Há chauvinismo entre o povo?

 

Sim, há e nada mais reaccionário do que pretender ocultá-lo, sobretudo na época actual. Contudo, aparecem anti-salazaristas a pretender convencer-nos de que o povo português não está infectado por ideias imperialistas e repudia unanimemente a exploração colonial. Seria caso para nos maravilharmos com o milagre de um dos povos com maior tradição imperialista na história estar imunizado contra o chauvinismo. O chauvinismo imperialista existe porque os interesses colonialistas da burguesia não podem deixar de se projectar ideologicamente a toda a sociedade. […]

Ao longo dos séculos, formou-se e sedimentou uma ideologia imperialista que se recebe na escola, na imprensa, na vida diária, que penetra por toda a parte sem sequer ser notada. A cada passo se podem ouvir a pessoas progressistas conceitos imperialistas. E o facto de Portugal ser um país dependente do imperialismo estrangeiro ainda mais contribuiu naturalmente para exacerbar esse chauvinismo imperialista, como uma forma de compensação para as humilhações sofridas. É certo que o facto de o povo não ter que afrontar no seu próprio território a concorrência de mão de obra colonial e de os trabalhadores coloniais serem praticamente desconhecidos (ao contrário do que sucede, por exemplo, em França), não deu lugar a manifestações agudas de racismo nos séculos recentes.  Qual era contudo a base da complacência com que era aceite o africano em Portugal? Ela nada tinha de emancipação do espírito chauvinista; ela era pelo contrário a complacência que se tem pelos animais de trabalho: um certo afecto misturado de desprezo e repulsa física que se escondia polidamente para não os magoar (“coitadinhos, não têm culpa de ser pretos”) e uma certa má vontade também contra a sua “indolência”.

É verdade que há entre o povo uma resistência geral contra a política colonial do governo, contra os seus slogans dum chauvinismo histérico e grotesco, contra a perspectiva de uma guerra sem fim. Mas o que ainda não se provou é que por trás dessa oposição ao governo não esteja latente um chauvinismo de expressão diferente, que se torna igualmente necessário combater.

Francisco Martins Rodrigues, “Os comunistas e a questão colonial”, Revolução Popular, nº6 (Dezembro 1965)

MOBILIZAÇÕES EM LISBOA PARA AMANHÃ

(retirado do facebook – incompleto)

10h SALDANHA – PIQUETE MÓVEL – SALDANHA (Que se lixe a troika)

12h RATO- PIQUETE MÓVEL – RATO (Que se lixe a troika)

(https://www.facebook.com/events/280487935406150/?fref=ts)

12h CANTINA VELHA- ESTUDANTES PELA GREVE GERAL – MARCHA ATÉ AO ROSSIO (Estudantes pela greve geral)

(https://www.facebook.com/events/443261245736459/?fref=ts)

13h – CAIS DO SODRÉ – MANIFESTAÇÃO (15O – MSE – Estivadores – M12M)(https://www.facebook.com/events/382200785193809/)

14h – AV. LIBERDADE / EMBAIXADA DE ESPANHA – MANIFESTAÇÃO (ROSSIO) – (Que se lixe a troica)14h30 – ROSSIO – MANIFESTAÇÃO (SÃO BENTO) (15O – MSE – Estivadores – M12M) (CGTP) (Que se lixe a troica)

