Do interior de Israel…

Belo debate sobre o sistema segregacionista do Estado de Israel.

Se é necessario lembrar e relembrar a configuração Apartheidista na qual toda a região está embrenhada, Tal Dor mostra também que dentro das fronteiras da Palestina 67 os Palestinianos cidadãos israelitas vivem igualmente sob um regime colonialista.

A resposta de Tal Dor à pergunta do jornalista sobre porque não existe uma tomada de consciência maior do estado de situação entre os judeus israelitas é também interessante : chama-se dominação da ideologia hegemónica – o sionismo –  !

TV5MONDE : Maghreb-Orient Express – Israël-Palestine : Apartheid, la fin d’un tabou ?.

“Um Piano nas Barricadas. Autonomia Operária em Itália (1973-1979)” de Marcello Tari II

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“Mas começam também a surgir outras figuras de explorados e exploradas que já não têm vontade de permanecer passivos no que toca à reestruturação da sociedade por parte do capital, como as empregadas dos grandes armazéns comerciais, que começam a reflectir sobre que diabo de trabalho era o seu em que deviam “sorrir” a toda a gente, antecipando por muitos anos e com um olhar bem mais crítico e combativo, as análises pós-modernas sobre os “afectos tornados trabalho”; ou os professores das escolas, que se vêm transformados em proletários intelectuais; ou ainda os técnicos industriais, para os quais uma alta qualificação, conseguida muitas vezes com grandes sacrifícios, correspondia a um “trabalho de merda”, desqualificado e aborrecido. Os estudantes começavam a pensar que não existia grande diferença entre a escola, a universidade e a fábrica e que portanto as técnicas de luta operárias poderiam e deveriam ser utilizadas nas suas batalhas: no fundo não era necessário um grande esforço de imaginação para compreender a escola enquanto fábrica, com os seus tempos, os seus departamentos, os seus dirigentes e os seus operários. No entanto, se em 1968-69 o fenómeno novo era constituído pelos estudantes que se aproximavam dos portões das fábricas, são agora os operários que aproximam de todas as formas de vida subversivas que habitavam a metrópole. A partir destes encontros nascerá a experimentação de uma vida mestiça, inteligente e particularmente dotada de uma força de contágio incontrolável.”

“Para o Movimento dos anos Setenta, contudo, as coisas nunca foram mecânicas e não bastava certamente um alargamento quantitativo das figuras e territórios do trabalho para produzir uma deslocação das lutas, era necessário dar um salto qualitativo enorme, que não correspondesse a uma requalificação das velhas lutas e dos novos sujeitos num novo molho, mas sim a uma ruptura que permitisse o reconhecimento de uma nova realidade ética metropolitana na qual já não havia lugar para as ladainhas marxistas-leninistas ou para o anarquismo de antanho. A questão era novamente (e ainda é), por um lado, como é que seria possível que as novas figuras sociais criadas dentro e contra o desenvolvimento recusassem e destruíssem não só o capital mas a si próprias enquanto parte do capital, ou seja, que se negassem enquanto sujeitos, deslocando assim novamente o conjunto das lutas e, por outro, questão fundamental, como construir uma organização das autonomias capaz de assumir o confronto com os aparelhos do Estado. Já não se tratava, com pretendia o operaísmo, de lutar “dentro e contra”, estava na hora do “fora e contra”. Em 1977 tentou-se dar o salto.”

BREVEMENTE E SEM PREFÁCIO DE BOAVENTURA SOUSA SANTOS!

“Um Piano nas Barricadas. Autonomia Operária em Itália (1973-1979)” de Marcello Tari I

