Era tipo como ontem mas com 100% de desconto

Depois do ano passado se escandalizar com o comportamento da canalha em Londres, Sérgio Lavos volta a enojar-se com a plebe, desta vez em território nacional. Lá estão eles outra vez a quererem coisas que não é suposto terem. Diz que “não chegarão a perceber que parte daquilo que compraram não era absolutamente necessário e por isso viverão felizes na ignorância dos estúpidos”. Ora dado que os 50% de desconto não se aplicavam a electrodomésticos, electrónica, têxtil, combustíveis e parafarmácia, presumimos que para Lavos o excesso consumista se tenha dado quando a populaça invadiu o supermercado em busca de fruta, legumes, peixe e carne. Não bastava os marginais em Londres quererem blackberries agora também aqui querem bifes e massa? Ou pior ainda, produtos de higiene pessoal? Talvez tenham ousado sonhar com marisco a metade do preço?
Surge uma e outra vez no que escreve Lavos esta imagem do Zombie, do marginal, da “horda”. A social-democracia enquanto última barricada entre os legítimos consumidores de produtos frescos e a bárbarie das multidões. E ainda dizem que o pensamento Lovecraftiano é da direita. Afirmar que é ignorante ou estúpido quem ontem aproveitou para comprar produtos de primeira necessidade a metade do preço não é só idiota, é violentamente cretino.

A Sociedade do espectáculo

O fetishismo da marcadoria

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10 thoughts on “Era tipo como ontem mas com 100% de desconto

  1. para quem diz barbaridades como o lavos, fechados na sua casinha em frente a um pc, e com ideias de como as pessoas se devem comportar, não lhe cabe na cabeça que entre os ideais e o fazer vai a distância da necessidade, que venham os descontos, numa altura em que todo o tostão conta para muitas pessoas o dia de ontem foi um pequeno alivio. falando do dia escolhido, o uso do 1º de Maio para essa promoção é uma inversão, os trabalhadores do pingo doce ontem até devem ter trepado paredes e o stress que foi, um dia em que a propria policia impedia a entrada de quem precisava dos produtos, o nojo que a imagem produz não pode ser direccionada a quem comprou mas sim aos patrões e marketeers (agentes do diabo já dizia o bill hicks, “kill your self!!”)que de forma deliberada tentaram dar uma ideia de bonzinhos enquanto distribuem as migalhas por quem precisa, isto foi apenas o inicio, gostava de saber se o lavos também diz mal das hordas que invadem o el corte ingles nas black fridays. aí já não, são mac´s e iphone, produtos para pessoas informadas e cultas que apenas aproveitam uma boa bagatela. o sergio lavos que va escrever mais sobre futebol que o daniel oliveira já o amestrou bem, sallut i anarquisme!

  2. Pois, mas além das diatribes sobre o Lavos, não sei se percebo a inversão. Quem procura (e precisa de) um produto de 1a necessidade está excusado de responder sobre o assunto? Isto parece-me condescendente. Então essa mesma pessoa não poderá compreender que o consumo satisfatório hoje dá liberdade à cadeia para amanhã por e dispor como quiser? Onde é que estes raciocínios vão dar? Compaixão com quem não faz greves, porque precisa de ganhar o dia? Além do mais, o movimento em Londres não seguiu qualquer coreografia deste género, portanto não acho que a comparação se aplique.

  3. O que me ocorre,sobre o espectáculo deplorável que vi quando liguei o televisor,pensando eu,que iria regalar-me com imagens sobre o 1º de Maio, paralisou-me. Que País é este?« País pobre com mentalidade de rico »-(E.Lourenço)ou,pobres pessoas, que gostam de ser manipuladas por gente rica? Estou confusa!

  4. tambem eu fui do m. moniz a alameda a pé. e no final tb tentei passar num p. doce. em vão, pois já todos estavam encerrados. o que me moveu foi apenas e só a esperança de comprar os produtos que consumo num mês, mas numa só vez. e com desconto. não há nada de criminoso nisso. não sou rico, nem pobre. achei tão normal quanto as noitadas que muitos fazem para comprar um bilhete de uma banda qualquer, ou quando a apple lança um qualquer iphone. agora deploravel é por exemplo, o preço a que os sujeitos que estavam instalados nas barracas na alameda vendiam um pãozito um pouco maior que uma carcaça. 2 euros. ou um queijo amanteigado. e aqui sim, com a conivencia dos camaradas. E, porque tb ja ouvi esse comentario, para quem não admite a abertura dos hipers neste feriado, pois os trabalhadores terão direito a usufruir do “seu” feriado, certamente não se terão deslocado de transportes publicos, não terão parado na almirante reis a beber uma mini e nem terão ligado a tv quando chegaram a casa. até já.

