Vida de agente do SIS é dura

«O que realmente estava a inquietar a “inteligência” eram as iniciativas do “RPA69” com o apoio dos “indignados” e dos “Bike the Strike”, as quais configuravam maiores preocupações securitárias. O perfil mais radical destes activistas e a dúvida quanto a adesão e desfecho da acção eram a justificação»
in DN – “Relatório alarmista do SIS falha previsões para a greve geral”

Vejam os capacetes para resistirem às bastonadas e o colete para se fazerem passar por jornalistas.

Mais um jantar popular no RPA. No fim vão fazer explodir cocktails molotov ou então vai tudo para o quarto escuro.

Não foi só a polícia que abriu cabeças

Uma dos acontecimentos mais significativos desta greve foi a violência policial sobre os manifestantes, sobre a égide do Governo e com a relativa cumplicidade da comunicação social.
Esse enorme escândalo tem sido denunciado e deve continuar a sê-lo com grande firmeza, como um dos exemplos marcantes do enfraquecimento da nossa democracia, como sinal dos tempos que vivemos.
No entanto, creio que não pode passar em claro a agressão vergonhosa do serviço de ordem da CGTP aos precários inflexíveis e em concreto ao Rui Maia, dirigente dos Pis e do BE.
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A crueldade da agressão ao Rui Maia não fica atrás da que foi perpetrada pela polícia e deveria envergonhar qualquer pessoa que se sinta ligada à CGTP. Tal como me sinto envergonhado pelas declarações de Miguel Macedo: «Quero sublinhar também que em frente da Assembleia da República há imagens nas quais elementos da CGTP não permitiram que fosse confundida a sua manifestação com os elementos que provocaram a situação no Chiado».
O que me disseram alguns camaradas da CGTP era que o cordão de segurança era de facto para evitar que “os provocadores” e os “anaracas” entrassem na manifestação e ficaram atrapalhados quando eu lhes disse que aquele jovem de t-shirt preta e cabeça rachada era dos Pis e nada tinha a ver com “os anarcas”.
Aliás, as cabeças do Rui e dos outros terão sido rachadass sensivelmente ao mesmo tempo, em pontos diferentes da cidade, e os próprios precários inflexíveis terão sido criticados por ter preferido acompanhar a manifestação da CGTP em vez da dos “indignados”.
Fizeram um esforço para acompanhas as “estruturas representativas dos trabalhadores” e acabaram escorraçados como se fossem um gang que tivesse ido assaltar os visitantes da Festa do Avante.
Mas fossem “indignados”, “anarcas” ou mesmo o Party Program e companhia: O que se passou em S. Bento é inaceitável e teria sido sempre inaceitável fossem quais fossem as cabeças abertas. Para além de as manifestações serem públicas e o direito à indignação e manifestação não ser cotada de nenhum sindicato ou partido político, é sobretudo preciso sublinhar que o inimigo está no outro lado da barricada e que neste momento todas as forças do lado de cá serão poucas para impedir o avanço do fascismo que está aí na ordem do dia.

Exercício de autocrítica

Tive mais uma altercação com um automobilista que teve todos os clichés do costume – «devias andar encostado à berma em vez de andares a atrapalhar o trânsito», «nem traz matrícula, nem capacete» – e alguns bem divertidos e originais: «É ciclista mas nem uma garrfinha de água traz» e «o desgraçado nem sequer carro tem».
Houve no entanto um “argumento” dele que me deixou a pensar: «Se está aqui uma ciclovia [estávamos na Duque D´avila] porque é que vai pela estrada?».
A construção de ciclovias (pelo Dr. José Sá Fernandes enquanto eleito pelo Bloco de Esquerda, já agora, só para animar os meus leitores de estimação…), teve como principal impacto o sinal público que se deu de que esta cidade também era ciclavel e que era socialmente desejável que mais gente pudesse circular de bicicleta.
Por outro lado, institui-se uma espécie de regime de apartheid, contrário à filosofia da desejável partilha de espaço na cidade, em que o sinal que se dá é que as bicicletas têm de ir nos seus caminhos próprios “para não atrapalhar o trânsito”.
Eu, que sempre defendi a criação de uma rede ciclável, tenho cada vez mais a sensibilidade de que, nesta altura, já não se justifica investir mais em ciclovias.
Vale bastante mais a pena canalizar todos os fundos disponíveis, para a promoção da mobilidade ciclável, para um sistema (nem que fosse piloto) de bicicletas de uso partilhado em Lisboa.