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“Durante o mês de Março os sindicatos, intuindo que a raiva operária estava em crescimento, começam a convocar greves sincronizadas de poucas horas, que não tinham qualquer impacto sobre o patronato e davam aos operários apenas uma incómoda sensação de frustração. As coisas tinham de mudar, e velozmente. Na edição de Abril de “Rosso”, na altura ainda o “jornal quinzenal do grupo Gramsci” de Milão, os operários das oficinas da Mirafiori relatam que tudo começou num dia em que fizeram uma assembleia sem os “bonzos” do sindicato. Os operários sentaram-se à mesa da cantina e começaram a falar entre eles, percebendo que todos concordavam que as formas de luta levadas a cabo pelos delegados dos conselhos de fábrica eram insuficientes. Mas descobrem também, graças aos mais jovens entre eles, que existem outras maneiras de estarem juntos: não burocratizadas, mais vivas, mais belas e das quais se sai mais forte. Decide-se mudar de sistema. Como em 1969, começam a ser vistas manifestações no interior das instalações da fábrica, agora lideradas por operários mais jovens que, com o rosto coberto com lenços vermelhos, atacam os chefes, os seguranças, os fura-greves e os espias, destroem a maquinaria, sabotam os produtos acabados. Vão todos em cortejo à reunião seguinte do conselho de fábrica e os delegados sindicais receiam seriamente ser agredidos: os operários interrompem a reunião e dizem “basta”. A 23 de Março, durante a enésima greve com manifestação interna, começa a ser preparado o plano de ataque: bloqueio das mercadorias em saída, piquetes nas portas de entrada da fábrica e grupos móveis de operários que controlam todos os departamentos. A 26 começa o primeiro bloqueio de uma hora, mas no dia seguinte a coisa torna-se maior, corre a informação nos departamentos, nos refeitórios, por todo o lado. Escondem-se as bicicletas dos chefes e dos fura-greves e organizam-se estafetas entre as diversas portas, sentinelas vermelhas sobem aos muros da fábrica, os telefones dos seguranças são sequestrados e utilizados para trocar informações em tempo real. A organização da luta transforma-se, de um fetiche adorado pelos mais variados inventores de “consciências externas” do proletariado, em algo que nasce no momento da acção e dentro desta. A ocupação da Mirafiori não deverá nada a ninguém: nem ao sindicato, nem ao PCI, nem aos grupos extraparlamentares: todos foram colhidos de surpresa e obrigados a perguntar a si próprios como fora possível que uma tal organização da luta, por maior que pudesse ser a sua invisibilidade, tivesse escapado por completo à previsão ou compreensão dos seus estrategas.

Não se tratava de qualquer espécie de espontaneísmo, mas antes a auto-reflexão prática e indelegável dos rebeldes, que criava e determinava de modo imanente o próprio poder da fábrica, não para a fazer funcionar melhor mas para a destruir enquanto agregação de exploração e domínio, de fadiga e de nocividade. Os delegados do PCI e do sindicato começavam a compreender o que se estava a passar e procuraram difamar quem levava avante as lutas com as acusações do costume: “aventureiristas” e “provocadores”. Mas era demasiado tarde e os funcionários da anti-revolução até poderiam ter-se retirado para ir jogar às cartas para a cantina. Se a 28 de Março é proclamada uma greve autónoma de 8 horas, a 29 o bloqueio é total, bandeiras vermelhas surgem de todas as portas da fábrica, funcionários e dirigentes são rejeitados nos piquetes e, adicionalmente, os blocos começavam a mover-se ameaçadoramente para fora do estabelecimento, ao longo dos cruzamentos, onde os ocupantes pedem aos automobilistas uma portagem para financiar a caixa comum. A ocupação da Mirafiori transborda, a indicação política é clara: sair dos muros da fábrica, apropriar-se do território.”

SAI MAIS LÁ PARA O FIM DO MÊS

Todas ao MINISTÉRIO

Ministério

Neste momento, a PSP encontra-se no MINISTÉRIO tentando despejar os ocupantes e retirar o equipamento sem mandato ou ordem judicial. Encontra-se também no local uma carrinha do corpo de intervenção. Pede-se a todas as pessoas disponíveis que se mobilizem para o local. Campo dos Mártires da Pátria, nº1
Todas ao MINISTÉRIO

“Todas ao Ministério” é o repto lançado por um grupo de ativistas que ontem, dia 25 de Abril, ocuparam o Palácio Silva Amado, um edifício que durante o Estado Novo albergou o Ministério da Educação e que se encontra devoluto há vários anos. Ainda que a ocupação tenha ocorrido durante as comemorações do 25 de abril, cerca de 20 pessoas já tinham invadido o imóvel, localizado no Campo Mártires da Pátria, dois dias antes, tendo arregaçado as mangas para limpar o amontoado de detritos que nos últimos anos se acumulou no edifício datado do séc. XVIII. O grupo prossegue com o trabalho de limpeza para transformar o espaço num local de cultura e debates cívicos.

Ao JN, alguns elementos do grupo garantiram que este é um movimento cívico heterogéneo, que com esta ocupação pretende lançar um alerta para o número de casas devolutas na cidade. Combater a especulação imobiliária e lutar por uma cidade com pessoas são alguns dos objetivos destes ativistas. “É por demais óbvio o fosso que separa a proteção concedida aos grandes proprietários e investidores imobiliários, os principais responsáveis pelos milhares de casas abandonas na cidade de Lisboa, e quem se vê confrontado com o aumento do valor de empréstimos e rendas”, pode ler-se no manifesto do grupo. Até ao dia 1 de maio, estão previstas várias atividades de caráter cívico, como workshops de “subvertising” (publicidade e subversão) e debates sobre a cidade, política e movimentos sociais. Ao início da tarde desta sexta-feira, a PSP foi ao local e procedeu à identificação dos ocupantes, mas na ausência de queixa por parte dos proprietários do imóvel não procedeu ao despejo. As atividades no Palácio começam esta sexta-feira, com o debate “Abril e Abrileiros”.