Depois do cerco, o circo, no Bartô

Monstros e companhia: cinema de horror e a denúncia do capitalismo

Zombies, extraterrestres, vampiros, fantasmas, lobisomens, monstros e companhia: que relação têm eles com a realidade? Não serão eles uma forma de retratar a realidade com grande exatidão?
Muito discretos e mais ou menos irredutíveis face a um show business que pasteuriza a violência e a serve em pacote entusiasmante, realizadores como John Carpenter e George A. Romero, entre outros, lançam avisos e incitamentos, ferem e chocam, abrem alçapões e caixões, ressuscitam mortos. Apresentam o mundo às avessas. Usam e abusam da sua liberdade, e da nossa. Do buraco escuro e fumarento de onde emergem, trazem os retratos mais crus, mais desbocados, mais blasfemos, e as propostas de transformação da realidade mais extremas. A estranheza, a alegoria, o panfletarismo e, em boa medida, a marginalidade protegem-nos, mas não encobrem minimamente a radicalidade das suas proposições.
Nesta noite escura e assustadora, mais do que pretendermos quadricular uma tão improvável como inescrutável agenda política de algumas das melhores criações do cinema de horror, será interessante discutir o seu lugar enquanto último e obscuro reduto da denúncia social.

Ricardo Ventura

Pop life

Bem sei, embora não me importe que o repitam, que há limites aos paralelismos que podemos estabelecer entre o que nos acontece na nossa vida, digamos, pessoal e os eventos e opções que se produzem numa esfera, digamos, pública. Bem assim, não me passa despercebido que está um bocado gasto isto de pegar num qualquer fragmento da cultura pop e esticá-lo apenas para o fazer servir os nossos inconfessáveis desígnios de ser, à vez, engraçadinhos e extremamente pertinentes. Mas, que vos posso dizer?, ainda não encontrei esse limite nem maneira de resistir a essa tentação. Mais. Confesso que já não há música, teledisco, manchete de revista, pedaço de filme ou tema de anúncio que não me pareça evocar, de forma absolutamente incontornável, a situação que vivemos, o nosso tempo histórico, o enredo do drama em curso, enfim, esta latrina.

Não quero ir muito longe. Atente-se neste teledisco e pense-se nas medidas ontem anunciadas pelo Ministro das Finanças. Agora imagine-se os eleitores do PSD e do CDS a escutar, no recato do lar ou na azáfama do seu local de trabalho (os eleitores do PSD e do CDS são, como se sabe, as pessoas que verdadeiramente trabalham e mantêm este país de pé), a sentirem-se traídos, abandonados, enganados. Tudo o que eles queriam era um governo que estivesse lá quando fosse necessário e que, tendo recebido tudo, não se coibisse de dar outro tanto. Quando Vítor Gaspar diz que os «portugueses são o melhor povo do mundo», os «portugueses» desconfiam, sentem já ter ouvido isto antes e não ter gostado do que se seguiu. Mais concretamente, os «portugueses» que votaram neste governo pedem-lhe, embaraçados, que seja mais comedido nas suas declarações de amor, que se limite a prometer-lhes o essencial. Mais respeito e menos vozinhas doces.  E fazem (juro) estes gestos coreografados entre o amor e o linchamento, que é próprio dos seus sentimentos marciais, da sua inflexível simplicidade. Alguns poderão considerar casual (ou até, se tiverem má-vontade, um pouco questionável)  o facto de as spice girls terem composto (?) em 1996 aquela que viria a ser a banda sonora do desencanto da base social de apoio às medidas de austeridade. Mas eu insisto que, no que diz respeito à cultura pop, não há coincidências, apenas verdades subterrâneas que emergem periodicamente à superfície (como os submarinos, aliás). Vítor Gaspar acaba de proceder a um detournement que revela o verdadeiro leitmotif (ufa!) daquelas miúdas inglesas. Os eternos temas da traição e do desencanto fundem-se aqui numa desolação futurista que não é senão uma imagem do deserto do real.  Em frente a uma superfície espelhada, um grupo de radicais violentas desafia a autoridade. Estamos em Portugal, Outubro de 2012, Ano I depois da Troika.

