De uma extrema violência

Quero expressar aqui a minha solidariedade incondicional para com o camarada Zé Guilherme e os restantes detidos ontem à noite em Bruxelas. De tudo isto resultará, espero eu, um cuidado adicional nos comentários relativos a futuras detenções ou incidentes relacionados com a repressão policial. Importa sobretudo que cada vez mais gente esteja cada vez mais alertada para a facilidade com que as autoridades encenam e mistificam a sua actuação, embrulhando-a num tom alarmista e em manipulações grosseiras. Desta vez foi um ex-deputado do Bloco de Esquerda, pelo que toda a gente, a começar por Mário Crespo, foi extremamente cautelosa no tratamento da informação. Mas não é difícil recordar a forma como outras detenções e actos repressivos foram facilmente difundidos pela comunicação social na sua versão policial, sem que houvesse a preocupação de assegurar um mínimo de jornalismo.

Finalmente, vê-se nesta reportagem uma manifestante chamada Cláudia a classificar o incidente como «de uma extrema violência». Como é sabido, em Portugal tem havido espancamentos, cargas policiais sobre jornalistas e idosos, disparo de balas de borracha, utilização de mace, sequestros de manifestantes durante horas, detenções arbitrárias, agressões e intimidações diversas. Nada disso torna menos legítimo o sentimento da Cláudia e de quem foi detido em Bruxelas. Mas talvez seja importante perceber que aquilo que se vê na televisão ou se lê nos jornais, descrito como um acto rotineiro ou uma actuação policial no limiar da proporcionalidade, é efectivamente vivido pelos envolvidos, por quem lá está ou simplesmente observa, como algo «de uma extrema violência». Já a 22 de Março, o que me pareceu uma carga policial igual a tantas outras mereceu um destaque inédito e um coro de protestos alargado, porque calhou estarem dois jornalistas lá no meio. Agora a identidade dos detidos voltou a pesar no tratamento noticioso, no qual o carácter fofinho de quem se manifestava nunca foi minimamente posto em causa. Parece-me desejável que igual cuidado e atenção e distanciamento relativamente à actuação policial se volte a verificar quando os detidos ou agredidos forem moradores do Bairro da Bela Vista ou manifestantes anónimos ou gente de uma associação localizada na zona dos Anjos, todos eles presumivelmente merecedores de epítetos simpáticos como «violentos», «perigosos», «radicais» ou tudo isso ao mesmo tempo. E agora, fico à espera que o Correio da Manhã informe os seus leitores que algumas pessoas com ligações ao RDA 69 foram ontem detidas na Bélgica.

Esclarecimento acerca das notícias vindas a público sobre o RDA69

Têm surgido em órgãos de comunicação social diversas referências ao RDA69, que atribuem a esta associação e aos seus associados qualificativos como “radicais violentos”, “activistas anarquistas” ou “militantes perigosos”.
É nomeadamente o caso das peças assinadas por Valentina Marcelino no Diário de Notícias a 27 de Março e a 13 de Setembro, bem como as que foram publicadas no Correio da Manhã, a 21 de Maio, por Henrique Machado, Miguel Curado e Sara Carrilho, e a 17 de Setembro, com a assinatura de João C. Rodrigues e Miguel Curado.
Este conjunto de peças jornalísticas veicula várias informações falsas, com o intuito de criar um clima alarmista e permitir uma escalada de criminalização da contestação social.
Cumpre por isso esclarecer os seguintes aspectos:
  1. O RDA69 não organiza nem organizou estas ou outras manifestações. É um espaço onde acontecem jantares, projecções de filmes, concertos, festas e debates. A programação é pública e está no nosso blog, as actividades estão abertas a todas as pessoas, militantes partidárias ou não. O RDA69 não joga nem pretende jogar o jogo das identidades, sejam elas da esquerda radical ou dos anarco-libertários.
  2.  A PSP, através dos seus porta-vozes na imprensa, pretende fazer-nos acreditar que há um comité oculto, que coordena todos os confrontos e actos de desafio às autoridades nas manifestações, de maneira a mais facilmente poder isolar, espancar e prender os que não aceitam as medidas de empobrecimento generalizado em curso e se mobilizam para as contestar. É com esse objectivo que avançam a enorme mistificação segundo a qual quatro pessoas detidas na manifestação de 15 de Setembro estariam ligadas ao RDA69. Embora estejamos solidários com todas e todos as/os que saíram à rua no passado Sábado, desconhecemos a identidade dos detidos, com os quais não possuímos qualquer relação.
  3. Estas reportagens fazem parte de uma estratégia de isolamento dos grupos ditos «radicais» relativamente ao resto da população. Cada vez mais gente vê cada vez mais claramente que a crise e a austeridade são excelentes oportunidades de negócios para uns poucos, enquanto a maioria da população se vê constrangida a empobrecer ou emigrar. O Governo está prestes a cair, com os seus membros a serem vaiados e contestados onde quer que se desloquem. Vivemos tempos excepcionais, em que o medo e o desespero começam a dar lugar à revolta e à contestação. Com esta estratégia, a PSP arrisca-se a ver o seu cerco cercado, enquanto se distrai a vigiar jantares e conversas. É apenas natural que se multipliquem os «incidentes» e os «excessos», sem que haja um centro ou uma direcção a coordená-los. É inútil procurarem um quartel-general da revolta porque a revolta está em todo o lado.
  4. O RDA69 é um espaço de debate e encontro, um lugar de crítica, de partilha, do comum. Naturalmente que isso nos torna perigosos aos olhos de quem tem o poder. Não negamos que as actividades que promovemos têm como horizonte um mundo construído por pessoas livres e iguais, onde, entre outras coisas, não haja lugar para polícias ou prisões. Comunicados policiais assinados por jornalistas não mudarão a nossa determinação. Este vai continuar a ser o sentido do que fazemos, doa a quem doer.
Cópias e ligações para as notícias referidas:
Diário de Notícias, 14 de Setembro de 2012:
Correio da Manhã, 21 de Maio de 2012: PJ investiga radicais anarcas