O Palácio Silva Amado é propriedade de um particular e desde 2008 que tem licenciamento para ser transformado num condomínio privado com 32 habitações.

Grupo ocupa antigo edifício do Ministério da Educação

25 de Abril II – Com jeito vai…

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 Desfile no 25 de Abril (II) – 15h, DN

“Alguns anos depois do fim do enredo inicial as forças do mal regressam com novos poderes e propósitos demoníacos. Os heróis do passado revelam-se incapazes de os combater e toca às pessoas comuns do presente reorganizar-se para enfrentar estes novos desafios.

Com interpretações notáveis, efeitos especiais inesquecíveis, uma banda sonora arrebata-corações e momentos de aventura e tensão que marcarão toda uma geração, “25 de Abril II” é já considerado o blockbuster do verão de 2013. Em parte thriller psicoló…gico e épico bíblico é no entanto pontuado por momentos de humor hilariantes sobretudo quando os vários candidatos a “líder” do movimento são ridicularizados por toda a gente em devir comunizante e insurreccional.

A não perder, estreia dia 25 de Abril às 15h em frente ao Diário de Noticias, no início da Avenida da Liberdade. Os convidados para a estreia deverão fazer-se acompanhar de máscaras, lenços de cowboy, instrumentos musicais e outra parafernália interessante.”

 

Como fazer a revolução?

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Vivemos um ciclo intenso de protestos de rua, com mais de dois anos (em 2012, a polícia referenciou mais de 3000 protestos), acompanhado por um ciclo de poder político particularmente inócuo a esses mesmos protestos. Não há forma de escapar a uma reflexão profunda sobre esta dinâmica de impotência histórica.

Já não há revoluções hoje em dia? Como fazer a revolução?

As manifestações constituem no presente momentos do conflito social cuja importância releva sobretudo do seu carácter público e multitudinário. São estes eventos que tornam visíveis com outra amplitude os sinais de descontentamento, em alguns casos revolta, face ao programa de miséria generalizada que a austeridade apresenta como inevitável. Porém, e apesar da importância que possam ter enquanto lugar de encontro ou de catarse colectiva, ou mesmo de ataque, as manifestações não têm oferecido muito mais para além desse lugar. De facto, a recusa das políticas de austeridade que confina a sua expressão à organização ou participação em manifestações acaba por se ver condenada a reproduzir o jogo estéril da representação política de uma oposição ao regime, no lugar de idiota mais ou menos útil, cuja presença e gestualidade são passíveis de apropriações e distorções de todo o tipo.

O panfleto das Edições Antipáticas, já com umas semanas e postado em baixo, procura fazer uma história dessa rua. Mais do que o detalhe historiográfico e exaustivo dos protestos, o texto vai construindo uma posição política, a partir da área anti-autoritária e anti-capitalista, traçando importantes linhas de atrito com a esquerda institucional “governativa”, de um lado, e com o anarquismo mais identitário e “exilado” da realidade, por outro. Mas é ainda, sejamos francos, a história de uma impotência, ou pelo menos impasse. Talvez seja também a história de uma «secessão» desejada, para usar essa bela palavra do texto.

Produzir essa «secessão», quebrando deste modo o círculo de impotência e frustração em que nos encontramos, implica trazer para o dia-a-dia da vida as “vontades” e as “necessidades” que se levam para as manifestações, dando-lhes uma expressão concreta e real. Ao carácter fortemente simbólico e mediado daquelas deve contrapor-se a potência da organização autónoma de espaços de vida e luta que se constituem como poder. Economias de pão e afectos, de subtracção e confrontação. Um poder que é contra-poder, desde logo, pela negação e recusa de quaisquer lideranças ou direcções nas formas e nos métodos de organização. E contra-poder ainda pela criação de estruturas e mecanismos que permitam responder às necessidades e desejos colectivos que surgem a cada dia nas nossas vidas.

