problema é a exploração e a acumulação obscena de recursos por uns poucos. Queremos dizê-lo numa linguagem que não possa mais ser ignorada. Queremos parar a economia e colocá-la nas nossas mãos.

O porto de Lisboa é uma plataforma comercial de dimensão internacional, europeia e atlântica, e um dos pontos mais evidentes da campanha de desvalorização do trabalho e também da resistência que a ela se opõe. Esta luta, a nossa luta, é internacional.

Os protestos do dia 19 de Outubro são uma escalada na luta, que deverá continuar até 26 de Outubro na manifestação do Que Se Lixe a Troika e por aí fora. Vem para a rua. Traz as tuas capacidades, as tuas dúvidas, a tua revolta. Vamos transformar a rua numa força em comunicação com todas as lutas, do trabalho ao desemprego, das pensões à miséria.

Esta é uma convocatória aberta e múltipla. Esta é uma convocatória sem porta-vozes nem dirigentes. Esta convocatória é de quem a apanhar

Evento no facebook

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ALERTA ANTIFA!! Todos ao Rato hoje as 20H!!

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Não é preciso explicar quem está por trás disto, certo?

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Na próxima terça feira, dia 23, Isilda Pegado e a sua pandilha habitual de bichas ultra-cobardes vão organizar uma vigília “Pelo Direito a uma mãe e a um pai” e exigir o chumbo da Lei da co-adopção que será votada no dia seguinte, quarta-feira 24.

Esta malta ignorante esquece-se é que o mundo arco-íris é bem mas afiada e criativo que eles e portanto claro que vamos convocar uma contra vigília / arco-íris nocturno para lhes ir apagar as velas e limpar as lágrimas. (:

Ideia: Iluminar a noite no máximo de cores possíveis
Como? Com lanternas (cobertas de papel celofane de cores diferentes, por exemplo), telemóveis com luzes arco-íris (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.socialnmobile.flashlight), isqueiros, ou qualquer outra fonte de luz com cor para iluminar a estupidez daquelas alminhas preconceituosas que nos querem impedir de sermos famílias completas segundo a lei.

Com ou sem luz, apareçam na mesma!

Ponto de encontro às 20h30 em na saída de metro do Rato, para descermos juntas em direção à Assembleia da República. Venham. Partilhem. Juntem-se. ♥


Isilda Pegado, o nosso teletubby preferido, é (citando o Dezanove) “a presidente da Federação Portuguesa pela Vida, que lançou uma petição para que sejam revistas as chamadas “leis fracturantes” aprovadas pelos ex-governos de José Sócrates. Em causa estão as leis da reprodução artificial, interrupção voluntária da gravidez, divórcio, educação sexual, casamento entre pessoas do mesmo sexo e mudança de nome e sexo. Ao combate a estes direitos junta-se agora a co-adopção.”

Turquia – “Sei que não podem vir para cá, mas por favor levem-nos para aí.”

 
“São seis da manhã cá e acabo de chegar a casa. Foi uma das noites mais inacreditáveis da minha vida e tenho um favor a pedir-vos: por favor divulguem tudo o que puderem sobre a resistência na Turquia. Hoje fui expulso de um parque com uma carga policial. Hoje fui empurrado para um hotel com dezenas de feridos. Hoje fui… fechado em salas com gás lacrimogéneo por todo o lado, sem conseguir abrir os olhos de tanto arder,sem conseguir respirar. Hoje levei com um canhão de água com químicos só por estar em frente a um hotel sem estar a ameaçar o quer que seja. Hoje estive nas ruas com o povo de istambul. Hoje construí barricadas com eles, hoje atirei de volta as cápsulas de gás para cima da polícia, hoje fugi lado a lado pelas ruelas com medo da Polis. Hoje passei por Gezi durante a noite e já bulldozers a destruir tudo: o nosso parque, as nossas tendas, as nossas coisas. Hoje vi pessoas quase a asfixiarem, vi feridas abertas nos corpos. Hoje senti um tiro raspar-me as calças. Hoje fui tirado à bruta de dentro de um taxi pela polícia e revistado de cima a baixo, tudo o que estava dentro da mochila, e ofendido por ter um panfleto de Gezi como separador de um dos livros. Hoje volto a casa com uma raiva deste grupo de pessoas, deste grupo de caras, deste grupo de gravatas,destes Tayyips, e desta gente que veste o uniforme enquanto despe a consciência. Hoje chego a casa estoirado, a sentir que não durmo há dias, mas com a energia para correr todas as ruas desta cidade. Hoje chego a casa com mais força para lutar. Principalmente porque sei que não estou sozinho. Mas também sei que se a mensagem não passar aí para fora estamos perdidos. Estou num país onde um homem tem o direito de mandar espancar brutalmente milhares de cidadãs só porque ocuparam um parque. Sei que não podem vir para cá, mas por favor levem-nos para aí.”