«Só gente cobarde e menor recorre ao insulto suez»

Um Juiz tem muito poder. Com uma opinião pode mandar alguém para a prisão por 5 anos ou decretar antes uma simples ‘pena suspensa’ ou mesmo a inocência. Pode destruir uma carreira, pode destruir uma vida.
Um político também, mas na política o poder mais limitado. A exposição é muito grande; existe o escrutínio de jornalistas, de cidadãos, de outros políticos e de juízes… e para além disso, um político, bem ou mal, é eleito pelo povo para governar.
Um Juiz é um jurista que se candidatou à carreira de magistrado e conseguiu entrar. Vai para Juiz se tiver boa nota nos exames, vai para o Ministério Público se tiver má nota ou se for apanhado a copiar.

É por isso que me faz tanta impressão ler Rui Rangel, no Correio da Manhã – esse «jornal de grandeza democrática» como ele lhe chama, a desancar no João Goulão.
Ele sabe que pode fazer o que quiser com Goulão. Pode ir ainda muito mais longe… E avisa, ao mesmo tempo, para ninguém se meter com ele.
Começa logo no 1º parágrafo, só para início de conversa, dar a sentença: «este homem de fácies rude, cometeu um crime de injúria e de difamação contra mim»
Sobre a “facies rude” de Goulão, não se surpreendam. O Dr. Juiz explica no seu 2º parágrafo: «Lombroso, teórico responsável por definir o perfil do criminoso, se observasse os caracteres físicos de Goulão, talvez concluísse que o seu fácies apresenta traços fisionómicos de um potencial criminoso.»
E depois, ao longo no texto, continua com insinuações e calúnias de que nem o Professor Carlos Vidal se lembraria: «Se Goulão fosse o seu director [do Correio da Manha] seguramente que ninguém que ousasse pensar diferente, aí escreveria.»; «Quem dissesse “ámen” às políticas do IDT, de forma cega e acrítica, tinha o reino dos céus, cujo “Senhor” era Goulão.».
E acaba com insinuação mais ridícula de todas: «Mas Goulão não é o IDT, nem se confunde com este. Muitos técnicos que por lá passaram merecem todo o respeito (…) estes técnicos não precisaram de favores políticos ou de compadrios partidários para ocupar cargos.» – procurando mandar lama para cima do cabeça de lista da CDU pelo Algarve.
Nem sequer falo sobre o tema da discórdia que desde de sempre tem posto os moralistas das drogas contra João Goulão. Falo apenas do poder dos Juízes e em particular do ridículo absoluto que é, Rui Rangel, começar um artigo de opinião a dizer «Só gente cobarde e menor, como o nosso Goulão, recorre ao insulto suez»

Menos um feriado

A retirada de feriados é uma medida de sentido contrário àquilo que necessitamos. Ainda por cima neste contexto de crise.
Desemprego, endividamento, consumismo, dependência energética, degradação das sociabilidades (crianças, idosos…), já para não falar de ansiedade e frustrações sexuais… Tudo problemas relacionados com a crise, sinónimo de Capitalismo, num dos países da Europa em que mais horas se trabalha.
Hoje milhões de pessoas meteram-se nos seus carros (cada vez compensa menos ir de transportes públicos, com estes preços), meteram gasolina, pagaram portagens, ligaram as luzes e as máquinas da empresa (cá está o impacto “positivo” no PIB) e, mais desmotivadas do que o costume, produziram as tretas do costume.
Ontem não puderam ir a um festão de carnaval, hoje não puderam cozinhar o seu almoço, ler um livro, ensinar o filho a andar de bicicleta, dar uma volta pelo bairro, arranjar a torneira que está a pingar.
Pelo contrário, a redução do horário de trabalho (para 35 horas, por exemplo, como o Governo de Socialistas e Comunistas fez em França), uma repartição mais equitativa da riqueza entre trabalho e capital que possibilitasse viver com um part-time, faria com que procura de pessoas para trabalhar aumentasse e diminuiria o desemprego.
Aumentar o numero de horas de trabalho e cortar nos feriados é a receita que só vem somar mais crise à crise.