Os últimos anos foram palco de uma série de experiências de utilização de espaços em diferentes cenários e locais. Do RDA69, Severa e Casa Viva à Escola da Fontinha e a São Lázaro, passando por todas as associações que entretanto surgiram com os seus espaços, foram vários os sítios que passaram a proporcionar momentos de encontro e ligação entre grupos e indivíduos com diferentes ideias e sensibilidades. Não obstante todas as distâncias e contradições que possamos encontrar entre essas experiências, há pelo menos dois aspectos que as relacionam: por um lado, a vontade de construir dinâmicas de sociabilidade fora de uma lógica mercantilista e empresarial, por outro, o reconhecimento de que tais dinâmicas dependem em grande medida da apropriação de espaços e território.

Perante um intensificar da degradação das condições sociais e do conflito político torna-se urgente pensar de que modo estas experiências poderão dar o salto qualitativo necessário para se constituírem como bases materiais suficientemente consistentes e solidárias para fazer frente à reconfiguração do modelo de organização social e política que está em curso e abrir caminhos ainda não descobertos.

Não se trata obviamente de opor ao protesto de rua a cantina popular, como a linha revolucionária justa, mas de entender a riqueza e potencial dos fluxos que se estabelecem nos espaços de luta e entre estes e a luta na rua. Trata-se de entender que a recusa do QSLT e de todas as outras instâncias de organização e gestão de protestos, enquanto cadeias de transmissão do jogo político dos partidos e do regime, nos coloca perante a necessidade de imaginar/criar os lugares de irradiação de força, inteligência, sensibilidade e poder contra a austeridade e a organização capitalista das nossas vidas.

Tout a failli, vive le communisme!

Na sua coluna desta semana Nuno Ramos de Almeida afirma em boa voz a ideia que se tem sublinhado inúmeros momentos recentes: este governo tem de cair pela rua. A reemergência desta enquanto fórum e enquanto novo rio rasgado por afectos políticos inesperados veio sugerir duas ideias: A primeira é que perante o exercício do poder especialmente perverso do governo em funções a rua é a última carta de um povo acossado, aquela que não está limitada ou formatada pelas contingências e vicissitudes dos outros poderes. A segunda é que a rua pode actuar enquanto processo constituinte que sirva a uma reconfiguração da esquerda, renovando-a e reforçando-a, servindo simultaneamente enquanto argamassa que permita a união das esquerdas e enquanto diluente que suavize as suas densidades incompatíveis.

É nas inúmeras variantes desta nota que se têm processado os múltiplos encontros que deram então uma forma a essa rua – e que traduzem um pensamento interessante: que é necessário repensar as formas de poder nas quais nos investimos e revemos e que é necessário que essas formas novas destituíam as presentes.

Ora onde a questão se torna mais complexa é precisamente nas questões seguintes: que formas pode sugerir essa rua, tanto prévias como posteriores a ela, e de que falamos quando falamos da união das esquerdas. Esta problemática torna-se ainda mais urgente quando se tem evitado discutir a primeira em função da segunda, assumindo essa união um pendor alquímico e salvífico ante a barbárie neoliberal. A união das esquerdas passaria pela formalização de uma grande instituição que albergasse no seu seio as diferentes tendências emancipatórias num programa comum e razoável. Essa força permitiria constituir-se enquanto poder formal que tomaria posse das instituições de estado, injectando-as de liberdade e democracia, traçando um continuo estrutural da assembleia de bairro à assembleia da república. Na verdade poucas estruturas seriam mais kafkianas do que a que procurasse integrar numa mesma formalidade o voluntarismo dos activistas com a ortodoxia dos militantes à volta com dezenas de identidades ideológicas. Imagine-se a experiência recente do BE, some-se o PCP, uns pozinhos de extrema-esquerda e ala esquerda do PS e multiplique-se pelos aparatos de estado. O resultado não é um amanhã que canta, é um Titanic vermelho a afundar com todos à porrada e uns quantos a grândolar as ondas que se abatem no navio. Por outro lado a rua que é convocada para abrir espaço a este projecto procurando manter-se num regime de governabilidade abre caminho a outra questão: ao sugerir-se enquanto hipótese de discurso, ou seja, ao perder a sua autonomia, inscreve-se num argumentário que mais depressa se prestará a justificar pactos de regime entre as diversas tendências do poder do que a qualquer escancarar de portas à esquerda que vem.