25 de Abril II – Com jeito vai…

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 Desfile no 25 de Abril (II) – 15h, DN

“Alguns anos depois do fim do enredo inicial as forças do mal regressam com novos poderes e propósitos demoníacos. Os heróis do passado revelam-se incapazes de os combater e toca às pessoas comuns do presente reorganizar-se para enfrentar estes novos desafios.

Com interpretações notáveis, efeitos especiais inesquecíveis, uma banda sonora arrebata-corações e momentos de aventura e tensão que marcarão toda uma geração, “25 de Abril II” é já considerado o blockbuster do verão de 2013. Em parte thriller psicoló…gico e épico bíblico é no entanto pontuado por momentos de humor hilariantes sobretudo quando os vários candidatos a “líder” do movimento são ridicularizados por toda a gente em devir comunizante e insurreccional.

A não perder, estreia dia 25 de Abril às 15h em frente ao Diário de Noticias, no início da Avenida da Liberdade. Os convidados para a estreia deverão fazer-se acompanhar de máscaras, lenços de cowboy, instrumentos musicais e outra parafernália interessante.”

 

“”Faz” com o que tens, e se tiver que ser ao murro, tem de ser ao murro.”

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Mas o dia 1 de Abril não foi ontem? Hoje já não vale! Hoje é a sério!

Não é um “radical”, não é um “extremista”, não é o super-homem. Quando se pensa que o governo não pode descer mais baixo…enganamo-nos.

O novo “embaixador do Impulso Jovem” é um mini-me do Relvas. Foi escolhido pelo You Tube, trabalha à borla, incita o pessoal a trabalhar as horas todas que forem precisas e promete chapadas aos manifestantes. Um mimo. Uma espécie de relvas, cruzado com um humurista de stand-up com toques de actor publicitário do red bull.
Tem público porque diverte e anestesia. Mas depois espalha-se ao comprido na ignorância ” Se as políticas são para um lado ou para o outro… sou ignorante”. Nada que o leve a não aceitar ser embaixador de um conjunto de políticas nulo ou que o leve a sentir-se mal de partilhar o mesmo espaço físico que o relvas.

Não percam este momento pois vale a pena pela quantidade de pérolas por linha corrida:

Apresentando-se como “um rapaz simples”, que “acredita em sonhos e super-heróis”, Miguel Gonçalves foi abordado pelo ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, para ser, “sem remuneração”, a nova cara do programa de estágios lançado em agosto pelo Governo.O argumento da falta de dinheiro para pagar propinas também não convence o fundador da Spark Agency, uma agência de criatividade especializada na criação de soluções de comunicação interna em grandes empresas.“Eu paguei as minhas propinas a trabalhar. Estudar em Portugal não é como em Stanford, que custa 45 mil euros por ano. A um jovem estudar custa 1.200 ou 1.300 euros por ano, são 100 euros por mês. Amigo, se tu com 20 anos não consegues fazer 100 euros por mês para pagar o que estudas vais ter muitos problemas na vida, muito maiores do que esse”, disse.Ninguém deve deixar de trabalhar porque não tem dinheiro. É um mito. Até a vender pipocas no centro comercial se arranja dinheiro para pagar 100 euros por mês”, concluiu.