Algo de muito semelhante acontece entre o enredo sugerido por Justin Timberlake e a lenta e progressiva deterioração da relação no seio da coligação governamental. Também aqui a traição ocupa o centro de tudo, mas ela não é simplesmente a falta à palavra dada, a desilusão por não ver cumpridas as promessas outrora feitas. Para os distraídos, Passos é Justin Timberlake, que acolheu Portas (Scarlett Johanson) no seu círculo de confiança, tornou-o apresentável aos seus amigos mais cépticos e estava pronto a estabelecer um compromisso mais duradouro, a pensar no futuro. E agora não lhe perdoa ao vê-lo a brincar por aí, vivendo uma mentira, rindo-se nas suas costas sem se dar conta que, no fundo, é de si próprio que se ri. Portas julga-se acima de qualquer problema e pronto para novas aventuras, foge para a frente, evita ser confrontado com os seus actos, simulando uma despreocupação que sabe ser encenada. E agora adivinha-se que Passos não irá cair sozinho, esgotando os trunfos que lhe restam para arrastar Portas na sua queda. O que poderá ficar deste amor intenso senão um chão juncado de cadáveres? Talvez nunca como aqui tenha sido tão ostensiva a dimensão trágica da governabilidade e dos imperativos do sentido de estado: «O que vai à volta volta de novo à volta». Ou, como por cá se diz, deixa-os pousar.

Lancemos agora a nossa atenção para os esforços de convergência à esquerda. É sabido que se reuniram esta semana os dirigentes de dois partidos que partilham a sua oposição ao acordo com a Troika e ao programa do governo. Dela saíram duas moções de censura, ambas chumbadas. A unidade de esquerda, a alternativa de esquerda, o governo da esquerda, tudo isso teria de resultar nalguma coisa e resultou: em duas moções de esquerda. Tal como na canção , também estas eminências pardas ouviram as notícias e sentem que a sua vida vai mudar, mas não têm a certeza de estar preparadas para assumir as suas responsabilidades. Até lá, continuam de braços bem abertos mas hesitam em fechá-los num abraço mútuo. É preciso não ser injusto com os esforços sinceros para debater os respectivos pontos de vista, identificar as convergência e as divergência, no sentido de encontrar e materializar uma solução política comum. Até porque, se continuarem a manter esta disponibilidade para o diálogo, pode ser que em 2030 o Bloco de Esquerda e o PCP estejam preparados para apresentar a mesma moção de censura a um governo que, segundo ambos, está a «roubar e destruir o país». E o fruto desta união há tanto tempo desejada também poderá ser, como na canção, uma bela criança capaz de pegar na sua própria vida e tomá-la nas suas mãos. E nesse momento os braços poderão finalmente fechar-se.

Partilhando os sinceros desejos enunciados pelos creed, certos e determinados sectores da esquerda (não se confunda o leitor, são precisamente aqueles que se encontram mais perto do centro) avançam decididamente na construção das confluências e convergências que irão desaguar no grande lago da governação. Reúnem-se a partir de amanhã num congresso que é todo ele alternativas e democracia e de onde, prevê-se sem grandes dificuldades, sairá um novo partido político ou uma declaração de intenções bastante inócua. É uma iniciativa absolutamente aberta a todas e todos que não têm um minuto a perder. Destina-se a promover o encontro de quem mal se conhece e encerra uma promessa de felicidade capaz de ir ao encontro dos seus desejos. É tudo bom e bonito, como num sábado à noite. Bué pessoal vai-se orientar enquanto debate soluções e exibe o seu movimento de ancas.

Chegamos ao o movimento. Ainda melhor, às cúpulas do movimento, que não se dão bem nem a tiro de pistola. São como a canção dos Onda Choc, mas com a primeira frase invertida: a Catarina não gosta do João que não gosta da Inês que não gosta do Miguel e assim sucessivamente, de tal forma que cada reunião tem de respeitar infinitas formalidades, cada convocatória se arrisca a redundar em trocas de acusações relativamente a um episódio passado, cada formulação num texto comum se transforma num campo de batalha, um terreno minado que ninguém pode utilizar, redundando em confusão e choro. Os discursos são extremamente parecidos, o tom é semelhante e, em grande medida, anda tudo ao mesmo, mas ninguém confia em ninguém. Pois é! Lá na escola há amores desencontrados e ficamos muitas vezes sem saber o que fazer.