Não se trata aqui de contrapor à “união das esquerdas” um vago sonho molhado de fúria popular indistinta ou de menosprezar as riquíssimas experiências aí implicadas, mas a de começar a sugerir outras linhas de reflexão: uma relativa à validade do conceito de “esquerda” enquanto comunidade especializada e separada, do colectivo anarco-nãoseiquê ao grande partido da classe trabalhadora, que se procura constituir enquanto instrumento de poder e uma outra relativa a como esse campo foi perdendo a sua materialidade. Generalizando grosseiramente este surge como o traço comum: se uma parte maioritária da reflexão e prática de esquerda se foi construindo tendo em conta a sua constituição enquanto estado, por vias democráticas ou revolucionárias, uma outra, minoritária, foi-se afirmando de modo identitário, procurando acima de tudo assegurar a sua reprodução social e o seu papel essencialmente decorativo. Ambas se pautam no entanto pela mesma questão, a de propor uma procura e um gregarismo essencialmente ideológicos que se vieram a revelar francamente incapazes nos últimos tempos. Que, por exemplo, as assembleias de bairro saídas das acampadas no estado espanhol se estejam agora a constituir enquanto cooperativas mutualistas atesta bem essa necessidade: organizar, organizar, organizar sim, mas à volta de algo imediato, prático, tangível.

Isto para dizer que, nesta humilde opinião, o governo só cairá pela rua quando ela se apresentar inequivocamente enquanto ingovernabilidade e que a rua só ganhará esse poder quando se assumir enquanto materialidade colectiva e não enquanto espaço de reivindicação.

“”Faz” com o que tens, e se tiver que ser ao murro, tem de ser ao murro.”

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Mas o dia 1 de Abril não foi ontem? Hoje já não vale! Hoje é a sério!

Não é um “radical”, não é um “extremista”, não é o super-homem. Quando se pensa que o governo não pode descer mais baixo…enganamo-nos.

O novo “embaixador do Impulso Jovem” é um mini-me do Relvas. Foi escolhido pelo You Tube, trabalha à borla, incita o pessoal a trabalhar as horas todas que forem precisas e promete chapadas aos manifestantes. Um mimo. Uma espécie de relvas, cruzado com um humurista de stand-up com toques de actor publicitário do red bull.
Tem público porque diverte e anestesia. Mas depois espalha-se ao comprido na ignorância ” Se as políticas são para um lado ou para o outro… sou ignorante”. Nada que o leve a não aceitar ser embaixador de um conjunto de políticas nulo ou que o leve a sentir-se mal de partilhar o mesmo espaço físico que o relvas.

Não percam este momento pois vale a pena pela quantidade de pérolas por linha corrida:

Apresentando-se como “um rapaz simples”, que “acredita em sonhos e super-heróis”, Miguel Gonçalves foi abordado pelo ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, para ser, “sem remuneração”, a nova cara do programa de estágios lançado em agosto pelo Governo.O argumento da falta de dinheiro para pagar propinas também não convence o fundador da Spark Agency, uma agência de criatividade especializada na criação de soluções de comunicação interna em grandes empresas.“Eu paguei as minhas propinas a trabalhar. Estudar em Portugal não é como em Stanford, que custa 45 mil euros por ano. A um jovem estudar custa 1.200 ou 1.300 euros por ano, são 100 euros por mês. Amigo, se tu com 20 anos não consegues fazer 100 euros por mês para pagar o que estudas vais ter muitos problemas na vida, muito maiores do que esse”, disse.Ninguém deve deixar de trabalhar porque não tem dinheiro. É um mito. Até a vender pipocas no centro comercial se arranja dinheiro para pagar 100 euros por mês”, concluiu.

Para mais do “génio”:

O movimento social vai nu

No jornal I de ontem saiu um artigo pidesco sobre o QSLT. O artigo surge em grande parte enquanto tentativa de descrédito da “plataforma”, sugerindo que afinal este é dirigida por uma espécie de maçonaria de esquerda e que a presença de militantes e dirigentes partidários de certo modo macula as suas pretensões de inaugurar novos modos de participação política. As alegações venenosas e muitos factos errados provocaram, justamente, bastante indignação entre os participantes e simpatizantes que afirmaram rapidamente que a desqualificação de alguém pela sua pertença a partido de esquerda era algo politicamente bastante dúbio. Já relativamente ao resto das acusações não vi ninguém contestar ou ficar ofendido pela sugestão: que o QSLT se tinha constituido enquanto forma de conduzir o conflicto social às urnas e que apesar do seu cunho de novo “movimento social” funcionaria através de um bastante exclusivo centralismo democrático informal.

Ora o artigo sai um dia depois de um livro em que umas das pessoas visadas enquanto “lider” no artigo nos dá a sua narrativa outono quente de 2012. Na mini-biografia final o autor diz que a sua actividade política consiste em ser dirigente de um movimento de precários. Esquece-se de dizer que também faz parte da mesa nacional do Bloco de Esquerda e que todos os membros desse movimento de precários são militantes ou dirigentes do BE que se gabam publicamente de, enquanto BE, controlarem o QSLT.