Fanny – fragmentos de um discurso amoroso

Razões várias levaram-me a passar ao lado de grande parte da segunda edição da Casa dos Segredos, uma estimulante iniciativa com que a TVI abrilhantou o serão de inúmeros portugueses durante o Outono/Inverno de 2011. Tendo acordado tarde para o fenómeno, fui ainda a tempo de me deixar cativar por algumas das mais carismáticas personagens da cultura de massas contemporânea, mistos de arquétipo e alegoria de qualquer coisa que neste preciso momento se furta a uma definição, mas que arrisco considerar decisiva para decifrar esse grande enigma que é a paz social em Portugal.

Não tenciono falar aqui do glorioso episódio de pretenso sexo oral sob o édredon, que tanta tinta fez correr, de Sagres a Vila Nova de Cerveira. Registei contudo que o mais insólito do assunto parecia ser, a julgar pela frequência com que isso era sublinhado na imprensa de referência,  o facto de o sujeito passivo felacial ser um “pasteleiro”, como se o assunto tivesse qualquer coisa que ver com massa folhada e creme de ovos. Tratou-se, em todo o caso, de uma inestimável contribuição para devolver aos pasteleiros e outras categorias profissionais subalternas o estatuto de actores históricos que é seu de pleno direito.

 Fascinou-me muitíssimo mais a percepção mal (ou nada) dissimulada pelos protagonistas (chamemos-lhes assim) relativamente à sua imagem, às oportunidades que o programa lhes proporcionaria, às suas ambiciosas carreiras (televisivas, empresariais, musicais, etc.) e à sábia gestão estratégica dos mecanismos de selecção a cargo do «público». Pareciam todos, do mais boçal à mais bimbalhona, saídos de um curso de marketing televisivo. O programa foi uma espécie de viveiro de talentos artísticos, culturais, mediáticos, profissionais e outros, um dos mais poderosos mecanismos de mobilidade social ascendente promovido pela televisão portuguesa em democracia (exactamente). Mas poucas coisas me tinham preparado para a fulgurante aparição de uma das mais polémicas e controversas (isto parece redundante, mas está muito longe disso) concorrentes, cujas paixões e iras deixaram em suspenso «os portugueses».
Fanny (sim, eu sei) começou por juntar a sua voz à de Marante, essa espécie de contra-baixo vocal que para sempre cativou os ouvidos e os corações de tudo e todos com temas como «Meu querido mês de Agosto»* ou «A bela portuguesa». Note-se que nesta altura ainda a rapariga não tinha feito do seu corpo a pujante máquina estética que viria a ser, quando recorreu às mais avançadas práticas cirúrgicas para se passar a sentir, e cito, «uma brasa». Mas já então resistia ao pedante elitismo de Manuel Luís Goucha, permanecendo inalterável e igual à rapariga bem disposta e simples que sempre foi, chegada da Suíça para encantar os teleespectadores lá em casa. Fanny não se deixou intimidar e acompanhou com brilho, ao vivo e sem pleibéque, um dos temas maiores da discografia dos Diapasão, dedicado, de resto, a um elemento recorrente da cultura portuguesa. A sua voz de desenho animado infantil fundiu-se à poderosa caixa toráxica de Marante com estilo, brilho e elegância.
Ali mesmo, anunciou a sua recente colaboração com o FredFox, um jovem produtor e MC, numa música que podemos ouvir, «na internet».  E como estamos precisamente na internet, aqui está ela, a canção que incendiou corações e vontades durante todo o inverno/primavera de 2012. Para os mais desatentos, que, talvez por desconhecimento, possam pôr em causa a conveniência desta parceria, fiquem apenas a saber que o FredFox é um desses jovens portugueses que não se resignaram nem aceitaram ficar na sua zona de conforto, tendo partido à conquista do mundo armado apenas com o seu talento, esforço e ambição, como fica ampla e cabalmente demonstrado em momentos como este. Em «Ai, ai», Fanny explana aquele que será um dos temas recorrentes no seu imaginário poético, a saber, o calor. Neste caso, o calor que tem para dar. Trata-se de uma canção de amor, como o leitor não terá dificuldades em perceber, na qual sobressai o clima intenso que rola entre os dois. O Fred, esse tortuoso dom Juan da batida, não tem qualquer problema em dizer ao que vem, conjugando em poucos versos o que mais lhe agrada na Fanny, por ordem de preferência: o «bum bum» dela deixa-o crazy, ela dá bem para ele porque é famosa e, finalmente, tem cara de safada. Pouca gente é tão honesta e frontal num primeiro encontro e foram certamente as suas palavras doces que cativaram esta rapariga simples (nunca é demais repeti-lo), farta de ser enganada por rapazes bonitos mas estróinas. Por outro lado, para além de valorizar a índole sincera do seu novo parceiro, Fanny parece igualmente cativada pelo seu porte físico. Pois não nos diz ela, logo no terceiro verso e muito antes de ele lhe abrir o coração, que está a ferver ao ponto de nem querer dançar? Acresce a isto um outro tema recorrente em Fanny, o dos lábios, que ora se provam ora se seguem, num incessante movimento que nos remete para a imagética da pista de dança e dos inúmeros jogos de sedução que ela abriga no seu seio. Finalmente e apesar (nunca é demais repeti-lo) de Fanny saber bem o que significa ser usada e