Finalmente, o pessoal. O pessoal é esta componente específica do movimento que fica a olhar meio de lado, com um pé dentro e um pé fora, sorriso irónico nos lábios, olhar ora divertido ora desconsolado, dedicando-se à poesia e ao hedonismo, entre um artigo no Diário de Notícias e uma capa no Correio da Manhã. «Radicais violentos», mas apenas dentro do quarto escuro. Claro que o pessoal está preocupado, indignado, revoltado, mobilizado, empenhado e até mesmo profundamente envolvido na vasta contestação às medidas de autoridade e ao coiso. Mas o pessoal não quer deixar de ser o pessoal para passar a ser esta ou aquela categoria, etiqueta ou carimbo e, por isso mesmo, o pessoal não dá a cara nem veste a camisola. O pessoal está tão irritado que parece tranquilo. Sabe que é demasiado cedo e que, de certa forma, também já é demasiado tarde. Por isso mesmo, está na hora certa. Vamos fazer este momento durar.

Bairro de Santa Filomena vs C.M. da Amadora

Hoje, quinta feira 21 de Junho, pelas 10h moradores e moradoras do Bairro de Santa Filomena (Amadora) dirigiram-se pacificamente à Câmara Municipal de Amadora para entregar uma carta ao cuidado do Presidente da Câmara Municipal da Amadora (EM ANEXO). Chegamos lá, tiramos a senha para ser entendidos/as e depois de ler e assinarmos a carta o nosso objectivo era entregá-la aos/às funcionários/as da Câmara para que ela fosse remetida ao Presidente. Mal entramos, completamente pacificamente, como qualquer cidadão ou cidadã deve poder entrar  na  sua câmara municipal e ser atendido/a, foi incompreensivelmente chamada a policia municipal que veio em massa. Somente estávamos à espera da nossa vez para entregar a carta assinada por nós. Ainda assim, tendo em conta o contigente policial, à medida que tinhamos assinado a carta , fomos saindo do edifício e a polícia, depois de ter feito um cordão policial , hostilizou os moradores e moradoras e perante o pedido de calma à polícia por parte de uma pessoa que integra a Plataforma pelo Direito à Habitação , explicando que somente queriamos entregar uma carta , um agente policial agrediu-a violentemente, estando ela neste momento ainda no hospital. A polícia agrediu igualmente um repórter que estava a documentar e retiraram-lhe o cartão de memoria que continha mais fotos e video das agressões. Depois disso acontecer os/as moradores/as manifestaram-se em frente à Camara aguardando que um morador que foi detido fosse libertado, que a colega que foi agredida fosse atendida pelo INEM e levada para o hospital e que nos deixassem entregar a Carta endereçada ao presidente da Câmara.

A actuação da policia municipal foi completamente injustificável e viola os nossos mais elementares direitos.
Enviamos em anexo as únicas fotos que foram tiradas por um morador desde seu telemóvel (foto em anexo), mostrando a agressão , bem como a carta que foi entregue.
 Os/as moradores/as do Bairro de Santa Filomena
Plataforma pelo Direito à Habitação

Cromos da TSF…

A TSF tem um programa diário, que repete várias vezes ao dia, que são os “cromos da TSF”… Cada dia um determinado actor faz uma crónica/scketch que tem mais ou menos piada.
A quarta-feira é o dia de José Pedro Gomes, que até deve ser um gajo de esquerda, com ideias, que faz sempre umas coisas muito politizadas e que até dá umas boas cacetadas no sistema e sobretudo no Governo… mas, credo… que demagogia, que populismo, que algarviada!
Fala sempre em nome do povo (“nós”), contra a incompetência “dos políticos”, contra ineficiência e corrupção do Estado – que tem todos os defeitos do mundo –, e “nós a aguentar”, etc., etc.… uma mistura de discurso político de Garcia Pereira com o de Paulo Portas, bem regado com conversa de taxista e, claro, uma pitada de interesse corporativista (volta, não volta, aparecem os “direitos de autor” como um dos grandes factores de desenvolvimento nacional)…
Enfim: Constrangedor.
[Spectrum]