Cavaco desmarca no último minuto visita à António Arroio

O piegas do nosso Presidente da República decidiu no último minuto não fazer a visita programada à Escola Artística António Arroio. Motivo: Estudantes manifestavam-se contra a falta de condições na escola.
Virá rapidamente o dia em que Cavaco e Cavaca não poderão sair do palácio de Belém a não ser em visitas surpresa.

– Valha-nos Deus que o dinheiro não vai dar para pagar todas as despesas, Maria.

Caça ao imigrante

O que se passou esta manhã no metro do Porto é uma indignidade que deve envergonhar-nos a todos.
Os agentes do SEF, tipo “picas”, puseram-se a bloquear a saída do andante, exigindo a documentação a todos os blacks que passavam.
Um Governo que gosta de se armar em piegas com o facto de a taxa de natalidade ser cada vez menor e o envelhecimento da nossa sociedade não permitir continuar a pagar as pensões de reforma no futuro; um Governo que acha que os portugueses são preguiçosos e que têm demasiados dias de descanso, pela lógica devia não ser tão zeloso na detecção de trabalhadores que de manhã apanham o transporte público para ir para o trabalho ou para a escola.
Mas a direita pura e dura está no Governo, enquanto há todos os indícios que a polícia parece estar infiltrada pela extrema-direita. Juntou-se a fome à vontade de comer e esta manhã, perante a passividade de todos, o SEF foi para as ruas fazer uma caça ao preto.

O SEF gosta mais de loirinhos de olhos azuis

Petição Pelo Alargamento do Horário em que é Permitido Transportar Bicicletas no Metropolitano de Lisboa

No outro dia fui almoçar à Baixa.
Do Campo Pequeno à Baixa, o meio de transporte mais rápido é sem dúvida a bicicleta. O problema é a perspectiva do regresso e da subida, depois de uma almoçarada bem valente, da Av. da Liberdade (para mim, uma das subidas mais duras em Lisboa, pela conjugação inclinação/comprimento mais o tráfego automóvel intenso e toda a poluição atmosférica e sonora associada a isso).
Nesta, como em tantas outras situações, torna-se claro que a complementaridade entre transportes públicos e bicicleta é uma peça chave de qualquer política de mobilidade moderna e sustentável na cidade.
Já nem vou falar do prometido, anunciado e celebrado por tantos, sistema de bicicletas de uso partilhado que – vergonhosamente – tem tardado tanto a chegar a Lisboa… Bastava pegar numa, descer as Avenidas e larga-la para alguém na Baixa poder ir almoçar a Santos… Bastava que o Metropolitano permitisse o transporte de bicicletas (nem que fosse apenas 2 por carruagem), fora das horas de ponta, como aliás acontece na generalidade dos metropolitanos das cidades europeias.
Podia ter subido até ao Marquês de Metro e, a partir daí, ter ido sem esforço para qualquer ponto desse planalto.
Reivindicando esta pequena alteração no regulamento no Metro, sem custos e com amplos benefícios para a cidade, está disponível durante este mês de Fevereiro uma petição “Pelo alargamento do horário em que se pode transportar bicicletas no Metro”.
No dia 1 de Março essa petição será entregue à Administração do Metropolitano.
Agradecia que até lá assinassem e divulgassem.
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Comunicação Social: 2 pesos e 2 medidas, como sempre

Quando em Sacavém um grupo de trabalhadores mais aguerrido (nunca percebi bem como foi a história), desligou os fornos da fábrica da loiça no âmbito de um contexto de luta, a acção foi duramente criticada por todos. Pelo Governo, pela comunicação social, pela Administração da empresa, por trabalhadores, pela população… Ainda hoje é possível ouvir histórias sobre esse episódio.