abandonada como um farrapo velho, fica de pé a possibilidade de um reencontro, que faça desta mais do que uma noite de sexo casual entre tantas outras. Embora seja uma mulher moderna, incapaz de ficar a aguardar um telefonema no dia seguinte, Fanny sabe que os momentos especiais são aqueles que ficam e deseja voltar a vê-lo. E o que é que tornou a noite tão especial, perguntarão vocês? É difícil penetrar assim na intimidade de dois corpos que se encontram e, no seu encontro, se cumprem. Mas é possível supor que foi a maneira como Fred desbloqueou o impasse inicial na pista de dança que lhe reservou um lugar especial nas recordações de Fanny. Não só domina o inglês técnico, o que é sugerido pelo uso da expressão romântica «baby», como resolve logo o problema ontológico relacionado com o início e o fim de cada coisa, sussurando-lhe (como sugere a onomatopeia «chuu»): “vieste com amigas mas sais comigo daqui”.
E agora, o tema que tem dominado as mais variadas pistas de dança durante este Verão. Ainda que não nos seja dado a saber o que aconteceu com FredFox, parece lícito concluir que é uma história resolvida. Fanny partiu para outro. Na verdade, Fanny iniciou uma nova fase, da sua vida como da sua carreira, em que já não está preocupada com este ou aquele rapaz, porque sabe perfeitamente que não faltam peixes no mar e a vida passa num piscar de olhos. Sem se desviar um centímetro do imaginário de libidinosa sensualidade que lhe está associado, percebe-se aqui a vontade de dar o salto, passar a outra divisão, alimentar outras ambições. A produção melhorou. A vida melhorou. E o parceiro melhorou imenso (não desfazendo). Fanny permanece a mesma, mas algo nela mudou. Está mais solta e mais madura, sabe o que quer e não tem medo de o dizer, alto e em bom som. É possível argumentar ser esta uma música muito pouco original. Mas isso não é tão engraçado como proceder relativamente a ela como a qualquer outro objecto cultural do nosso tempo. A hermenêutica é aqui bem empregue. Vejamos. Emancipada, Fanny não deixa por isso de ser uma rapariga chegada à família e, nomeadamente, ao pai, que sempre a apoiou. Nos primeiros segundos deste videoclip, podemos vê-la partir ao encontro do amor no descapotável paterno, ansiosa por chegar e arrasar, confirmando no espelho retrovisor a sua brasice, antecipando já o que serão as próximas horas de vida louca. Canuco (Zumby?) chega e a terra treme. A língua é o castelhano, sem razão aparente que não o facto, incontestável, de soar melhor. Atencioso, Canuco começa por inquirir acerca dos desejos da sua parceira. E ela responde, na melhor tradição de diva, presenteando-o com um sorriso luminoso e um olhar enigmático: yo quiero vida loca. O pormenor dos óculos chegaria para tornar esta uma das melhores sequências videomusicais da cultura portuguesa recente. Note-se contudo o trabalho de câmara, que nos mostra os dois amantes ora de frente ora de lado, campo e contra-campo alternando-se ao sabor do jogo da sedução. O resto são dois corpos que desfrutam a liberdade, gozando a sua juventude irrequieta e levando até ao limite a poderosa pulsação contida na batida. Nunca um Verão pareceu tão intenso. A poesia da canção não é menos sugestiva. Se Fanny vira irredutivelmente as costas às convenções sociais e aos diversos tabus que herdou de uma cultura judaico-cristã apostada na dessexualização do corpo feminino, proclamando o culto pagão do sol, da praia e do prazer etílico, Canuco optou por uma aproximação mais calórica, espécie de versão «pasteleira» (o círculo fecha-se) do cântico dos cânticos. Chamando-lhe a sua «bomboca» e nomeando o açúcar no seu corpo (deixando em suspenso a questão de saber se dentro ou fora), ele confessa-se dependente dela, invertendo os papéis de género tradicionais enquanto pisca o olho a uma abordagem petrarquiana do amor. Fanny é aqui uma espécie de Laura desdramatizada, cuja abrupta emancipação tornou desnecessário o sofrimento do eu poético, actualizando-o e convertendo-o em máquina desejante. Provocando-lhe angústia por não estar quieta e por «dar de esperta», a aparente inacessibilidade de Fanny exige de Canuco que supere todas as provas. Por ela, ele será o rei da colmeia, o seu borracho, o dono do pedaço, capaz de lhe sussurrar ao ouvido e «dar beijo na boca», como prelúdio do resto, ou seja, do amasso. Note-se o contraste: ela não ambiciona mais do que beber até cair e andar na gandaia. Mas ele está louco de desejo e disposto a tudo (tudo) para a ter. Vida louca, mundo ao contrário: tudo isto nos fala de um novo discurso amoroso, anuncia uma nova época, antecipa a comunidade que vem. Está tudo contido naqueles movimentos de ancas e no vai e vem do busto de Fanny, incontornável metáfora dos altos e baixos da paixão e do desejo. Nunca um ritual de acasalamento se revelou tão carregado de densidade e alcance simbólico. Nunca isso foi tão irrelevante. Se a ti te gusta, a mim me encanta.
* Rick Dangerous errou. Como em devido tempo me chamou a atenção o camarada renegade na caixa de comentários, a música «Meu querido mês de Agosto» não é da autoria dos Diapasão, mas sim do artista anteriormente conhecido como Dino Meira. Cá fica a correcção.