Para mais do “génio”:

Recomendação de leitura – relançado um dia destes

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“Confesso que não sei muito bem onde irá parar esta coisa do Big Mário! Mas uma coisa sei muito bem e, essa, também a confesso abertamente… ADORO SER FAMOSO!”

Um livro recomendado depois de mais de 10 anos. Um livro “escrito” por alguém que não sabe construir uma frase e que considera parágrafos e virgulas uma figura de estilo. Uma ode ao facilitismo e ao utilizar algo para ganhar relevo e uns cobres.

À venda no wok por 1,51€ . Os amigos aplaudem e os familiares juram que o livro é muito bom.

“A Internacional Ciclista” by João Pimentel Ferreira

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A Internacional Ciclista by João Pimentel Ferreira

De pé ó vítimas dos carros
Pedalai ó jovens da cidade
Avante e de punhos bem cerrados
Recordai sempre a mocidade
Não queremos ser mais ostracizados
De pé, pedalai e não mais carros
Senão queremos dar aos chupistas
Sejamos todos ó ciclistas

–Refrão–
Bem unidos, e exaltados
Construamos, é sacral
duma urbe sem carros
A Internacional

Bem unidos, e exaltados
Construamos, é sacral
duma terra sem carros
A Internacional
——–

Da galp, repsol e bp
Nada precisamos de nenhum
Criemos o ideal em quem não crê
e a rua mãe livre e comum
Melhoremos a nossa cidade
Findemos a poluição do ar
E na austera claridade
vamos todos pedalar!

–Refrão–

Agiotas do crédito dos carros
Chulos que fornecem combustível
Findemos os negócios implantados
Lutemos todos: é possível!
Desocupemos a nossa cidade
das latas que ocupam o passeio
Demos a todos, a mobilidade
Ciclistas sem receio!

–Refrão–

E os pobres peões abalroados
Reflitamos, fazei todos uma pausa
E senão quereis ser atropelados
juntai-vos hoje à nossa causa!
E os pobres animais trucidados
Morrem mil cães nas estradas pelo mundo
Lutemos, não sejamos bem-mandados
à tirania do capital imundo

–Refrão–

Os biltres que, com publicidade
Fazem do carro rei e senhor
Mas o carro só provoca mortandade
Gera doenças, morte e dor
Desocupemos as ruas e as praças
E deixai as crianças brincar
Eliminemos as fumaças
Vamos todos pedalar

“A Internacional Ciclista” by João Pimentel Ferreira
Daqui

Exclusivo Spectrum: O manifesto da manif de desagravo aos organizadores do qslt

 

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É tal o desagravo, é tal a quantidade de raiva que trespassa por alguns dos organizadores da Manifestação de dia 2 de Março que isto não pode ficar assim.
 

Novamente mascarados de pessoas, alguns elementos do spectrum passaram pela rede fina que controla as entradas nas reuniões de chá e roubamos sem despudor o manifesto para a próxima manifestação. Não deixaremos que vos crucifiquem, não deixaremos que se armem em heróis. Estaremos convosco nesta luta, serão vingados! As vossas lágrimas não caíram em vão. Mesmo boicotados estamos solidários, mesmo que se interponham machados os tubérculos estarão convosco. Nós já esquecemos as vossas afrontas, perdoai as nossas jocosidades.

 
Pelo menos até ao próximo golpe de alterne congressista ou até à próxima convenção de academias de formatação de cidadãos.
Segue o vosso (e nxssx) manifesto. Lutemos! Ninguém desiste!

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Traz a tua pedra também! Calhaus são resistência!

 É preciso unir fundas, juntar calhaus, enfiar as balaclavas. Vamos fazer algo de revolucionário.