Carta aberta ao camarada Soares


Caro amigo,
Fazes hoje 80 anos, grande líder e grande pai. Não sei se poderei ir ao teu mega-jantar de aniversário, mas adianto aqui porque é que todos devíamos festejar:
– acabaste com as confusões das ocupações de terras e da reforma agrária;
– puseste fim à treta do controlo operário;
– acabaste com os plenários e comissões de moradores, trabalhadores e outros pensadores;
– acabou com a bagunça revolução.
Enfim, parabéns por teres exterminado o sonho e a acção dos que um dia acreditaram que podiam tomar o poder nas próprias mãos. Que parvoíce a conversa daquela gentinha pensar que podia ser feliz à nossa pala! Isso é que era bom! Foram só precisos três ou quatro contactos com os américas, uns infiltras no PC e tudo isto com uma retórica bonita de socialismo! Bem, foi limpinho. Agora que estás mais perto da cova, perdi a vergonha, e uso este spectrum para te elogiar publicamente,
Um abraço
[Arnaldo Matos]

PCP: Começou a sangria – Parte II

Decidi postar, à revelia do autor, uma carta a que tive acesso
[Spectrum]
«Conclui-se amanhã o mais novo Congresso do Partido Comunista Português (PCP), partido em que militei desde três meses passados do 25 de Abril de 1974.
É o primeiro congresso do único partido de que fui membro (tirando uma breve mas entusiasmante passagem pelo MDP/CDE no período 1973/74) em que não sou chamado a participar, intervir, eleger e ser eleito.
Considerava-me já despedido – agora despeço-me eu.
Saio sem – e com – mágoa.»

Continuar a ler

O que é que tem o Spectrum de diferente dos outros ?

O tempo histórico que nos une tem o ruído de uma cassete, o rshhhhhhhggggggggggiiiiiiiiiióóóóóóóó de um jogo a tentar entrar sob os nossos olhos num televisor em que o zapping era entre dois canais, nos longínquos botões do aparelho. Seguiu-se uma era PC, sem que terminasse o barulho de cassetes e os malfadados loading errors, mas essa é outra história. Agora que fizemos um ctrl-alt-del sobre o assunto e que o controlo remoto permite escolher outros canais ou, simplesmente, desligar o aparelho, estamos a redescobrir e reinventar o spectrum.

Este trabalho contínuo de reconstrução e o nosso inolvidável passado de pré-adolescentes que partilharam um ZX Spectrum da Sinclair – recordemos que eram tempos em que os heróis dos jogos sofriam de tetraplegia que impedia o movimento harmonioso dos quatro membros e que os dicionários multimédia são invenções recentes – não só nos dificulta a missão de caracterizarmos o nosso blogue, como nos impossibilita de organizarmos os povos e as pessoas, designadamente as que escrevem aqui, em gavetinhas de escrivaninha.

Ainda assim, se nos pedissem para descrevermos os assuntos do nosso blogue com palavras começadas pela sílaba “con”, diríamos que o Spectrum é mais orientado para a blasfémia convicta sobre o contemporâneo, o conterrâneo e o concorpóreo do que sobre o conciliatório, o condicente e o confortável. Sobre estes últimos assuntos já muito está escrito, sobretudo por pessoas que teimam em acreditar que não há assim tanto futuro para vir, e que, se vier, se apresentará de botinhas de lã e não com o ruído com que sempre se apresentou: rshhhhhhhggggggggggiiiiiiiiiióóóóóóóó.