A PSP da Amadora no seu melhor

Neste momento vai ser presente a um juiz o Eurico, um dos moradores que faz parte da comissão de bairro. É uma das pessoas que deu a cara à comunicação social para denunciar as violações dos direitos humanos que estão acontecer no bairro Santa Filomena. Após a sua entrevista ontem à SIC, foi detido hoje pela PSP e vai ser apresentado a um Juiz no Tribunal de Comarca da Amadora (Alfragide) Avenida Quinta Grande 83, 2610-158 AMADORA, por não ter o Titulo de Residência em dia.

Para manter a segurança

A Câmara da Amadora está hoje a proceder ao desmantelamento do bairro de Santa Filomena, acompanhada de vários agentes da PSP, confirmou fonte policial do Comando Metropolitano de Lisboa ao Expresso. Estão em risco de ficar sem habitação 280 pessoas (83 famílias), das quais 104 são crianças. Deste universo, 79 estão sem emprego, 87 estão a estudar e 13 sofrem de invalidez permanente, de acordo com dados do Coletivo pelo Direito à Habitação e à Cidade. A PSP está a acompanhar os serviços municipais desde as 8h, para manter a segurança e a ordem públicas enquanto decorre a demolição. Até ao momento, não se registaram quaisquer incidentes, ainda que os moradores estejam no local a assistir ao processo.
Mais informações aqui. Vídeo da TVI aqui.