Que se lixem as calçadas! Queremos os nossos lambris! Dia 2 de Fevereiro, vamos juntos e juntas construir um verdadeiro cromeleque na escadaria de S. Bento.

Durante anos, fizeram de nós carneiros mansos, unidos em manifestações moles e inconsequentes.

Queremos dar umx novx vidx axs protestxs em Portugal. A política inflexível deste governo mais troikista que a troika exige uma revolta corajosa de todos aqueles e de todas aquelas que acreditam que um novo rumo para este país não se constrói com abracinhos concertados.

Vamos para a frente com o poder popular! No teu bairro, na tua freguesia, no teu local de trabalho, organiza-te em academias de cidadania revoltosa. Todos e todas podemos partilhar experiências químicas, trocar conhecimentos, enriquecer a nossa luta.

Esta é uma iniciativa de pessoas radicais, unidas pela vontade de criar alternativas democráticas à morna Europa em que vivemos. Acreditamos que apenas uma verdadeira chuva de calhaus poderá dar a resposta adequada aos problemas dos povos austerizados por memorandos ao serviço dos interesses dos grandes grupos financeiros.

Apelamos, assim, a um apedrejamento geral popular e internacional!

 Mas não batam nos polícias; há muitos ministros para bater!

 Um povo não é livre à bastonada,

Não se conquista a liberdade com papoilas.

À força do calhau é que tu tomas

As praças e as ruas que são tuas!

 Radicais nos querem, perigosos nos terão!

 Contra os bastões, apedrejar, apedrejar!

 

jsd – a nova PIDE governamental

visadas

Como se já não fosse absolutamente ridículo tentar fazer passar a cena que se passou com Relvas no ISCTE a um qualquer caso de cerceamento da liberdade de expressão (e logo com Relvas, o paladino das liberdades de expressão, o ministro do telefone sempre pronto a disparar ameaças concretas ou veladas da mais ignóbil pressão e chantagem) a jsd decidiu tentar colar que os protestos eram feitos por militantes do PCP e/ou do BE. Chegou mesmo a acusar que duas pessoas que teriam participado no protesto eram assessoras do PCP e do BE na Assembleia da República.

A ver se nos entendemos, como é que alguém tão afoito a bramar pela liberdade de expressão acha que os militantes partidários (ou mesmo os dirigentes) não podem participar em acções de protesto ou manifestações?

Qual é a lógica para tal? Estas pessoas exactamente porque têm uma posição política determinada tem uma normal predesposição para participar em acções políticas.

O contra-senso entre as liberdades de expressão é bem patente.

Para piorar a coisa, enganaram-se nos alvos. Uma nem é asssessora, nem lá esteve. A outra não é assessora e é estudante do ISCTE.

A jsd além de pidesca  é claramente uma fonte não confi´vel. Mas é absolutamente ridícula.

O nível da resposta das “acusadas” é tal que desconfio que Relvas não o entenda, mas para memória futura aqui ficam:

“Aos incautos que não têm mais nada que fazer na vida e andam a espalhar que eu estive no ISCTE e sou assessora do PCP: não estive no iscte mas numa distribuição subversiva no cais do sodré (nem sabia sequer o que se estava a passar) e não sou assessora do PCP. Sou militante, e então? Mas também sou advogada e terei todo o gosto em responder à altura.” Lúcia Gomes (https://www.facebook.com/gomes.p.lucia)

“Os diligentes assessores do governo e seus jornalistas andam a identificar quem esteve no ISCTE no dia em que Relvas ia falar sobre o futuro do jornalismo. Tentando identificar-me como assessora do Bloco de Esquerda. Tenho apenas três informações curtas a dar aos investigadores: Há meses que não sou assessora de coisa nenhuma e estive de facto no ISCTE. Porquê? Porque sou aluna do ISCTE. E tenho uma característica que o ministro Relvas terá dificuldade em compreender: frequento as instalações da faculdade onde estudo.” Margarida Santos (https://www.facebook.com/margarida.santos.9421)