Quantas vezes no spectrum e em outros locais foram levantadas estas questões? inúmeras. Foram sempre insultadas enquanto tentativas de abanar gratuitamente o barco, de inventar guerrinhas, de sabotar o movimento quando este precisa de união, encaradas enquanto reveladoras de um profundo sectarismo, mau génio e fraca higiene pessoal.

O resultado é óbvio: Quem recusa encarar as suas próprias questões abre o flanco para que os outros as encarem contra ele.

antisemitas, racistas, a mesma luta

Curioso como as coisas se repetem ao sabor do vento e das conveniências.

Jean-Luc Mélenchon, o presidente do Partido da Esquerda francês, antigo candidato da frente eleitoral de esquerda às presidenciais e conhecido pelas suas afirmações contundentes, foi esta semana massacrado nos media franceses sob acusação de antisemitismo a respeito do ministro francês da economia.

Em resumo, foi isto: O senhor Mélenchon disse numa tribuna do congresso do seu partido: “Moscovici (o ministro francês da economia que votou o confisco dos depósitos aos cipriotas) já não pensa em francês mas na língua da finança internacional”. Como o senhor Moscovici é judeu e como, evidentemente, todos sem excepção estamos embebidos no antisemitismo cultural acerca da raça judaica e do seu amor ao dinheiro que não tem pátria, eis que se torna explícito o antisemitismo de Mélenchon, imediatamente identificado e amplificado pela AFP (a LUSA francesa), condenado por dois fazedores de opinião de serviço e devidamente amplificado pela esmagadora maioria dos órgãos de mass media e pelas redes sociais. Quando vem o contraditório, já não há volta a dar.

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Confuso? Inverosímil? Comédia? Farsa?

Faz lembrar aquelas palavras de um famoso discurso de um certo secretário geral de uma certa central sindical portuguesa que rezavam assim, testemunhando, evidentemente, um racismo embebido e tão amplamente condenado: “Daqui a pouco vêm aí outra vez os três reis magos, um do Banco Central Europeu, outro da Comissão Europeia e o mais escurinho, o do FMI, e já se fala em mais medidas de austeridade”. Afinal, também acontece em França. E cheira-me que vamos ter próximos capítulos. Quem será a vítima?

Recomendação de leitura – relançado um dia destes

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“Confesso que não sei muito bem onde irá parar esta coisa do Big Mário! Mas uma coisa sei muito bem e, essa, também a confesso abertamente… ADORO SER FAMOSO!”

Um livro recomendado depois de mais de 10 anos. Um livro “escrito” por alguém que não sabe construir uma frase e que considera parágrafos e virgulas uma figura de estilo. Uma ode ao facilitismo e ao utilizar algo para ganhar relevo e uns cobres.

À venda no wok por 1,51€ . Os amigos aplaudem e os familiares juram que o livro é muito bom.

«Problemáticos»

Ruben está neste momento a ser velado dentro de um caixão branco fechado. À sua volta há jovens como ele que não entendem o que é morrer com 18 anos às mãos da brutalidade policial. Ruben dentro do caixão está tão revoltado como os jovens que incendeiam as ruas e lhes queima a alma. Ruben é o quinto jovem que morre na bela vista por intervenção policial. “Mais valia construirem aqui cemitérios” disse uma moradora hoje da Bela Vista ao Correio da Manhã. O que essa moradora não sabe é que os bairros sociais como a Bela Vista são cemitérios de pessoas vivas dadas como mortas para a saúde, educação, habitação; feitas “presas” de caçadores fardados de azul.
Bairros play-ground de violência policial.Ruben tinha sido detido no dia anterior pela polícia dessa esquadra que o perseguiu no dia em que o fez morrer. Ruben foi detido e identificado. Era bem conhecido pela polícia. No dia seguinte andava de mota sem capacete e dizem os polícias passou um sinal vermelho epor isso seguiram-no disparando balas de borracha DIZEM.
E assim ruben, em velocidade fugindo ruas afora, entrou numa rua sem saída, subiu o passeio e, “fugindo ou apanhado por uma bala atirada para o ar”, dirá a sentença do tribunal despistou-se, caiu sobre caixa de eletricidade, morreu e viu-se a sua morte num pequeno filme no youtube. 18 anos de vida findaram numa perseguição policial com balas.
Robinho, como é conhecido, abriu mais um inquérito na inspeção-geral da administração interna que se vai esforçar por se proteger assim como os polícias agora se esforçam por proteger a esquadra da avenida da Bela Vista. Esta esquadra tem 46 agentes e nenhum morador deste bairro se sente seguro por lá tê-los. Têm morto jovens estes agentes, 5 jovens nos últimos anos. Ruben deixa agora de brilhar nos olhos da sua mãe que recupera de um cancro. O decreto-lei nº 457/99 diz no artigo 2º diz que o recurso à arma de fogo pelo agente policial ”so é permitido em caso de absoluta necessidade, como medida extrema”.
Acrescenta-se a medida extrema provocada com a necessidade de matar “jovens problemáticos” de “bairros problemáticos”. A justiça vai perdoar dizendo que não se provou a culpa da morte. Os jovens vão incendiando as ruas mostrando que têm a injustiça nas mortes que carregam. Ruben é mais um nome da revolta pela brutalidade policial que a comunicação social não diz. 3 anos será a pena máxima caso se comprove que houve uso indevido da  arma pelos agentes.
Quantos anos leva a deixar de sentir a falta de um amigo?Quantos anos levará a mãe de Ruben a voltar a sorrir? Quantos anos mais serão precisos para proteger os jovens dos bairros sociais dos polícias problemáticos? Quando se explodirão as esquadras que existem nos bairros?
A Plataforma Gueto sente mais esta revolta!