Parece que os fornos da industria cerâmica, uma vez arrefecidos, demoram eternidades a voltar a laborar, com despendidos de energia que ultrapassam em muito os custos de quando estão a funcionar normalmente.
Assim, esta história da Administração da Valadares ter desligado os fornos, tresanda a lockout por todos os lados, numa atitude claramente ilegal de quem sente as costas bem quentes por parte das autoridades.
Governo, Inspecção do Trabalho, Tribunais, Polícia… ninguém acode a estes trabalhadores que pedem tão somente os salários em atraso…
Nem a Comunicação Social lhes acode. O tom pseudo equidistante, entre trabalhadores a quem não lhes foi pago o salário devido e a Administração que pede sempre mais um esforço em troca de um futuro salário que nunca vem e que agora desliga os fornos; a equidistância entre os burlados e os burlões, é já por si lamentável… mas quando comparamos ao alarido que é feito sempre que algum trabalhador “se excede” no calor da luta, e a forma como se noticia o lockout da Valadares, como se fosse uma coisa banal, vemos bem quanta falta faz um órgão de comunicação social de massas que – já não digo que seja de esquerda – seja minimamente sério.

Basta fazer as contas….

Um jornalista perguntou a Pedro Passos Coelho de que valor estávamos a falar quando falávamos em fazer ou não feriado no Carnaval.
Passos Coelho responde “basta dividir o PIB pelo número de dias de trabalho para obter esse valor”.
Será que o Primeiro-Ministro acredita mesmo que se podem fazer as contas assim?
Talvez… Afinal toda a teoria do económica do Governo, a começar pelo ministro das finanças e a acabar pelo pseudo-guru das “Ideias para Portugal”, que tem a pasta da economia, tem muito pouca aderência à realidade e está relacionada com modelos simples em que se demonstra que quando se baixa o salário mínimo aumenta automaticamente a oferta de emprego. Porque não havia Passos Coelho acreditar que o custo de um feriado é igual ao PIB sobre número de dias trabalhados?
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Quase tão mau quanto isso é a comunicação social que temos.
Como é que algum jornalista digno desse nome deixa passar uma declaração destas sem tugir nem mugir? Lembram-se de Guterres que foi desafiado em directo a dizer quanto é que era 6% do PIB e como foi gozado para sempre e massacrado pelos opinion makers por nem saber de cor o valor do PIB de cor?

A indignação do Governo


Secretário de Estado dos Transportes apela aos sindicatos para que reconsiderem greve
No debate sobre os transportes públicos o Governo exalta-se com o impacto negativo que a greve de amanhã terá nas contas públicas.
Apesar de reconhecer o direito à greve (têm necessidade de o afirmar porque acham uma coisa extraordinária), o Secretário de Estado indigna-se porque num dia de greve, supostamente, vai por água abaixo o esforço de poupança que foi feito na redução dos Conselhos de Administração das empresas públicas de transportes.
Há 2 posts a fazer depois de tanta choradeira na Assembleia da República:
1 – Que bela merda para jornalista ver foi essa de reduzir o número de Administradores das Empresas Públicas. Fizeram-se paletes de notícias, a populaça (e alguma esquerda populista) que passa a vida a afirmar que o problema são os “Administradores que andam ali a mamar”, ficou satisfeita da vida ou calada sem saber como criticar… e afinal, em apenas 1 dia de Greve, a gota de água no oceano que foi essa poupança, foi toda pelo ralo.
2 – O mesmo Governo que foi tão compreensivo com a fuga de Soares dos Santos para a Holanda, afirmando que nada foi feito de ilegal, que todos têm o direito a defender o seu património e até que devíamos olhar para a Holanda e compreender porque é que conseguem atrair capitais portugueses, não consegue nem quer esconder a indignação com a greve.
Os trabalhadores, ao contrário dos grandes magnatas que apoiaram a eleição deste Governo e deste Presidente da República, já não têm o direito de defender o seu património. Já não devemos olhar para o exemplo Holandês para ver como funciona o sistema de transportes públicos (financiado pelo Estado e não pelos utilizadores) e para perceber porque é que amanhã não há greve em Amesterdão.
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