E para quando a Madeira?

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Num rasgo de humor que eu não sabia que os belgas tinham, a estação de televisão belga RTBF interrompeu a emissão de ontem para anunciar a independência da Flandres.
Mesmo depois da explicação oficial em como tinha sido apenas uma rábula “à là Orson Wells”, a coisa parece não ter caído bem a muita gente. O debate continua, o que prova que pelo menos algum sentido fez tocar este ponto sensível.
Mas a minha questão é: para quando anunciar, a sério e sem volta a dar-lhe, a independência do Reino da Madeira?

Ele professores ha em todo o lado…

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Cheguei ao Mexico para perceber que os nossos professores nao sao os unicos com problemas.
Alem da situacao presidencial ainda nao estar resolvida (continua a haver accoes regulares de apoio a Lopez Obrador – espero ainda escrever sobre isso durante a semana), os professores em Oaxaca estao em greve ha 129 dias.
E como estamos na America Latina, a coisa nao se faz por menos: barricadas nas ruas, assembleias populares no Zocalo (a praca central das cidades mexicanas), cartazes e grafitis em toda o centro historico.
Tudo remonta a 14 de Junho, data em que o Governador do Estado, Ulises Ruiz, decidiu terminar com a vigília de 24 dias dos professores do Sindicato Nacional de Trabajadores de la Educación (SNTE) com uma intervencao policial que deixou mais de 90 feridos.
E caso para pensar: depois disto, de Acteal, de Atento, de Chiapas, como consegui exactamente o Mexico a imagem democratica e “limpinha” que tem a nivel internacional?

Sim, senhor Professor

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No fim de Setembro estive em Londres no dia dos protestos anti-guerra, em que estiveram 50.000 pessoas a pedir (novamente…) a saída de Blair devido ao seu apoio à intervenção militar no Iraque.
Infelizmente, a manifestação foi marcada para Manchester, o que me deixou algo aborrecido…
Depois ter perdido também um concerto do Sílvio Rodriguez no Barbican, voltei para Portugal para descobrir que cá também andamos a ter alguma acção: no mesmo dia seguinte em que a UNESCO anunciou que o Mundo precisa de 18 milhões de novos professores até 2015 (imagino as contas que terão feito), por cá houve protesto contra a revisão do Estatuto da carreira de docente.
Cá para mim, os 25.000 professores que estiveram na manifestação em Lisboa não querem esperar até 2015.

O Paraíso… Quando?

Acabei agora mesmo de vir do Cinema King.
Quando há um par de dias ouvi a Esther Muznik dizer que o filme “O Paraíso, Agora!” não prestava um bom serviço à Palestina e à sua causa, pensei imediatamente “Uau! Mas que nobre da parte dela preocupar-se com a causa palestiniana!”.
Não conheço o realizador Hany Abu-Assad nem nenhuma posição concreta sua sobre o conflito, mas felizmente o filme, seja qual for a intenção do realizador , está longe de ser uma apologia de seja o que for. Aliás, o filme baseia a sua história precisamente na tensão entre as formas de luta escolhidas pelos palestinianos. Ou seja, parece-me que o filme até se pode até enquadrar melhor no debate “terrorismo” (através das interações pessoais entre as personagens) e não exclusivamente no “conflito israel-palestiniano” (tendo em conta todo o contexto).
O mais triste (e desde logo já uma vitória da direita) é sentirmo-nos tantas vezes obrigados a tecer considerações sobre a idoniedade de um filme em vez de nos centrarmos nos temas que supostamente estão em debate…
Bem sei que havia coisas bem mais interessantes que mencionar hoje, como o discurso de Jerónimo de Sousa no encerramento da Festa, a proposta sobre a Segurança Social apresentada por Marques Mendes na Universidade de Verão do PSD, ou até mesmo a situação de tensão vivida na Bolívia, mas… a rentrée política para mim foi mesmo celebrada com uma rentrée cinéfila à maneira.
Seja bem-vindo Setembro com mais filmes destes.
# They seek him here / they seek him there / they seek The Plotter everywhere #