 

Quando olhamos para bairros como a Bela Vista, a primeira pergunta a fazer devia ser sobre como é que nestas circunstâncias, alimentadas pela desesperança, e especialmente perante uma morte pela qual nunca será feita justiça, igual a tantas outras, as pessoas que aí habitam não decidem simplesmente partir tudo? Como é que é possível que a “inconsequência” dos seus habitantes se fique por atirar umas pedras à polícia, queimar uns caixotes do lixo ou destruir um autocarro [ônibus]? Perante o que seria compreensível, tudo isso parece pouco. Nem por isso deixam de ser tratados como “bárbaros”, “selvagens”, “desordeiros” e “incorrigíveis” por aqueles que os desprezam e por aqueles que perpetuam a sua condição e dela parecem beneficiar. O Rúben parece ser culpado do sítio onde cresceu. A maior acusação que lhe é feita chama-se “Bela Vista” ou “bairro problemático”, condição que se abate sobre ele como uma fatalidade. As diferentes vitórias que a comunicação social e parte da opinião pública brandem no rescaldo do sucedido são exemplos particularmente esclarecedores do desprezo a que populações de bairros como o da Bela Vista estão votadas.

Obama Grandolado…

Aquilo que o Obama nao ouviu nem quer ouvir, mas que foi dito :

Rabeea Eid interrupted Obama’s speech by saying: “Do you really came here for peace, or to give Israel more weapons to kill and destroy the Palestinian people? Have you seen the apartheid wall in your way?” He added: “There are Palestinians in this room. This state must be for all its citizens, not the state of the Jewish people. “Who killed Rachel Corrie? Rachel Corrie was killed by your money and your weapons”"

 

“A Internacional Ciclista” by João Pimentel Ferreira

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A Internacional Ciclista by João Pimentel Ferreira

De pé ó vítimas dos carros
Pedalai ó jovens da cidade
Avante e de punhos bem cerrados
Recordai sempre a mocidade
Não queremos ser mais ostracizados
De pé, pedalai e não mais carros
Senão queremos dar aos chupistas
Sejamos todos ó ciclistas

–Refrão–
Bem unidos, e exaltados
Construamos, é sacral
duma urbe sem carros
A Internacional

Bem unidos, e exaltados
Construamos, é sacral
duma terra sem carros
A Internacional
——–

Da galp, repsol e bp
Nada precisamos de nenhum
Criemos o ideal em quem não crê
e a rua mãe livre e comum
Melhoremos a nossa cidade
Findemos a poluição do ar
E na austera claridade
vamos todos pedalar!

–Refrão–

Agiotas do crédito dos carros
Chulos que fornecem combustível
Findemos os negócios implantados
Lutemos todos: é possível!
Desocupemos a nossa cidade
das latas que ocupam o passeio
Demos a todos, a mobilidade
Ciclistas sem receio!