Um dos melhores comentários até ao momento


Tal como disse em relação à Fontinha, não me parece que haja mal em por ao serviço do público um equipamento público pelo qual as autoridades administrativas públicas manifestam desinteresse e mantêm fechado desnecessariamente.
Por outro lado, a PSP e a Polícia Municipal estão a desobedecer diretamente a uma ordem judicial.
Há aqui uma inversão estranha: há alguma nebulosidade quanto à legalidade da ocupação que os cidadãos fizeram, mas não é evidente que fosse imediatamente ilegal; já a ilegalidade da atuação policial e camarária é evidente e comprovada. Evidentemente, não são os executores das ordens quem tem de ser castigado, mas sim quem as deu. Espero, para bem dos agentes envolvidos, que tenham sido escritas.
O comunicado da CML apresenta alguns problemazitos que inevitavelmente gerarão imbróglio jurídico.
Em primeiro lugar, a entidade citada (a “Autoridade Administrativa”) foi a Câmara Municipal e não a Vereadora, pelo que esta, não lhe tendo sido delegados os respectivos poderes, poderá não ter legitimidade para emitir a “Resolução Fundamentada” que a Citação judicial e o CPTA exigiam. Embaraçoso.
Por outro lado, o ponto 20 do documento da Vereadora refere que o edifício estava devoluto de inquilinos habitacionais desde 2005, e no ponto 24 refere-se que (milagrosamente?) “estava já programada” para Maio de 2012 (programação extensa: foram “só” 7 anos…) uma Vistoria que deveria depois permitir “ponderar” a inclusão do prédio num programa de recuperação (ponto 22).
No fim de contas, e enquanto os juristas se degladiam, o que respinga na espuma dos dias é isto:
-a CML tem deixado degradar o património que lhe pertence, e por isso é público. Há pois gestão danosa;
-por estranhas e/ou polémicas que possam ser as intenções dos “ocupantes” daquele e de outros espaços públicos, a verdade é que da sua atividade resulta benefício para a comunidade.
A Vereadora Helena Salema parece ter esquecido o seu próprio percurso: em 1967, com 20 anos, tomou contacto com a miséria da população da envolvente de Lisboa (http://goo.gl/fPlts, http://goo.gl/JW2UR) e isso levou-a a tomar atitudes que culminaram com a sua prisão, pela PIDE, em 1973. Nessa altura, também as suas intenções “estranhas e/ou polémicas” desagradaram aos poderes. É pena que a memória seja tão curta.

Vítor Vieira, numa caixa de comentário do 5dias

Da cara de pau: «De quem é a rua?»


Na Praça da Catalunha, em Barcelona, forças policiais agridem cidadãos pacíficos aí concentrados, apenas porque é preciso garantir que a Praça fica livre para… os festejos do futebol.
As imagens são chocantes e o abuso do poder indigna-nos tanto como nos tem indignado a reacção dos vários poderes ditatoriais à revolta árabe.
Em Lisboa, centenas de cidadãos, sobretudo jovens mas não só, têm desde há oito dias ocupado pacificamente o Rossio para exigir “democracia verdadeira, já”.
Tenho-os acompanhado quando posso e partilho muitas das inquietações e indignações dos nossos “acampados”. Tudo isto se passa perante o silêncio da generalidade dos media, com excepções como o Jornal de Negócios, que hoje, num editorial inspirado de Pedro Santos Guerreiro, intitulado “Passa por mim no Rossio”, alerta para a necessidade de termos os olhos abertos perante o que se está a passar.
Não sei o que iremos conseguir com estas formas de cidadania que estão a procurar inventar-se um pouco por todo o lado e também aqui, em Lisboa. O que sei é que a rua pode ser, e está a ser, o “espaço público” de que a democracia precisa para viver e crescer. A democracia, é preciso lembrá-lo, não nasceu no campo, nasceu nas praças de Atenas. E todos os grandes momentos de transformação social passaram pela rua.
Não podemos deixar que este “espaço público” nos seja roubado. Saberemos defendê-lo com convicção e civismo. Na rua e nas redes sociais, saberemos demonstrar o que queremos e o que não queremos. Fá-lo-emos também nas urnas. Chegará o dia em que os poderes instituídos, políticos, económicos ou mediáticos, terão se ser capazes de ouvir o clamor da rua – pela liberdade, pela democracia, pelo direito ao sonho e ao futuro.

Texto de Helena Roseta publicado há um ano e ressuscitado aqui pela Joana Lopes.