[ZX Spectrum Crú]

Mais prestígio para Portugal

Comissão Barroso Enfrenta Chumbo Histórico
Durão Barroso enfrenta hoje um cenário de pesadelo no Parlamento Europeu em Estrasburgo. Não há certezas absolutas, mas ontem à noite tudo apontava para um chumbo da sua equipa de comissários europeus.
[Zé X]

The last gang in town

Segundo reportagem do telejornal da SIC, o empreiteiro Vitor Santos, o Bibi do Benfica, foi identificado pelo fisco como o recordista da fuga aos impostos. Será que os amiguinhos das casas novas serão os seguintes?
piscina_gay.gif
[Manic Miner]

Going high on Pepper gas

“Então os polícias disparam, a bem dizer, porque têm medo; e o fato de terem medo é uma prova de bom senso. medo.”
B.Brecht, A excepção e a regra

“Enquanto fores bigorna aguenta, quando fores martelo bate”
Ditado dos mineiros Asturianos

[Rick Dangerous]

Comunistas?


É já quase unanimemente aceite e do domínio do senso comum a ideia de que a eleição de pessoas por voto secreto é mais democrática e menos sujeita a pressões de diverso tipo do que o braço no ar. Pode, por isso, para o observador desatento, parecer natural que isso aconteça em qualquer organização política, mesmo no PCP. No entanto, a decisão do CC do PCP de propor ao Congresso a eleição do próximo CC por voto secreto (toda a informação aqui) é um curioso case study para a ciência política.
Depois de redigir um tratado sobre o carácter anti-democrático da lei dos partidos e sobre os propósitos dos seus autores de terem em vista “o enfraquecimento e destruição do Partido” e de afirmar que “a atitude a adoptar não pode ser, passado o momento da sua aprovação, dispormo-nos a uma mera aceitação ou conformado cumprimento”, o CC conclui que “no que se refere à forma de eleição do Comité Central deve ter-se em conta simultaneamente, por um lado, a adopção de uma posição pelo Congresso de repúdio das leis sobre os partidos, de exigência da sua revogação e de combate às suas negativas consequências e, por outro, a avaliação dos riscos decorrentes do aproveitamento, no plano legal, pelos inimigos do Partido de uma forma de resistência e combate a estas leis que passasse pela forma de eleição do Comité Central por voto de braço no ar” e que “a eleição do Comité Central (…) seja feita por voto secreto”.
Basicamente, traduzindo para português inteligível, deve ler-se: “A burguesia anda a ver se nos lixa com as suas leis contra os trabalhadores e as suas organizações de classe. Eles sabem que nós um dia ainda havemos de construir o socialismo e por isso não descansam enquanto não nos destruirem. Mas nós não nos calaremos. Continuaremos a denunciar as manobras dos nosso inimigos. Mas entretanto, foi visto que seria muito negativo, no actual quadro e, naturalmente, sem prejuízo da identidade e natureza do partido e da sua independência face aos interesses do grande capital, deixar de dispor dos fundos que nos são fornecidos pelo sistema anti-democrático burguês. Nesse sentido, e sem calar os nossos mais vivos protestos, a eleição do CC será feita por voto secreto, ou seja, sujeitar-nos-emos à imposição anti-democrática dos inimigos do partido. É que enquanto o pau vai e vem, descansam as costas”.
[FR]

O Ministro-Sinistro

sanches.jpg
Li no Público:
«Quem negou a existência de qualquer carga policial foi o ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, que disse desconhecer que tivesse sido usado algum gás paralizante pelos agentes da autoridade. “Não houve nenhuma carga policial, houve apenas uma contenção da polícia com um gradeamento à entrada dos estudantes no Senado universitário”, disse, citado pela Lusa.
Como “único acontecimento mais grave” em Coimbra, destacou a detenção de um estudante devido a “uma agressão a um polícia”. “É a primeira vez que estou a ouvir falar em gás, não tinha ouvido falar em tal coisa”»