–Refrão–

E os pobres peões abalroados
Reflitamos, fazei todos uma pausa
E senão quereis ser atropelados
juntai-vos hoje à nossa causa!
E os pobres animais trucidados
Morrem mil cães nas estradas pelo mundo
Lutemos, não sejamos bem-mandados
à tirania do capital imundo

–Refrão–

Os biltres que, com publicidade
Fazem do carro rei e senhor
Mas o carro só provoca mortandade
Gera doenças, morte e dor
Desocupemos as ruas e as praças
E deixai as crianças brincar
Eliminemos as fumaças
Vamos todos pedalar

“A Internacional Ciclista” by João Pimentel Ferreira
Daqui

Eles dizem que têm o passaporte do coelho.

“O Salto, le saut, c’est la triste odyssée des travailleurs portugais chassés par la misère. (…). O Salto est précisément le nom que donnent eux-mêmes les Portugais à leur voyage clandestin vers la France. O Salto, c’est le saut, la culbute par-dessus les Pyrénées. Ils disent qu’ils ont le passeport du lapin”.

Droit et Liberté, n° 266, out. 1967

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Na manifestação de 2 de Março a ATTAC Portugal distribuiu a nova edição da brochura “A Crise Portuguesa em 10 Minutos”.

Com ilustrações de Alejandro Levacov e Julia Barata, a publicação procura explicar que a origem da crise económica portuguesa, avaliar as políticas de austeridade e avançar com algumas alternativas.

Agora o documento pode ser descarregado, lido e impresso aqui

Exclusivo Spectrum: O manifesto da manif de desagravo aos organizadores do qslt

 

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É tal o desagravo, é tal a quantidade de raiva que trespassa por alguns dos organizadores da Manifestação de dia 2 de Março que isto não pode ficar assim.
 

Novamente mascarados de pessoas, alguns elementos do spectrum passaram pela rede fina que controla as entradas nas reuniões de chá e roubamos sem despudor o manifesto para a próxima manifestação. Não deixaremos que vos crucifiquem, não deixaremos que se armem em heróis. Estaremos convosco nesta luta, serão vingados! As vossas lágrimas não caíram em vão. Mesmo boicotados estamos solidários, mesmo que se interponham machados os tubérculos estarão convosco. Nós já esquecemos as vossas afrontas, perdoai as nossas jocosidades.

 
Pelo menos até ao próximo golpe de alterne congressista ou até à próxima convenção de academias de formatação de cidadãos.
Segue o vosso (e nxssx) manifesto. Lutemos! Ninguém desiste!

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Traz a tua pedra também! Calhaus são resistência!

 É preciso unir fundas, juntar calhaus, enfiar as balaclavas. Vamos fazer algo de revolucionário.

Que se lixem as calçadas! Queremos os nossos lambris! Dia 2 de Fevereiro, vamos juntos e juntas construir um verdadeiro cromeleque na escadaria de S. Bento.

Durante anos, fizeram de nós carneiros mansos, unidos em manifestações moles e inconsequentes.

Queremos dar umx novx vidx axs protestxs em Portugal. A política inflexível deste governo mais troikista que a troika exige uma revolta corajosa de todos aqueles e de todas aquelas que acreditam que um novo rumo para este país não se constrói com abracinhos concertados.

Vamos para a frente com o poder popular! No teu bairro, na tua freguesia, no teu local de trabalho, organiza-te em academias de cidadania revoltosa. Todos e todas podemos partilhar experiências químicas, trocar conhecimentos, enriquecer a nossa luta.

Esta é uma iniciativa de pessoas radicais, unidas pela vontade de criar alternativas democráticas à morna Europa em que vivemos. Acreditamos que apenas uma verdadeira chuva de calhaus poderá dar a resposta adequada aos problemas dos povos austerizados por memorandos ao serviço dos interesses dos grandes grupos financeiros.

Apelamos, assim, a um apedrejamento geral popular e internacional!

 Mas não batam nos polícias; há muitos ministros para bater!

 Um povo não é livre à bastonada,

Não se conquista a liberdade com papoilas.

À força do calhau é que tu tomas

As praças e as ruas que são tuas!

 Radicais nos querem, perigosos nos terão!

 Contra os bastões, apedrejar, apedrejar!

 

Ganhar forças para consolidar

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Se alguém ainda não tinha percebido o que aconteceu a 2 de Março, Francisco Louçã veio agora explicar no Facebook. Manifestámos-nos para que a esquerda nos possa representar. O último a sair que apague a luz.

[Vasco Pulido Valente] pensa que, se invectivar os seus inimigos de estimação, a realidade colapsa perante ele. Não percebeu nada. Não percebeu que o 2 de Março exige uma representação da recusa da troika e da dívida. Não percebeu que a esquerda não desistiu para o centro. Não percebeu que as vítimas da austeridade são os que querem ser o Rio Grândola.