Tudo o que é preciso saber acerca da polícia

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Stress na Morais Soares por lxgorila
Lisboa, Av. Morais Soares, 28/05/2012
Não se ouve se não falar dos perigosos violentos extremistas radicais anarco-qualquer-coisa que não descansam enquanto não puserem tudo a arder. Pessoal que tem contactos no estrangeiro e partilha ideologias de caos e destruição. Que por razões obscuras odeia a polícia, a autoridade e o Estado. Que é preciso reprimir preventivamente antes que se torne uma ameaça séria. Que está por trás de todo e cada gesto de desobediência e resistência verificado ao longo do último ano e meio. Que mais cedo ou mais tarde irá malhar com os cornos à cadeia para aprender o que custa meter-se com o poder e para dar um sinal a todo o resto.
E depois vemos isto e percebemos porque razão se diz, escreve e inventa tudo isso. Eles sabem o que estão a fazer e têm medo. Não percebem como é que, com tudo aquilo que já fizeram, ainda não lhes caiu em cima nada de sério, nem um motim que se apresente, um cocktail molotov que os queime, uma insurreição que os remova das nossas vidas, um caixote de lixo onde colocar toda a merda que se passeia nas nossas ruas vestida de azul e armada para nos pôr na ordem. Para que serve o pacifismo perante um exército ocupante?
Eles têm medo e têm razão em ter medo.

Isto está bonito


O movimento Precários Inflexíveis foi alvo de uma Providência Cautelar pela empresa Ambição International Marketing. Esta empresa, dizendo-se injuriada por vários comentários (escritos por centenas de pessoas) num post de denúncia, avançou com um processo em tribunal para forçar o movimento a apagar todos os comentários do blogue. Independentemente de serem ou não contra esta empresa, independentemente do que está escrito, a empresa quer que seja apagado cada um dos mais de 350 comentários.
Infelizmente o Tribunal colocou-se do lado da empresa de forma mais do que inesperada: na sentença proferida, condena o PI a retirar não todos, mas muitos dos comentários escritos pelos cidadãos que por vezes nem sequer referem a empresa. Como sempre dissemos, nunca faremos qualquer censura nem julgaremos ninguém pelas suas opiniões. Por isso, discordamos frontalmente da sentença executada.
Apresentamos alguns factos:
– A empresa em causa, Ambição Internacional Marketing, exige que se retirem os comentários sobre um texto que é sobre outra empresa, Axes Market, e não sobre qualquer texto em que fosse citada.
– A Ambição International Marketing, que avançou com o processo, nunca pediu direito de resposta ao PI e nunca dirigiu qualquer carta ou contacto ao movimento.
– Nenhuma das empresas (ou talvez a mesma com nome diferente) avançou com qualquer processo ou queixa contra quem escreveu os comentários. Portanto, o que preocupa a administração da empresa é a liberdade de expressão na internet. O mesmo preocupa o Tribunal.
O movimento Precários Inflexíveis defende e defenderá sempre a liberdade de expressão e a igualdade na exposição de textos e ideias, críticas, ou outras, na internet, salvo excepções sobre textos violentos sob qualquer ponto de vista: físico ou social. A internet deve continuar a ser um espaço de liberdade e igualdade.
O PI vai reagir judicialmente, porque não aceita que o Tribunal e a Justiça sejam instrumentos para afirmar que as empresas podem exigir que os comentários negativos sejam apagados ou que os seus textos e marcas valem mais do que as opiniões e denúncias dos cidadãos. Particularmente quando centenas de pessoas denunciam actividades suspeitas de empresas como esta. A liberdade é a base da democracia, porque, antes de mais, significa igualdade. Lutaremos por elas até ao fim.

Precários Inflexíveis

Em matéria de extremismos ideológicos


Em matéria de extremismos ideológicos, 2011 ficou marcado pelo desenvolvimento das plataformas de protesto iniciadas para a contestação da cimeira da North Atlantic Treaty Organization (NATO), em NOV10, às quais se deu continuidade com a reciclagem de causas e frentes de intervenção pública, facto que teve a sua expressão visível mais significativa no movimentos das ‘Acampadas’, organizadas em diversas cidades do País, mimetizando o fenómeno das Puertas del Sol (MADRID), no verão de 2011.
Conjugadas diversas condições, designadamente os fatores de instabilidade económica aliados ao desencantamento das populações em relação ao universo politico e a criação de movimentos alargados de protesto global de rua, como são exemplos o ‘12MARÇO’ e o ‘15OUTUBRO’, os grupos mais atuantes no espectro radical da extrema-esquerda aproveitaram o movimento de indignação geral para uma reorganização de meios e uma redefinição de objetivos mais orientados para a crise.
Ainda que alguns destes grupos e indivíduos defendam perspetivas ideológicas extremistas e violência política sobre o sistema, e apesar do forte dinamismo revelado ao longo do ano, a sua ação, em 2011, limitou-se a iniciativas de impacto mediático reduzido, muitas das quais integradas nos protestos gerais da chamada ‘Geração à rasca’ e do ‘Indignados’, motivados pelo clima de instabilidade económica e social.