  5. o jorge esteves não percebe mesmo a inversão? então eu explico-lhe o que é a inversão. ora bem, um dia como o 1º de maio, criado em homenagem aos 8 anarquistas que foram executados com provas falsas em relação a uma manifestação em chicago, ou seja, o dia é a celebração da conquista, e não legislação ou memorando, de direitos sobre o trabalho, tentando de alguma forma conceptualizar o que é o trabalhador e o que é o trabalho, a sua distribuição e a sua exploração.
    desse modo, os trabalhadores do pingo doce são uma inversão do dia, que( mesmo para quem não goste ou acredite) tem um peso simbolico gigantesco ( a nivel mundial veja lá!), ou como diz o Kertzer “if men possess thoughts, symbols possess men). se ainda dessa forma não percebeu, continuo (é longo mas aguente-se à bomboca),a carga de trabalhos da malta do pingo doce coaduna-se com a necessidade de quem foi lá, nada tem a ver com greves (porque em portugal nem toda a gente tem direito á greve e essa seria outra discussão) porque a greve não é apenas um dia de paralisação se pretende alguma coisa, é também a tomada de consci~encia de classe, coisa que não tem acontecido (basta relembrar o triste episodio da agressão por parte da cgtp a um activista dos precarios inflexiveis que pretendia assistir ao comicio)logo por ao mesmo nivel quem foi às compras por necessidade ( e também houve os que não a tinham)ao lado de quem não faz greve não é só idiota como demonstra uma falta de saber do que hoje em dia se passa, mostra uma visão redutora muito próxima de uma direita balofa como da sua correspondente á esquerda. bem haja

  6. há uma grande diferença entre a pessoa que vende os coratos na alameda (ali são voluntários), o condutor dos transportes ou o enfermeiro no hospital(há outros direitos em causa) ou o dono da mercearia que resolveu abrir como de costume (é o dono). O que o Pingo Doce e outros que estiveram abertos foi dizer que em matéria de trabalho podem fazer o que quiserem, um bom recadinho para o governo. E é mais ou menos como violar a mãe no Dia da Mãe. Bem.vindos ao século XIX!

  7. Penso que acabamos de descobrir o comentário do ano: “E é mais ou menos como violar a mãe no Dia da Mãe”.

  8. bora la piço doce!…espero bem que faças mais destas mais dias, sugeria que a proxima fosse em dia de eleiçoes..umas quaisquer, nao interessam vao todas dar ao mesmo de qualquer maneira, mas de preferencia num verao qualquer parase ver daquelas estatisticas bonitas num jornal qualquer..hmm, comida barata/praia/mmm, dificil! gostei do facto de alguem referir o corte ingles e os lançamentos duma tecnomerda qualquer..muito mais aceitavel do que que comida e produtos de higiene..! bem plo menos é muito mais proto burguesoide esquerdista do que uma cena autoritaria como comida! porque esses merdas nem sabem o que é faltar coisas dessas, da mesma maneira que ha quem venda carcaças a 2e, tambem ha quem passe ao lado e nao compre! quem vende coiratos na alameda pra mim é fachista, mas isso é conversa ecologista que nao se pode ter em tempos de crise que ha coisas mais importantes pa discutir! mas sim, acho que era fixe esgotar de todas as maneiras os recursos da psp em feriados e dias de greve, que assim poderia ser que um gajo tivesse um dia de paz pa descansar e fazer a revoluçao em paz de vez em quando! ah sim, pra quem anda aqui cheio de certezas a reclamar a historia, sugiro que procurem os 8 de chicago que alguem tao bem fala ai, pa se acabarem as caganças vermelhas todas!

  9. bora la piço doce!…espero bem que faças mais destas mais dias, sugeria que a proxima fosse em dia de eleiçoes..umas quaisquer, nao interessam vao todas dar ao mesmo de qualquer maneira, mas de preferencia num verao qualquer parase ver daquelas estatisticas bonitas num jornal qualquer..hmm, comida barata/praia/mmm, dificil! gostei do facto de alguem referir o corte ingles e os lançamentos duma tecnomerda qualquer..muito mais aceitavel do que que comida e produtos de higiene..! bem plo menos é muito mais proto burguesoide esquerdista do que uma cena autoritaria como comida! porque esses merdas nem sabem o que é faltar coisas dessas, da mesma maneira que ha quem venda carcaças a 2e, tambem ha quem passe ao lado e nao compre! quem vende coiratos na alameda pra mim é fachista, mas isso é conversa ecologista que nao se pode ter em tempos de crise que ha coisas mais importantes pa discutir! mas sim, acho que era fixe esgotar de todas as maneiras os recursos da psp em feriados e dias de greve, que assim poderia ser que um gajo tivesse um dia de paz pa descansar e fazer a revoluçao em paz de vez em quando! ah sim, pra quem anda aqui cheio de certezas a reclamar a historia, sugiro que procurem os 8 de chicago que alguem tao bem fala ai, pa se acabarem as caganças vermelhas todas!

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