Relatório Anual de Segurança Interna, 201, p.311

As pessoas são tão importantes como os elementos estruturais


Este relatório da inspecção ao edifício ocupado na Rua de S. Lázaro é um verdadeiro assassinato de carácter para todos e todas (repito, todos e todas) que ocuparam o lugar de vereador da habitação e que têm responsabilidades sobre o património da CML. E um hino ao mui antigo slogan: «quem ocupa, preocupa-se». É ler, é ler:
AVALIAÇÃO FINAL
A situação actual do edificio deve-se ao seu abandono durante anos. Uma acumulação progressiva de residuos e lixo na rede de escoamento pluvial que originou uma acumulação de água em zonas pontuais, que levaram a acumulaçao de humidade e falhas locais na estrutura do edificio. Não tendo estas falhas implicações na restante estrutura do edificio, permanecendo este estável e seguro nas zonas onde não se identificou humidade( como se demonstra no relatório).
Os edificios estão pensados para que se viva neles, as pessoas são tão importantes como os elementos estruturais, para que estes sejam saudaveis, são mais um elemento constructivo. Um edificio vazio e abandonado gera deficiências significativas, como as que enocontrámos neste, que não só prejudicam a sua estrutura mas que se se permite, começará a prejudicar a dos edificios contiguos.
É necessário habitar este edificio para que se possa resolver o problema da humidade, para que a casa recupere a sua vida. A situação actual favorece a sua melhora, deixou de ser um ninho de humidade, sujidade e dejectos de pombo, que em pouco tempo afectaria a vizinhança, para ser uma oportunidade de regeneração construtiva e social.
A avaliação aqui descrita, assim como as obras de rectificação são as medidas minimas necessárias para assegurar a segurança do edificio e permitir a sua habitabilidade, sendo posteriomente necessária uma reabilitação para melhorar as condições interiores, não sendo esta melhoria necessária estruturalmente.

30 anos depois – não esquecemos, não perdoamos


Segundo os dados coligidos no Livro Branco sobre a madrugada sangrenta 1º de Maio 82 – Porto, e nomeadamente os elementos recolhidos nas conclusões do relatório da PGR nele publicadas, a actuação policial careceu de qualquer provocação séria e deixou no terreno, depois de mais de duas horas de batalha campal que se estendeu a varias áreas do Porto, pelo menos seis dezenas de feridos atendidos em hospitais, nove dos quais com ferimentos de bala e duas vítimas mortais: Pedro Manuel Sarmento Vieira, operário têxtil de 24 anos e o menor Mário Emílio Pereira Gonçalves, de 17 anos. […]
Cerca das 23h30 aparecem as forças do Corpo de Intervenção da PSP destacadas de Lisboa, carregando brutalmente sobre tudo o que encontram à frente. A porrada dá rapidamente lugar ao uso de armas de fogo, num pandemónio de violência que espanta e indigna os presentes. Durante mais de duas horas são espancados cidadãos e registam-se dezenas de disparos por parte da polícia.
Das vítimas mortais, Pedro Vieira é atingido pelas costas quando corria em direção à Av. Afonso Henriques, presumivelmente por uma bala em ricochete vinda de distância considerável. […]
Mario Emílio, a outra vítima mortal, é apanhado numa carga e devido ao seu estado convalescente terá optado por ficar à espera ao pé da polícia por não poder fugir a correr. Um polícia dispara-lhe à cabeça duas vezes quando passa por ele. Segundo a PGR o Mário é virtualmente executado por um elemento policial (Relatório da CI da PGR, 102), qualificando a sua morte de crime de homicídio voluntário tipificado na lei (107). Foram abertas varias investigações sobre os acontecimentos. Não conhecemos, porém, qualquer desenvolvimento penal relativo aos mesmos. […]
No dia 4 de Maio a CGTP convoca uma greve geral para uma semana depois. No dia 5, dezenas de milhar participam nos funerais dos falecidos numa das maiores manifestações de sempre na cidade do Porto, que o então secretário-geral da UGT Torres Couto qualificou como “uma passeata com caixões”. A greve geral de luto de 11 de Maio de 1982 voltou a ser um momento alto de combatividade.

Miguel Pérez, 1º Maio 1982: “Entraram na cidade como cowboys no far-west”

No fim-de-semana escancaramos as portas

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Rua de S. Lázaro, nr 94. Os degraus e corredores acumulavam pó e desolação. Por estes dias enchem-se de passos entusiásticos. Respiram-se possibilidades. Dias em que cada vez mais pessoas se entregam à partilha de sonhos para um projecto comum, à gestão colectiva e horizontal do espaço, à limpeza e arrumação deste prédio antes imóvel e imundo.
Um prédio que certa vez já foi ocupado – 24 de Novembro de 2010 era dia de greve geral e a greve não parava ali. Mas a polícia expulsou e deteve os que lhe quiseram dar vida e a câmara garantiu ter para aqui um projecto. Ano e meio depois o projecto está à vista: morte lenta. Ser um entre os 4700 edifícios abandonados em Lisboa. Um entre centenas de edifícios públicos mantidos inúteis pela inutilidade da câmara municipal.
Demasiada casa sem gente e demasiada gente sem casa. Esta ganhou vida! No 25 de Abril, em solidariedade com o Es.Col.A, reocupámos S. Lázaro.
No fim-de-semana escancaramos as portas – inauguração é festa rija. Há solidariedade com o Es.Col.A: música ao vivo e jantar benefit para um projecto pilhado e vandalizado pela terceira vez pela câmara do Porto. Há encontro da Primavera Global: aberto a tod@s @s que queiram ajudar a preparar também em Lisboa o maio em que o mundo inteiro volta a sair à rua. Há até um cabaret: espectáculo de variedades insubmisso e inesquecível. Há uma loja grátis: de forma livre e sem dinheiro, de roupa a jogos, de livros a escovas de dentes, deixa-se aquilo que se pode e leva-se aquilo de que se precisa. Há feira do gado: espaço de partilha e de venda de tudo o que se queira, e onde todos estão convidados a montar estaminé.
Há o desafio de transformar um espaço abandonado num espaço comunitário. Nesta cidade saqueada pela ganância de poucos, somos muitos para libertar espaços e celebrar a autonomia. Fica o apelo: para que também tu te juntes a esta ideia – porque as ideias não podem ser despejadas.
Sábado
11h – 16h Reunião Primavera Global
16h – Solidariedade com o Es.Col.A: Matiné com música ao vivo + Jantar/Convívio “A Fontinha é nossa Vizinha” ou “Faremos do Rui Rio a nossa retrete”
Domingo
14h – Feira do Gado
16h – Cabaret de variedades
Loja grátis (todo o fim de semana)
São Lázaro 94

Enredos quase inocentes

tolerância zero.jpg
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa. A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais.
Constituição da República Portuguesa, Preâmbulo
Poema pouco original do medo
O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Alexandre O’neill

A PSP à caça de inimigos internos

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Temo bem que, mais do que uma idiossicrática reacção autoritária de alguém que sentiu a sua autoridade desafiada, o que esteja em causa seja o tipo desse desafio – e que, mais do que as relações de poder a um nível local, o que esteja em causa seja a actual paranóia securitária do “inimigo interno”, que parece ter-se consolidado numa fase de o tentar “fazer saltar”. Explico-me:
Incapazes de compreender que o potencial de violência, decorrente da actual e galopante precarização de vida, radica nos mais comuns dos cidadãos por ela violentados, as pessoas que realmente agarram as rédeas da segurança pública continuam a apostar na busca e controlo de “inimigos internos”.
Não conseguindo colar esse selo aos sindicatos e partidos institucionalizados, procuram os tais inimigos públicos nos movimentos recentes, que encaram como “tipo anarquistas” e potencialmente proto-terroristas, mas que têm dificuldade em espiar e controlar pelas técnicas habituais, devido à sua fluidez e pouca estruturação.
Nada se passando de particularmente perigoso que possa legitimar uma escalada repressiva ou medidas de excepção que violem legalmente direitos fundamentais, tudo indica que procuraram criar essa situação de perigo. A 24 de Novembro, a coisa não resultou. Tão pouco resultou a 22 de Março, pela evidente e chocante desproporção entre a actuação policial e aquilo a que supostamente reagia.
Neste quadro, o aumento e musculação do controlo sobre aqueles que não têm direito a ter direitos (pela sua pobreza, tom de pele e por se conseguirem sempre caçar uns quantos “imigrantes ilegais”, mesmo que cá tenham nascido) tanto pode ser um treino, como uma mentalização, como uma tentativa algo canhestra de “isolar problemas” – ou tudo isso em conjunto.
Mas o concomitante “despejo” da Es.Col.A da Fontinha, projecto “alternativo” e auto-gestionário de serviço público e comunitário, traz consigo toda a marca do “inimigo interno” que teima em fazer coisas e em protestar sem se tornar no terrível e violentíssimo actor dos «piores tumultos desde o PREC». Um inimigo que, falhadas as tentativas anteriores, urge “fazer saltar”, tumultuando à luz do dia em reação à violência que lhe é dirigida.

Paulo Granjo, 5 Dias